Júnior Dantas lança neste domingo (7) a websérie com um herói que resgata auto-estimas perdidas

Publicação: 2021-03-06 00:00:00
Tádzio França
Repórter

Um herói que resgata auto-estimas perdidas, ensina, faz pensar, e ainda diverte. Eis o Super Nagô, o mais novo personagem do ator Júnior Dantas, um potiguar do Seridó radicado no Rio de Janeiro, que lançará sua atual criação neste domingo (07), com a estréia da websérie “O pequeno herói preto”. Uma vez por semana, em seu canal no Youtube, ele transmitirá mensagens de amor, tolerância e empatia em forma de brincadeiras e educação. Um super-herói de verdade.   

Créditos: Divulgação

Super Nagô é um menino youtuber de 10 anos, inteligente e conectado com tudo. A cada episódio ele apresentará quadros lúdicos com a participação de convidados-heróis do dia-a-dia, como Eduarda e Helena, as Pretinhas Leitoras, o cantor Flavio Renegado, e o ex-gari, influencer e rapper Jota Jr. Com conteúdo educativo, a websérie traz contação de histórias, artesanato, dicas de leituras, músicas e filmes. Brincadeiras típicas do continente africano, como a Matacuzana, Saltando Feijão e Terra Mar, reforçam o perfil cultural do projeto.

O personagem nasceu como um reflexo de várias experiências que Júnior Dantas teve durante a infância passada em Ipueira, uma cidade pequena próxima a Caicó. “As crianças negras crescem, como qualquer uma, curtindo os super-heróis na televisão, nos filmes, nos quadrinhos e desenhos animados. Mas nenhum se parece com elas, nenhum se parecia comigo. Se a gente mora num país de maioria negra, por que não ter um herói assim também?”, diz ele à TRIBUNA DO NORTE.

O Super Nagô é uma mistura de influências que vão além dos heróis da ficção norte-americana. Segundo Júnior, há também os heróis reais do dia-a-dia, como os bombeiros, garis e profissionais da saúde, e também os heróis da história brasileira – principalmente aqueles “esquecidos” nas aulas. “Eu o encontro entre heróis da vida real e da ficção, como Super Choque, Pantera Negra e os de livros de história como Zumbi e Dandara. Esse trabalho é uma construção baseada numa verdade que busquei inicialmente em mim e em muita pesquisa”, explica.

Júnior ressalta o teor educativo do personagem. “Ele poderia ser facilmente incorporado em salas de aula reais ou virtuais, tem material para isso”, diz. No primeiro episódio, por exemplo, o Super Nagô vai falar sobre a importância da leitura, usando como exemplo a obra de Carolina de Jesus, mulher negra e favelada que escreveu “Quarto de despejo” (1960), hoje um clássico da literatura brasileira. Na ocasião, o herói vai entrevistar uma escritora sobre o assunto.

Pequeno príncipe preto
Júnior Dantas é daqueles que anota tudo num caderninho, desde as brincadeiras com as sobrinhas, passagens por escolas, experiências de outros palcos, de personagens, e de vida. “Meu intuito é quebrar padrões, instigando a observação de pequenas ações que nos fazem pessoas melhores”, diz. Ele sentiu que seria assim desde pequeno, quando quis interpretar o Pequeno Príncipe de Exupéry numa peça da escola e a professora o recusou por não ser branco, loiro e de olhos claros. Ele não “parecia” um príncipe.

Ironicamente, anos depois, Júnior Dantas obteve grande repercussão nacional com o espetáculo “O pequeno príncipe preto”, uma produção independente com direção de Rodrigo França, que foi vista por 60 mil pessoas em mais de 30 cidades de norte a sul do país. “Foi um papel muito importante pra mim porque quebrou padrões e estereótipos. E apesar de ser totalmente diferente do meu novo personagem, eles têm a questão da representatividade negra em comum”, analisa.

“O pequeno herói preto” tem roteiro do próprio Júnior Dantas, com colaboração da escritora Kiusam de Oliveira e direção de Rodrigo Menezes. Segundo o autor, a maior mensagem do Super Nagô é que qualquer criança pode se reconhecer nele. “A gente passa a vida esperando um super-herói, mas não vê que ele pode já estar dentro de nós ou do nosso lado, bem pertinho”, afirma. No caso das crianças negras, em especial, ver um herói parecido com elas ajuda a elevar a auto-estima, fazendo com que cresçam acreditando em si mesmas.

Saudades do sertão
Júnior Dantas deixou Ipueira aos 17 anos para estudar jornalismo em Campina Grande, na Paraíba. “Era mais fácil ir pra lá do que pra Natal, que ficava bem mais distante de mim”, ressalta. Na cidade paraibana também conheceu o teatro. De Campina foi para Angra dos Reis (RJ), onde alternou jornalismo impresso e artes cênicas, até que a contratação para atuar numa montagem de Ariano Suassuna o fez se decidir de vez pelo teatro e se mudar para o Rio de Janeiro. O resto é história.

Apesar da vida teatral fervilhante, Júnior nunca se apresentou no Rio Grande do Norte. “Não foi por falta de vontade, mas de oportunidade e de patrocínio. É um dos meus grandes sonhos apresentar meu trabalho em Natal, em Ipueira, no meu estado”, afirma. Uma vez por ano o seridoense volta para passar uma temporada em sua cidade, para rever os familiares, matar saudades e fazer aquelas anotações no caderninho.

Júnior não abriu mão de passar cinco meses no Seridó ao lado da família, de agosto a dezembro do ano passado. Aproveitou o tempo para gravar dois curtas-metragens em Ipueira, que já podem ser vistos em seu perfil no Instagram. “O pequeno herói preto” também está sendo adaptado para virar espetáculo de teatro, que nesse primeiro momento será online, devido a pandemia. A estréia está programada para maio. O grande ator preto não para.

Serviço:
Websérie “O pequeno herói preto”. 
Estreia dia 07/03 (domingo), no canal do personagem no Youtube.