Irã nega fabricação de bomba

Publicação: 2010-05-08 00:00:00
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Brasília (ABr) – A uma semana da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Irã, o governo do presidente iraniano, Mahomoud Ahmadinejad, atacou os Estados Unidos e os países que defendem as sanções por causa de seu programa nuclear. O embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, negou ontem a existência de produção de bombas atômicas em seu país. Segundo ele, os esforços de Ahmadinejad são pelo direito de desenvolver uma tecnologia destinada a fins pacíficos de energia nuclear.

O presidente Lula da Silva  é um dos poucos líderes mundiais que trabalham para evitar o isolamento e sanções econômicas contra o Irã“Ao nos acusar [de produzir armas atômicas], esses países ocidentais estão colocando como significado de energia atômica a bomba atômica”, afirmou o embaixador em entrevista coletiva concedida nesta sexta-feira em Brasília. “O Irã não tem bomba atômica nem vai produzir bomba atômica. Energia nuclear é uma tecnologia, um avanço na ciência humana, que vamos usar com objetivo pacífico e humanitário.”

De acordo com o diplomata, o governo Ahmadinejad se dispõe a trocar urânio levemente enriquecido por combustível para os reatores nucleares. No entanto, exige duas condições: que o processo se desenvolva paralelamente e não em duas etapas, assim como que o local a ser utiilizado para a operação seja em território iraniano.

“O Irã propõe que o local para a troca seja no nosso país mesmo. Nós temos duas condições - que a troca seja feita ao mesmo tempo. Nós precisamos para isso de garantias concretas. Se essa primeira condição for resolvida, a segunda condição – que é o local”,  pode ser solucionada”, disse o embaixador.

Segundo ele, os ocidentais devem dar as garantias de que a troca será feita nos termos acordados. “Estamos dispostos a atuar para a troca do urânio. Mas os ocidentais têm de demonstrar a sinceridade deles. Quando o Irã perceber sinceridade do lado ocidental, esse assunto é fácil de ser resolvido”, disse ele. Em seguida, foi contundente: “O Irã não se inclina frente à imposição, mas diante de um diálogo com justiça e legal”.

O embaixador evitou confirmar que o Brasil poderia servir como um território depositário para o enriquecimento do urânio do Irã. Segundo ele, esse tema só poderá ser aprofundado depois da reunião entre Lula e Ahmadinejad, na semana que vem, em Teerã.

Lula estará em Teerã entre os dias 15 e 17 de maio. De acordo com o diplomata, a visita do presidente brasileiro é histórica. Ele não poupou elogios a Lula. De acordo com Shaterzadeh, a visita ao Irã é um marco político, o fim do bipolarismo nas relações políticas e comerciais na comunidade internacional, com o Brasil ocupando uma posição privilegiada.

“A viagem do presidente Lula é histórica e tem grande importância. Nós estamos agora vivendo uma nova era no mundo, que é o fim do período de bipolarismo, pois com a ‘morte’ do [ex-presidente George] Bush assistimos ao fim do bipolarismo. Agora, começamos o período do multilateralismo, tendo a participação de países como o Brasil, Irã, a China e Índia”, disse o embaixador.

Lula participa de reuniões do G15 e fecha acordos

Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerra sua visita ao Irã, no próximo dia 17, ao participar de uma reunião do chamado G15 – que reúne os países não alinhados -, em Teerã. Um dos assuntos que deve predominar nas discussões é o debate internacional sobre o desenvolvimento do programa de energia nuclear iraniano. Antes, porém, Lula deverá assinar uma série de acordos bilaterais em áreas como agricultura, etanol, medicamentos e tecnologia.

Na reunião do G15,  além de Lula e do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, representantes de mais 16 países estarão presentes: Argélia, Argentina, Chile, Egito, Índia, Indonésia, Jamaica, Quênia, Nigéria, Malásia, México, Peru, Senegal, Sri Lanka, Venezuela e Zimbabwe. O Irã entrou para o grupo durante a Cúpula dos Não Alinhados, em 2006, em Cuba.

Lula viaja no próximo dia 15 para o Irã. Ele ficará dois dias em Teerã e segue acompanhado por uma comitiva de ministros e empresários. De acordo com o embaixador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, vários atos de cooperação serão firmados durante a visita. “Eu acredito e tenho esperança de que a viagem de Lula vai gerar grandes avanços para o bem-estar e desenvolvimento na promoção de várias atividades dos dois países e também no sentido internacional”, disse ele.

Os acordos envolvem as mais diversas áreas: agricultura, técnica, meio ambiente, veterinária, esportes, estandes industriais, de turismo, de políticas industriais, de energia, eletricidade, geologia, de produção de etanol, de comunicação, de produção de medicamentos, de mineração, entre outros.

“O presidente Lula é um líder valioso mundial. No Irã, estão sendo feitos todos os esforços para dar uma recepção calorosa a ele. A população iraniana e o governo do Irã têm um grande afeto pelo presidente Lula e pela população brasileira”, disse o embaixador.