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Rubens Lemos Filho
Itália, cemitério em Natal
Publicado: 00:00:00 - 01/04/2022 Atualizado: 22:05:06 - 31/03/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

A Arena das Dunas, imposta e como todas as coisas obrigatórias, antipática,  tem motivo (azarado) para delirar: nela, a Itália jogou a última vez em 2014 uma partida oficial da Copa do Mundo, perdendo para o Uruguai(0x1) no famoso Jogo da Dentada do atacante Luiz Suárez, que mordeu o ombro do zagueiro da Azzurra, Chiellini. 

Na arquitetura acebolada da Arena das Dunas, que consome mensalmente, dos parcos cofres públicos potiguares R$ 12 milhões(pode ser 10, pode ser 11, será disparate),  impera o artificialismo e a arrogância de uma obra comparada sem maiores reservas a resultados fisiológicos de uma diarreia. 

Pois nela, na Arena das Dunas, a Itália jogou sem saber a última partida de uma Copa do Mundo. A Itália tetracampeã mundial (1934/38/82/2006), vice-campeã perdendo para a constelação brasileira de 1970 no México. 

A Itália faz ou fazia parte do seleto grupo dos nobres vencedores, alinhado a Brasil, Alemanha, Argentina, Uruguai, mais recentemente a França. A Argentina pela espetacular campanha de 1986 sob a luz de Diego Armando Maradona.

Maradona – assim como Garrincha em 1962 e Romário em 1994 – deu o troféu sozinho aos seguidores fanáticos . Não como o time de oito anos antes, que, inflado por uma Ditadura sanguinária, roubou o caneco enfiando 6x0 no Peru no jogo mais vergonhoso da história dos mundiais. 

A Inglaterra preserva a pose de mãe do esporte bretão. Ganhou na tunga e em casa o título da Alemanha Ocidental em 1966. Nunca mais conquistou nada. 

O caso da Itália parece fantasmagórico. Era uma das favoritas ao título e perdeu para a Macedônia do Morte, um gol aos 47 minutos do segundo tempo, algo como uma assombração sem chances de ser exorcizada. 

A Itália ressurgiu após a eliminação para a Copa 2018 e demonstrou na competição continental – muitas vezes, mais atraente do que o torneio principal  da Fifa -, uma promissora geração de rapidez no ataque e pragmatismo defensivo. 

Nas Eliminatórias, foi péssima e ainda assim, só se falava no confronto contra Portugal pela repescagem. A Macedônia do Norte sendo tratada como um aglomerado de incompetentes, uma zebra incapaz de berrar ao fim do jogo. 

Como o destino é traiçoeiro igual a um mata-mata, zombaram  da Macedônia do Norte como o Brasil tratou a Itália na Copa do Mundo de 1982, jogando apenas para cumprir uma tarefa, minimizando o brilho de uma geração mordida e liberando sua ferocidade e inegável habilidade diante do escrete de Telê Santana. 

O Brasil, passional, ainda espera uma bola alçada na área do goleiro Dino Zoff até a eternidade, para quem, sabe, Oscar ou Sócrates empatar de cabeça, pois Roberto Dinamite, o homem certo, nem no banco estava. 

Depois de rever o jogo do Sarriá várias e várias vezes, apertando a tecla pause do DVD e examinando como detetive cada lance, concluo que a vitória italiana foi justa, ao contrário dos pachecos cegos. 

É chato a Itália ficar de fora, mas é o regulamento. Copa do Mundo de verdade durou até 1978, com apenas 16 seletos integrantes. Como se começasse nas atuais quartas, passadas duas fases classificatórias. Hoje, são 32 e, na próxima, 48 equipes.  

O grosseiro João Havelange superpovoou a mais sublime das competições cabalando votos que o colocaram feito múmia quase perpétua na presidência da FIFA. Havelange supunha que até a morte ele expulsaria, aos gritos, mas Deus só existe um. E do bem. 

Pode ser casuísmo, mas seleções como Brasil, Argentina, Itália, França, Alemanha, que ganharam mais de duas edições, deveriam ser perpétuas na Coa do Mundo. Por pior que estejam, juntam bilhões de pessoas no mundo inteiro em dia de jogo. 

A Macedônia do Norte – e ainda há uma Macedônia do Sul -, importa tanto quanto Botsuana ou Ilhas Faroe, nanicos da bola. A Itália está fora tomando um gol ferino, chute no cantinho do goleiro. 

Passional, a Itália adota o luto. Sem lembrar que o seu cemitério está em Natal, na Avenida Senador Salgado Filho, aberração caríssima e sem sabor popular:  Arena das Dunas, que recebe para a posteridade, menção fúnebre típica de  uma natureza destrutiva.

O ritmo 
É na falsa lentidão do atacante Wallace Pernambucano que o América segue na luta franco favorito para disputar a final do segundo turno. 

Pivô 
No primeiro gol sobre o Potiguar em Mossoró(vitória de 3x0), Wallace Pernambucano girou sobre o beque na categoria dos grandes pivôs de futebol de salão potiguares: Gileno, Uirandé, Marquinhos e Franklin. 

Vitória 
Domingo, nada será mais natural do que uma robusta vitória americana sobre o Globo, um ampeão caricatura do bom time do ano passado. 

ABC 
Favoritaço amanhã contra o Potiguar em casa. Os 7x0 contra o Assu impressionaram, mesmo com a fragilidade adversária. Se fosse 1x0, os exigentes além da conta estariam reclamando. 

Técnico 
Mérito da construção dos atletas. No altruísmo do técnico Fernando Marchiori, a repaginada do ABC na luta para ser campeão direto. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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