Já pode preparar o saca-rolhas

Publicação: 2017-12-22 00:00:00 | Comentários: 0
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Ostentar a degustação de vinhos caríssimos não é algo muito aconselhável de se fazer nos dias de hoje. Vinhos de guarda são poucos, caros e raros, e quando mais interesse pelo vinho, mais se quer conhecer novidades. No multifacetado território desta bebida clássica, considerada também um alimento, o mais inteligente é conhecer quais sabores agradam mais ao paladar, mais leves ou encorpados, que possuem qualidade e cabem melhor no bolso. Até mesmo pela variedade de uva, terreno, safra e temperatura, cada vinho é um sabor e uma experiência diferentes. Aproveitando que no fim de ano os brindes aumentam, o FDS foi ouvir de especialistas algumas dicas com o melhor custo/benefício do mercado. Cada um indicou cinco opções, com preços entre 30 e 60 reais. Pode preparar o saca-rolha.

Palavra de 'expert'
O enófilo e consultor Gilvan Passos, titular da coluna Meditando na Adega, possui uma ampla visão de mercado, e escolheu os seguintes rótulos como exemplos de bons e acessíveis: o português de Lisboa Mina Velha Selection tinto; o Orvieto Clássico Bigi (branco), da Itália; mais um italiano, o La Cacciatora Barbera D’Asti, da região do Piemonte; o chileno Ramirana Reserva Cabernet Sauvignon, do Vale do Maipo; da Argentina, o Novecento Malbec, de Mendoza. E um bônus: o chileno Annie Special Reserve Pinot Noir, um dos mais vendidos do momento. As sugestões custam em média 35 e 40 reais – com exceção do Annie, cerca de R$60.

Annie Special Reserve Pinot Noir (Chile)
Annie Special Reserve Pinot Noir (Chile)

Para Gilvan, para começar bem na escolha é essencial que a pessoa já conheça bem o que agrada ao seu paladar. “Se ela curta mais encorpado, ou mais leve, tinto, branco, etc. Ter essa noção já é um bom começo”, afirma. Cada vinho tem um perfil, mas ele diz que alguns são mesmo “coringas”, caso dos vinhos da uva Merlot, que agrada a gregos e troianos. O especialista ressalta que se procure um vinho jovem.

“Repare no rótulo, se estiver mofado, rasurado ou manchado, pode indicar que o vinho passou por más condições e talvez não esteja tão bom para consumo”, diz. Gilvan aconselha que evite os vinhos que estão mais expostos à luz e guardados em pé. O ideal é que as garrafas estejam deitadas, para que a bebida seja melhor conservada. “Observar a forma como a loja acondiciona a bebida é muito importante. Pode fazer a diferença na hora de beber”, enfatiza.

Adega referência
Da tradicional e pioneira adega da Magazzino Vinhos & Cozinha, o proprietário Marcelo Chianca sacou as seguintes dicas: o espanhol Don Luciano Tempranillo, da região de La Mancha (R$32); o português Terras de Xisto, um alentejano com mais de uma uva (R$39,90); o chileno Viejo Feo Carmenere (R$49,90); da Argentina, o Potillo Malbec (R$60), sempre eleito o melhor de sua categoria, está em promoção; e o português EA Cartuxa (R$63). Segundo Marcelo, a crise mundial fez com que os produtores passassem a criar vinhos mais acessíveis, com uma qualidade similar aos mais caros. “É uma tendência gerada pelos tempos difíceis”, afirmou. Tel.: 3212-1477. 

Entre espumantes e rosés

Rodrigo Lima, da Grand Cru, indica os seguintes rótulos: Circus Malbec 2016 Escorihuela Gascon (R$49), da Argentina; o espumante francês Henri Le Blanc (R$49); o chileno Terrapura Classic Cabernet Sauvignon (R$39); mais um chileno, o Brisa Carmenere Vistamar (R$44), e Morande Pionero Pinot Noir (R$54), também do Chile. O comerciante ressalta que o maior risco para os vinhos em uma cidade como Natal é a exposição ao calor excessivo e à luz.

Club des Sommeliers Espumante Brut Vibrant
Club des Sommeliers Espumante Brut Vibrant 

Aos que têm disposição para pesquisar os vinhos nas prateleiras, Rodrigo Lima alerta sobre as principais “pegadinhas” na área. “É importante observar a safra, pois os brancos devem ter em média de dois a três anos de safra, e as garrafas menores tendem a envelhecer com maior velocidade. O cuidado também vale para os tintos, mesmo sendo os mais resistentes”, explica. Ele recomenda a compra nas lojas especializadas do ramo, pois além das melhores condições de guarda dos vinhos, há maior oferta de rótulos e a consultoria de venda. Tel.: 3201-0589. 

Novos e exclusivos
Simone Farret, representante da Adega Perlage, começa sugerindo a bebida que costuma ser um hit do verão: o espumante nacional, área na qual o Brasil é destaque mundial. A Gran Legado é referência premiada, e vem com suas três opções (Moscatel, Brut Branco e Brut Rose) para agradar a variados paladares. “O Moscatel, mais doce, é o mais consumido no país, especialmente nas festas de fim de ano para drinks ou sobremesas”, ressalta. O preço médio é R$55.

Bastante apreciados em Natal, os vinhos argentinos são representados na lista de Simone pela linha CUMA 100% Orgânico (R$55), em quatro variações: branco torrontés, rosé Malbec, tinto Malbec, e tinto Cabernet Sauvignon. É exclusivo da Perlage em Natal. Do igualmente apreciado Chile ela indica o Tierra Alta (R$39), que rende bons Carmenere e Cabernet Sauvignon.

La Cacciatora Barbera D’Asti (Itália)
La Cacciatora Barbera D’Asti (Itália) 

Novidade no mercado, o espanhol Navaldar (R$59,90) é um nome badalado para a temporada, com três rótulos à disposição: rosé, tinto Tempranillo, e um Blanco que se destaca pela passagem por barril de carvalho. O brasileiro Valmarino, um autêntico terroir da serra gaúcha, estão entre os melhores rótulos nacionais. A linha traz versões Chardonnay, Merlot, Tannat, Sangiovese, Cabernet Sauvignon (R$59,90), além de um Prosecco Brut (R$45), feito como na Itália. Tel.: 2010-0005/99981-4880. 

De olho na seção
“O primeiro mito que precisa ser derrubado é que vinho bom é sempre caro. O bom vinho é aquele que cai bem no paladar”, afirma João Paulo Cruz de Sousa, consultor especialista da rede Extra. Ele também começa com um espumante Club des Sommeliers Espumante Brut Vibrant, que conta com aromas de flores e frutas, conferindo um sabor fresco.  A bebida harmoniza com salada caprese, massas leves e frutos do mar. Preço sugerido: R$ 39,90.

Outra dica é o chileno Tres Medallas Cabernet Sauvignon (R$23,67),  considerado um vinho jovem que teve sua fermentação realizada em tanques de inox. O resultado é um vinho macio e que expressa os aromas da variedade. O argentino Santa Julia Malbec (R$36,90), é um vinho macio com aromas de frutas vermelhas que tem como objetivo mostrar a personalidade da uva francesa Malbec, considerada a fruta símbolo da Argentina.

O italiano Club des Sommeliers Lambrusco Bianco é um clássico jovem frisante que se destaca pelo seu frescor e leveza. Semidoce, com bom frescor e notas cítricas, é ideal para acompanhar canapés e entradas frias. Preço: R$ 28,25. O Club des Sommeliers Vinho do Porto Tawny, de Portugal, tem aromas complexos e mostra evolução no paladar. Ideal para ser apreciado sozinho e acompanhando sobremesas, especialmente à base de frutas secas. Preço: R$ 46,66.

O consultor explica que à medida em que a pessoa vai degustando diferentes rótulos, as impressões vão mudando e novos bons podem surgir – ou até mesmo ruins. Ele também dá dicas sobre armazenamento, algo mais importante do que se pensa. "A melhor forma de armazenar um vinho que já foi aberto é retirar todo o oxigênio com uma bomba à vácuo com rolhas seladoras. Para quem não tem, uma alternativa é guardar na geladeira com a rolha por no máximo um dia, uma vez que a baixa temperatura retarda o processo de oxidação", explica.


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