Júnior Groovador: talento e jogo de cintura que chamaram atenção de Jack Black

Publicação: 2019-09-29 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

O potiguar Júnior Groovador é o baixista do momento no Brasil. Conhecido nas redes sociais pelos vídeos que grava tocando – e dançando – versões forrozeadas que faz de hits internacionais, ele ganhou projeção nacional na semana passada depois que o ator e músico Jack Black, do filme “Escola de Rock” (2003) e da banda Tenacious D, compartilhou o vídeo que o potiguar fez da música “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana. Acontece que o ator, uma das atrações do Rock in Rio, manifestou o interesse de conhecer o Groovador, inclusive pedindo para que seus seguidores o colocassem em contato com ele. Logo surgiu uma mobilização para que esse encontro acontecesse, e não demorou para a produção do festival providenciar a ida do baixista até o Rio para que os dois se conhecessem.

Júnior Groovador

Júnior Groovador é um batalhador da música. Aos 35 anos de idade, ele toca contrabaixo há 19 anos, sendo 15 profissionalmente. Começou na banda da igreja, depois montou grupos de rock, migrou para o forró e axé. Como vida de artista não é fácil, viveu perrengues que poderiam tê-lo feito desistir da música. Mas a música é algo forte demais para ele se ver livre dela. Tocar e dançar são coisas que estão na essência desse cara – por isso, mesmo trabalhando como vigilante, ele não deixar tocar, seja nas banda de forró que o convidam ou fazendo seus vídeos para postar na internet.

Para conhecer melhor a história de vida do Baixista Groovador, bem como a relação dele com o conjunto Santa Catarina, na Zona Norte, lugar onde vive desde que nasceu, a reportagem da TRIBUNA DO NORTE o visitou em sua casa, e foi com ele até o estúdio S Music, do amigo Samir, onde ele costuma ensaiar e gravar seus vídeos. No caminho, Júnior foi cumprimentado na rua várias vezes, sempre respondendo com um sorriso no rosto e a saudação que já virou bordão: “Vamos vencer na vida, pessoal. Não vamos desistir dos nossos sonhos não”.

INFÂNCIA HIPERATIVA
O conjunto Santa Catarina é a minha infância, adolescência e a minha vida hoje. Tenho muito orgulho de morar aqui, mesmo com os problemas que a gente sabe de insegurança. Na minha infância joguei muito Super Nitendo, bati bola, brinquei bastante de esconde-esconde, tô no poço.  Sempre fui um cara teimoso. Estressei muito meu pai e minha mãe. Era de pular muro de casa, acordava cedo pra aproveitar mais o dia, jogar bola, brincar. Era hiperativo.

QUADRA DE SHAMPU
A gente jogava muita bola na quadra do conjunto. Ali é um lugar especial pra mim. Porque representa a luta do meu pai por um lugar de lazer no conjunto. Um dos momento mais marcante que vivi no bairro acho que foi quando os próprios moradores batizaram a quadra com o nome de Xampu, que é como chamam meu pai. Meu pai está vivo, tem 63 anos de idade, super saudável, e o pessoal condecorou o lugar com em homenagem a ele, em agradecimento pelas lutas que ele travou em prol do bairro. Foi um reconhecimento histórico aqui no Santa Catarina.

A DESCOBERTA DA MÚSICA
Comecei na música sozinho, primeiro com o violão, depois com o contrabaixo. Pegava de cifra de revista. Na Igreja Santa Maria Mãe, aqui no bairro, foi quando aprendi melhor a tocar o instrumento. Acho que botei toda aquela energia da infância, aquela hiperatividade, na música. Foi a época que toquei nas primeiras bandas, tocava rock, aqui no bairro mesmo, a gente se apresentava em garagem, aquelas coisas.

CONTRABAIXO
Toco contrabaixo há 19 anos, sendo 15 profissionalmente. É um instrumento de marcação rítmica, muito importante em todas as nomenclaturas musicais. Tem um som grave, é como se protegesse os outros instrumentos. Pra mim o contrabaixo não tem que estar escondido, pode ser um meio de campo, um atacante... e é um instrumento de irreverência.

MIGRAR PARA O FORRÓ
O contrabaixo serve para todos os estilos de música, por isso eu migrei do rock para outros estilos. Fui muito criticado por isso. Apanhei bastante, o pessoal me chamava de prostituto, disseram que eu traia o movimento. Mas eu tive que fazer isso, adoro rock, mas é muito difícil pra tocar na noite, ganhar um dinheiro. Então quando surgiu a oportunidade de tocar em bandas de forró e poder ganhar um dinheiro, eu topei. Sempre acreditei que poderia ganhar meu dinheiro fazendo aquilo que gosto, que é tocar.

EXPERIÊNCIA
Toquei em várias banda de forró e axé. Uma que passei mais tempo foi a Forrozão Pé de Urtiga – Quanto Mais Véio Mió. Passei cinco anos. Gravei discos, DVD. Repercutiu bem. Viajei o RN todo. Também já conheci boa parte do Nordeste em outras bandas de forró e axé. São João, Carnaval, tava sempre tocando. Um dos momentos mais marcantes pra mim foi no Carnatal. Fui convidado por Ricardo Chaves para subir no trio, fazer uma participação. Aquilo foi muito especial, porque quem é envolvido com a música sabe como a vida é difícil, e aquele reconhecimento foi importante pra mim.

DANCINHA
Sempre gostei de Michael Jackson, o Rei do Pop. E gosto de dançar desde criança. Mas tocar dançando em só comecei a fazer  em 2004, não nas bandas de rock, mas nas de forró. Nem toda banda gostava. Diziam que eu queria aparecer mais que o vocalista. Outros faziam piada. Mas é o meu jeito. Sou o Baixista Dançarino.

OS VÍDEOS
Sempre gostei de publicar vídeos fazendo meu groove alto astral. Gravo aqui no S Músic, com o Samir. Ele põe a base e eu faço minha versão no baixo por cima. Meses atrás fiz o vídeo da música “Smells Like Teen Spirit”, do Nirvana e postei. Fiquei sem acreditar quando o Jack Black repercutiu a postagem. Tava todo mundo me ligando. Ele é um artista internacional, então foi algo muito gratificante pra mim. E ele ainda postou dizendo que queria me conhecer e que estava a minha procura. Desde então já surgiram vários contatos de todo o Brasil. Estou me organizando pra tocar, montar uma agenda.

ORGULHO
Fechei um show agora no início de outubro, em Fortaleza, no Floresta Bar. É algo muito importante retornar à Fortaleza, porque passei uma situação muito difícil lá, uma das mais difícil que vivi na vida. Fui tentar a sorte com uma banda de forró. Foi eu e um cantor. Cheguei a mentir pra minha mãe, pra minha esposa, pra minha filha, dizia que estava tudo bem, mas não estava. A gente morava num apartamento que não tinha nada, era só a cama no chão e as tomadas pra carregar o celular. Nada de geladeira, fogão,  nem água a gente tinha, descia para beber na copa do prédio. Foi complicado. Pedi a deus de um dia retornar de cabeça erguida. Agora surgiu a oportunidade. Irei numa outra condição, é algo muito especial pra mim.

Confira videorreportagem com Júnior Bass Groovador

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