Israel ataca navios de ajuda humanitária à Faixa de Gaza

Publicação: 2010-06-01 00:00:00 | Comentários: 5
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Tel-Aviv (AE) - Israel atacou ontem um grupo de seis navios que transportava mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, deixando pelo menos nove pessoas mortas, segundo o Exército israelense. Metade das pessoas que estavam no navio eram de nacionalidade turca. O ataque ocorreu na madrugada de ontem, em águas internacionais no Mar Mediterrâneo, a 128 quilômetros da Faixa de Gaza.

Médicos israelenses socorrem em Haifa, Israel, vítima de ataque ocorrido em navio em Gaza. País justificou a ação dizendo que grupo teria atacado  soldados durante abordagemIsrael defendeu sua ação, argumentando que ativistas armados atacaram soldados israelenses enquanto eles eram levados de helicóptero para o convés de um navio. O Exército de Israel afirmou que a arma de um de seus soldados foi tomada e usada para atacar os próprios militares do país. Ainda segundo o Exército israelense, ficaram feridos pelo menos 12 ativistas e 10 militares israelenses. A emissora de TV israelense Channel 10 citou 19 ativistas mortos e 36 feridos, mas posteriormente reduziu o número de mortos para dez.

A filial de Gaza da ONG turca NGO IHH, que tinha um grande navio de passageiros integrando a frota, disse à agência France Presse que tinha informações sobre 15 mortos, a maioria dos quais eram turcos. Estimativas sobre o número de feridos variam entre 20 e 30 passageiros e sete soldados israelenses, dos quais dois estariam em estado greve. Não há informações oficiais sobre o estado de saúde dos passageiros feridos, que estão sendo tratados em quatro hospitais de Israel.

Um porta-voz militar israelense disse que não estava claro quem havia disparado primeiro. Esse ataque pode inflamar as tensões por todo o Oriente Médio - nações árabes e funcionários palestinos condenaram fortemente a ação israelense. A Turquia também reagiu duramente. Ancara apoiava publicamente a flotilha, que incluía embarcações turcas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, demonstrou “pesar” pelas mortes ocorridas durante a ação de Israel contra o comboio humanitário, mas na opinião dele, as tropas israelenses agiram para “defender suas vidas”.

“Nós lamentamos a perda de vidas”, disse Netanyahu em Ottawa, durante encontro com o primeiro-ministro canadense, Stephen Harper. “Nossos soldados têm que se defender e defender suas vidas”, afirmou ele.

Já o ministro da Defesa de Israel, Ehud Barak, disse que as mortes dos ativistas foram de responsabilidade exclusiva dos organizadores do comboio. Barak chamou a flotilha de uma “provocação”, e considerou a ONG turca NGO IHH, como “partidários do terrorismo extremista”.

O governo israelense advertiu ativistas favoráveis aos palestinos para que não organizassem um comboio levando ajuda humanitária à Faixa de Gaza, disse o ministro de Comércio e Indústria de Israel, Binyamin Ben Eliezer.

“Nós estávamos cientes do que poderia ocorrer - nós os avisamos e dissemos a eles que tudo o que iriam fazer era provocação”, afirmou Eliezer. “Os resultados são desastrosos. Eu lamento muito as perdas, e cada gota de sangue vertida”, disse o ministro. “Um grande número de ativistas estava com facas, alguns deles, sete, oito deles com pistolas, então não é tão simples.”

Os organizadores do comboio, porém, disseram que soldados israelenses começaram a disparar logo que eles chegaram ao convés de um navio da flotilha. O comboio pretendia levar 10 mil toneladas de suprimentos à Faixa de Gaza, que sofre com um bloqueio israelense desde 2007.

Turquia, Europa, árabes e Brasil pedem investigação

NAÇÕES UNIDAS (AE) - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) se reuniu ontem em caráter de emergência e começou a discutir o ataque da Marinha de Israel. A Turquia, a União Europeia (UE), os países árabes, os palestinos, o Brasil e a Argentina pediram uma investigação internacional independente.

O vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Alejandro Wolff, não fez menção a uma investigação internacional independente, dizendo: “Nós esperamos que aconteça uma investigação transparente e instamos com força o governo de Israel a que investigue totalmente o incidente”.

Uma das reações mais fortes partiu da Turquia, já que a maioria dos mortos eram cidadãos turcos. O chanceler da Turquia, Ahmet Davutoglu definiu a ação como “pirataria e banditismo” em alto-mar, além de “assassinato conduzido por um Estado”.

Após considerações feitas pelos 15 países dos CS, bem como de Israel e dos palestinos, o organismo voltou a se reunir para considerar uma possível ação.

Riyad Mansour, observador palestino na ONU, disse que o ataque contra civis desarmados, em navios estrangeiros em águas internacionais, foi um “crime de guerra”.

O embaixador da França no CS, Gerard Araud, também pediu por uma investigação “independente e com credibilidade”. A França também pediu que o cerco à Faixa de Gaza seja abrandado. Israel mantém um cerco ao território palestino desde 2008.

O governo brasileiro recebeu com “choque e consternação” à notícia sobre o ataque israelense. Em nota divulgada ontem, o Ministério das Relações Exteriores afirma que o “Brasil condena, em termos veementes, a ação israelense, uma vez que não há justificativa para intervenção militar em comboio pacífico, de caráter estritamente humanitário”. O ministério também afirma que preocupa o governo brasileiro a notícia de que uma brasileira, Iara Lee, estava em uma das embarcações que compunha a flotilha humanitária. Segundo a nota, o ministro Celso Amorim determinou que sejam tomadas providências para a localização da brasileira.

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Comentários

  • alblopes10

    Mais uma vez acabamos por assistir a mais uma atrocidade praticada por mentes insanas. Israel, está mais que evidente, age certo de que suas ações não sofrerão qualquer tipo de punição. Dez vidas foram sacrificadas nesse ataque covarde e a ONU se limita a anunciar que vai fazer uma reunião de emergência. Reunião essa, que já sabemos, será mais um show pirotécnico: pedirão para as autoridades de Israel se explicar e estas dirão que agiram em legítima defesa e disso não passará, porque a ONU é uma instituição desmoralizada. Haja vista a invasão do Iraque pelos EUA que, como vimos, não deu em nada. Mas... por que será que nações que praticam essas atrocidades são tão mimadas pela ONU ? Não será porque portam grandes arsenais nucleares? Faz sentido, então, o \"esforço\" do conselho de segurança da ONU para a não proliferação de armas nucleares? Acredito que não. Penso que a ONU, na verdade, não quer é que nações como o Irã tenham qualquer possibilidade de defesa contra atitudes de países como Estados Unidos e Israel. Enquanto só as Elites do poder mundial tiverem o direito de se armar, assistiremos a ataques contra ativistas humanitários, o controle da faixa de Gaza e invasão de países indefesos. Até quando assistiremos à covardia contra os direitos humanos, achando que tudo isso é feito em nome da \"legítima defesa\" ? E quando eles resolverem se virar contra nós?

  • franzkcm

    A faixa de Gaza esta\' isolada por servir de base de lançamentos de misseis contra Israel. Navios com maioria de arabes nao seria bem vindo seja la\' p qualquer coisa que seja; os barcos foram avisados para nao se aproximar e desobedeceram, os ativistas nao iriam lutar contra policia,como se ve na tv com frequencia,e sim com homens do exercito treinados nao para repelir revolta e sim para MATAR. Eles assumiram o risco. O Brasil(risos) nao pode fazer nada mais que isso,nosso governo esta\' preocupado em deixar nosso povo apenas dependente de suas \"bolsas humanita\'rias\" e como o estado de Israel tem prestigio internacional ,alem do apoio das maiores potencias o mais sensato seria nao se meter na guerra.Numa guerra existe o fraco e o forte,hoje Israel e\' forte e dita as regras,na Segunda Guerra era fraco e foi massacrado,vale o ditado que o mundo da\' muitas voltas...

  • franzkcm

    Sem falar que o maior culpado da situaçao da faixa de Gaza e seu proprio governo, partido Hamas, que entrou numa verdadeira carnificina contra seu proprio povo ha\' poucos anos na diputa pelo poder com o Fatah. Israel tem armas nucleares sim mas vamos ver qto tempo iria levar para iranianos ou palestino usarem-nas caso eles tivessem tal tecnologia. Nossa tendencia de ter compaixao dos mais fracos e\' perfeitamente natural mas todo o fraco se torna opressor movido pelo ressentimento do seu sofrimento,basta ter oportunidade, ou se fosse pela vontade dos palestinos Israel nao ja teria sido varrido do mapa? veja qdo os cristao chegaram a comandar todo o mundo ocidental apos a queda de Roma se a idade media tb nao foi chamada idade das trevas?

  • jobson_galdino

    É isso mesmo !! Israel ataca comboios humanitários, uma brasileira está nessa ação e o governo brasileiro faz declarações inflamadas mas não passa disso, tbm o povo não tá nem ai, pensa na barriga primeiro, me envergonha um povo e um pais que não defedem seus cidadãos fora de suas fronteiras, foi assim com Jean Charles, com o filho da mulher que tentou se matar por três vezes, e essa ultima em Brasilia e será assim com qualquer outro. Vamos lá no Irã resolver as pendengas deles e não vamos a Israel chutar alguns rabos Israelenses, e logo nós, que lutamos contra o nazifacismo que F. com eles, logo nós que acolhemos seu povo de braços abertos quando fugiam como ratos amedrontados em meio ao nazismo, não fechamos nossas portas a vocês e é assim que nos pagam. Vocês deviam se envergonhar comunidade israelense.

  • paduasant

    Vejam vocês o que está acontecendo pelas bandas de lá. Se esse ataque, diga-se de passagem de cunho terrorista, executado pelos israelenses estivesse sido do lado palestino, o Tio Sam estaria hoje defendendo invasão total na Palestina. Só lembrando que Israel tem armas nucleares apoiado pelo Santo EUA. Quando eles defendem construirem armas nucleares para a \"paz\", temos que ter cuidado com esse discurso enganador e de pura intenção de invasão. Gaza, hoje, é um território isolado, com pessoas passando as maiores necessidades e humilhação por parte de Israel. Os israelenses até hoje, ancoram-se nas atrocidades imputadas pelos nazistas contra eles para justificar coisas como essa. Parece que eles esqueceram rápido e repetem a dose com os palestinos, com apoio da grande comunidade mundial, inclusive da ONU, em nome de quê? Como cidadão do mundo, repudio essa atrocidade dos israelenses, em nome da paz e do bem estar dos povos, estejam onde estiverem.