Itens de EPIs estão em falta no mercado

Publicação: 2020-03-25 00:00:00
Mariana Ceci
Repórter

A grande demanda por Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em todo país está dificultando o processo de aquisição desses itens para a rede de saúde do Rio Grande do Norte. Governo do Estado e Prefeitura de Natal abriram processos extraordinários para a compra dos EPIs, entretanto, com exceção das máscaras N-95, que devem chegar entre a quarta (25) e a quinta-feira (26), não há previsão para quando os outros equipamentos, como óculos de proteção e capotes, vão chegar aos profissionais. 

Créditos: CedidaMáscaras protetoras usadas em UTIs e para coletar as secreções dos pacientes estão em faltaMáscaras protetoras usadas em UTIs e para coletar as secreções dos pacientes estão em falta


No Governo do Estado, foram abertos processos de aquisição de todos os EPIs indicados para o manejo de pacientes suspeitos e confirmados para Covid-19, de acordo com a Secretaria do Estado de Saúde Pública (Sesap). Entretanto, apenas o processo de aquisição das máscaras N-95 foi concluído. O Estado adquiriu 40 mil novas máscaras, que devem atender à demanda dos profissionais de saúde pelos próximos 45 dias. Em relação às máscaras cirúrgicas, o Estado afirma ter estoque para abastecer a rede hospitalar.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, para as unidades de saúde foram adquiridas máscaras cirúrgicas e N-95, e os produtos "deverão ser entregues em parcelas ao longo das próximas semanas". Atualmente, a SMS afirma que ainda não há falta dos equipamentos na rede municipal, e que o abastecimento é feito de acordo com a solicitação da direção das unidades. Outros equipamentos, como álcool em gel, estão sendo distribuídos, e as luvas de procedimento, outro artigo recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), estavam previstos para chegar na última terça-feira (24).

Membro da diretoria do Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte (Sindsaúde-RN), Rosália Fernandes afirma que a situação relatada pelos profissionais é de que as unidades ainda dispõem de uma quantidade que atende aos trabalhadores. Visitante e acompanhantes, no entanto, acabam desprotegidos por não haver máscaras extras para distribuição. 

"Por enquanto, o recurso que o Governo do Estado disse que ia ter disponibilizado para isso, ainda não chegou. Ou seja, há poucas máscaras daquelas N-95, e não são todos os setores que têm, porque elas chegaram em quantidade pequena", afirma. Além disso, ela afirma que o álcool em gel distribuído também não está dando conta da demanda diária. "É um problema sério, porque além dos profissionais, temos os acompanhantes que ficam em corredores e acabam não tendo proteção disponibilizada. A alternativa para essas pessoas seria procurar nas farmácias, mas as próprias farmácias estão sem estoque desses produtos", completa.

O diretor da Unidade Central de Agentes Terapêuticos (Unicat), Ralfo Cavalcante, afirma que não é possível estipular um prazo para que os equipamentos adquiridos cheguem à unidade, pois isso dependeria, também, da disponibilidade dos fornecedores. “Não há prazo, porque o processo ainda está tramitando e vai depender do fornecedor. Pode ser que ele não tenha a quantidade necessária, então não é possível estimar quanto tempo isso vai durar. Realmente, não é só o nosso Estado, mas o país inteiro que está com dificuldade de aquisição”, explica. 

Conselho
A representante do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Norte, Silvia Helena, afirma que o Conselho Regional estuda, junto ao Conselho Federal, alternativas para garantir a proteção dos profissionais que estão em contato diário com pacientes que podem estar infectados com o Coronavírus. "A maior demanda é de quem está fazendo o atendimento, porque todas essas pessoas já deveriam estar com a máscara. Sabemos que o nosso estado epidemiológico já é de transmissão comunitária, ou seja, o profissional precisa estar amparado com a máscara", diz Silvia. 

"A angústia do nosso profissional é muito grande, porque o enfrentamento à doença é diário. Sabemos que há dificuldade em adquirir esses materiais, e estamos em contato direto com o Conselho Federal para tentar tomar providências a respeito", completa.