Política
Jaime Calado: 'Se Fernando Bezerra não estivesse por fora, saberia que há diálogos e incentivos'
Publicado: 00:00:00 - 23/01/2022 Atualizado: 10:31:02 - 23/01/2022
Valdir Julião
Tribuna do Norte

Virgínia Coelli
Jovem Pan News Natal

O secretário de Estado do Desenvolvimento Econômico, Jaime Calado, afirma que as críticas feitas pelo ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, ex-ministro do Desenvolvimento Regional e ex-senador Fernando Bezerra ao governo são típicas de quem não acompanha atualmente o momento institucional e econômico do Rio Grande do Norte. “Ele mesmo reconhece que está há 14 anos por fora das coisas”, diz o secretário. Jaime Calado destaca que há, hoje, diálogo com o setor produtivo, nas câmaras setoriais que foram formadas, e iniciativas para estimular investimentos privados. O secretário demonstra confiança que novos empreendimentos serão atraídos ao Estado.
ALEX REGIS
Jaime Calado, secretário de Desenvolvimento Econômico

Jaime Calado, secretário de Desenvolvimento Econômico

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Ele reage também ao ministro Fábio Faria (Comunicações) que afirmou ser mérito do presidente Jair Bolsonaro garantir recursos para colocar em dia o pagamento dos servidores estaduais. “Isso é resquício do feudalismo”, aponta, ao afirmar que os recursos transferidos não são propriedade do presidente, mas sim parcelas que cabem aos estados na distribuição da arrecadação.

Nesta entrevista, o secretário responde também sobre as eleições deste ano e confirma os planos para concorrer  a uma vaga na Câmara dos Deputados.

O ex-senador Fernando Bezerra disse durante entrevista à TRIBUNA DO NORTE, que fora Aluízio Alves (1960-1965) e Cortez Pereira (1971-1975) nenhum governo, inclusive o atual, apresentou um expressivo plano de desenvolvimento para o Estado...
O desenvolvimento econômico é uma construção coletiva e plural. Não é um governo que faz o desenvolvimento. Só quem pensa isso, são os ditadores, que se acham deuses. O desenvolvimento, como dizia o papa Paulo VI, é o novo nome da paz. Bem, não estou querendo filosofar, mas dizer que o governo é um instrumento desse desenvolvimento. Então, não tem uma Secretaria que vá falar, fazer e planejar [sozinha] o desenvolvimento. Se um governo é pouco, imagine uma Secretaria. O desenvolvimento passa, portanto, por todas as secretarias de governo, por outras instâncias, como os municípios e o Governo Federal. Passa pela sociedade com o seu papel intransferível. Aliás, no plural, seus papéis intransferíveis. A iniciativa privada tem seu papel importantíssimo. O que eu quero dizer neste momento? Como encontramos o Estado? Como eu vou falar de desenvolvimento, sem dizer como encontramos? O Estado quebrado igual arroz de terceira. Devendo a quem? Às pessoas que ganhavam um salário mínimo. Você não pode chegar, fazer um planejamento lindo e deixar para pagar três, quatro, cinco anos depois a uma pessoa que ganha um salário mínimo. Seria uma crueldade. O governo anterior mostrou um déficit de R$ 1 bilhão por ano. Gastou R$ 1 bilhão da poupança dos servidores. Todo mundo sabe disso. Deixou devendo R$ 1 bilhão de salários dos funcionários, mais de R$ 1,2 bilhão de dívidas com fornecedores. E não foram quaisquer fornecedores, mas da gasolina da polícia, do remédio do hospital. Gastou mais de R$ 1 bilhão do empréstimo do Banco Mundial. Estou dando aqui dados, assim bem simples, mas que retratam que o Governo que entrou, o Governo de Fátima Bezerra precisava parar essa sangria, parar uma sangria de R$ 1 bilhão por ano. É uma tarefa faraônica no Estado que já estava quebrado, com a autoestima lá embaixo e o maior índice de violência do país. Esse foi o Estado encontrado pelo Governo Fátima Bezerra.

O que se procurou fazer?
Primeiro, se armar para fechar essas sangrias e,  em seguida, recuperar a capacidade de investimento do Estado, perdida há muito tempo, e fazer o que pode ser feito sem dinheiro. E o que pode ser feito sem dinheiro? Estabelecer o diálogo e parceria com a iniciativa privada, que não tinha. Por falta disso, e dos incentivos corretos, só na indústria o estado tinha perdido mais de 20 mil empregos nos oito anos anteriores ao Governo Fátima Bezerra. Isso é uma coisa desumana para um estado desse. O que é que nós fizemos? Criamos sete Câmaras Setoriais, uma coisa que é simples, mas é fundamental. Botar na mesma mesa o governo, as lideranças de cada setor, no caso a indústria, que foi a primeira que nós criamos, com a academia, as quatro universidades públicas e as particulares... As instituições de crédito  estão representadas, como o Banco do Nordeste, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica, a Agência de Fomento, isso ao lado do Sebrae, do  Sistema S. E, assim, as Câmaras Setoriais estão dando resultados, porque são instrumentos de diálogo permanentes e periódicos, de parceria e de respeito à iniciativa privada. Muita gente está falando [nas críticas ao governo] em nome dos empresários sem perguntar a eles. Temos pesquisas mostrando mais de 80% do empresariado satisfeito com o governo Fátima Bezerra, que chamou o setor para a mesa, com humildade e transparência. Tem procurado conduzir o desenvolvimento do Estado, resultando em instrumentos legais e políticas públicas de Estado e não de governo, como o Proedi, que é o melhor programa de incentivo fiscal da história do Rio Grande do Norte. Pode perguntar a todos que o conhecem.  O Proadi foi modernizado [transformado em Proedi], aumentamos os incentivos fiscais, usamos instrumentos que outros estados tinham e a gente não tinha, como é o caso de melhorar o incentivo para o interior e criar outros critérios que vai aumentando. Por exemplo, se investe em meio ambiente, aumenta [o incentivo]. Se capacita funcionários, aumenta.

Um dos incentivos foi baixar o imposto do querosene de aviação para fomentar o turismo. Mas isso não modificou o transporte aéreo no Estado?
O governo federal consegue destruir qualquer iniciativa com essa política de combustíveis. O Brasil é exportador de petróleo, produz 3,8 milhões de barris todo dia e a gente consome 2,5 milhões de barris. Acontece que o povo e as empresas faturam em real e pagam combustível em dólar. Um dos diretores da Gol, quando a gente estava negociando disse: “Olhe, muito bom o incentivo que estão dando, baixaram 5% de cara, mas tem semana que a Petrobras aumenta 5,7%, anula qualquer coisa”. Todos os estados têm incentivos, se a gente não desse, ficava sem nenhum. Quem está salvando a indústria do Brasil, são os estados. O governo federal não faz nada pelo setor produtivo. O maior escândalo nacional é o nosso orçamento. O Congresso Nacional se reúne para discutir a metade do orçamento, a outra metade é para os bancos, juros e serviço da dívida. Quando soma isso, dá mais de 40%. É um escândalo. Qual país do mundo que tem uma tragédia dessa? Botaram o tal do teto, que só existe aqui. Se eu fosse presidente da República, me sentiria desmoralizado. Como é que se elege um presidente, e proíbe ele de gastar, investir? Agora, para banco, não tem limite. O orçamento destina menos de 0,5% para a segurança pública e 4% para saúde, menos de 4% para a educação e mais de 40% para bancos. Pelo amor de Deus... O assunto não é esse. O assunto é: “Ruim com ele e pior sem”. Os incentivos para passagens aéreas, se a governadora não tivesse dado, estavam dizendo que era comunista. Na verdade, não tem melhor incentivo do que o nosso. Voltando ao Proedi, nosso saldo na indústria em 2021 foi de 5.937 empregos novos, no total, com todos os setores, comércio, bens e serviços, o saldo dá 33.613 empregos positivos de carteira assinada.

O ex-senador Fernando Bezerra apontou que o governo tem, hoje, a preocupação apenas de arrecadar para pagar a folha do funcionalismo público estadual...
Tenho a maior consideração pelo ex-senador Fernando Bezerra, por tudo o que ele já representou nesse Estado. Já ajudou muito o Rio Grande do Norte. Mas ele mesmo reconhece que está há 14 anos por fora das coisas. E 14 anos é muito tempo. Um ano e quatro meses é muito tempo, 14, então... Se ele estivesse aqui [acompanhando], iria ver o que nunca viu. Sentados à mesa, a cada dois meses, todas as lideranças da indústria. É só perguntar a Amaro Sales (presidente da Fiern), se eu estou falando bobagem. As lideranças empresariais da indústria, todas. Nunca houve isso. Em torno desta mesa, ficam empresários e representantes do Governo. E 90% das queixas dos empresários eram com [relação às áreas do] meio ambiente e de tributação. Eles estão aqui [dialogando]. Pode perguntar às lideranças empresariais se estão satisfeitas, até porque esses empresários participam como atores, não estão aqui para assistir, não. No Proedi, teve mais reunião na Fiern do que aqui. Por isso, está dando certo. Há   décadas o Sebrae e outras lideranças lutavam para ter uma lei como a Constituição de 1988 diz que tem que ser para favorecer a micro e a pequena empresa. Não foi feita só pelo Governo, não. Foi discutida com todos os setores.


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