Natal
Jôine: há 15 anos como motogirl em Natal
Publicado: 00:00:00 - 20/01/2019 Atualizado: 11:43:14 - 21/01/2019
Já se vão quinze anos em cima da motocicleta como 'motogirl', uma das poucas em Natal. Uma das quatros, arrisca. Jôine Souza, de 35 anos, conviveu com a desconfiança e a surpresa de muitos clientes no período, mas hoje se considera reconhecida. Nunca temeu fazer um trabalho inferior ao dos motoboys e, se hoje ganha presentes e convites para 'tomar café' de muitas senhoras, é porque é eficiente. Uma vez, foi numa vila militar fazer entrega para um general. Quando viu que se tratava de uma mulher, brincou: “chegou mais rápido porque mulher é eficiente”.

Jôine tem uma trajetória quase ao acaso com a atividade de motofretista. Trabalhava como comerciante de uma loja de roupas, quando a prima decidiu abrir uma farmácia e a convidou para trabalhar como entregadora. Aos 20 anos, estranhou, sequer pilotava uma moto. “Mas eu aceitei, tirei a habilitação de moto, comprei uma e comecei a fazer. Foi o meu primeiro emprego de carteira assinada”, declarou. Só sabe dizer que aceitou, mas não porque aceitou.

Magnus Nascimento
Jôine é uma das quatro ‘motogirls’ atuando em Natal. Já foi vítima de preconceito, mas mostrou que tem a mesma capacidade que os homens e conquistou respeito

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O início nas ruas levou Jôine a conhecer outras duas motogirls, mas só. A maioria era homens e até hoje continua assim. “Muita gente se surpreende quando a gente chega nas casas. Ninguém espera que seja uma mulher que vai entregar”, conta. “Nesses 15 anos eu não vi mais que quatro mulheres trabalhando”, disse ela.

O peso de ser mulher na profissão foi sentido anos depois quando tentou entrar em uma instituição filantrópica. Quem estava à frente desconfiou que a capacidade de Jôine fazer entregas fosse a mesma dos homens. “Mas eu pedi uma chance, me deram. Aí eu mostrei que tenho a mesma capacidade, ralei duro, às vezes até mais do que alguns homens”, relata. Tempos depois foi contratada pela instituição como motogirl e nesse ano completa 8 anos que está lá. Na carteira de trabalho leva o nome de “mensageira” por ser responsável por passar nas casas recolhendo doações.

Além da instituição, trabalha como autônoma em uma cooperativa. Todos os dias sai cedo de casa para recolher as doações até o fim da tarde. A noite trabalha fixa em um restaurante japonês. “Não tenho medo de trabalhar a noite não, hoje o trânsito é mais tranquilo do que quando comecei”, relata. Chega a ficar até meados de meia noite na rua e faz entregas em qualquer lugar da Grande Natal. “Ontem mesmo (quinta-feira, 17) fui deixar um sushi em Cotovelo umas 23h30, mas a gente se acostuma”, acrescentou.

Com a experiência que tem, ela conta que nunca presenciou preconceito por ser mulher de quem está em casa, à espera do serviço. A principal reação é a surpresa, mas depois de um tempo começou a ganhar o afeto de algumas senhoras. “É um jeito delas de reconhecer o meu trabalho, eu acho. Elas oferecem café, comida e, às vezes, a gente está até com fome, mas fica sem jeito de aceitar”, relata. “Já ganhei presentes também, no fim de ano, geralmente. Isso é legal”.

Na cooperativa onde trabalha também está ao lado de outra motogirl, a Juciane Oliveira. São 96 homens e elas duas como únicas mulheres convivendo todos os dias. Os colegas brincam: “Aqui somos igual ao 'É o Tchan', temos a loira (Jôine) e a morena (Juciane). As duas são das melhores motofretistas que temos na rua”, conta a motofretista.


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