Jardinense e Trampolim demitem 145 funcionários no RN

Publicação: 2020-04-02 00:00:00
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Poderia ser mais uma peça do dia 1º de abril, mas não foi. A data marcou a demissão de 145 trabalhadores de duas empresas de transporte intermunicipal de passageiros, a Trampolim da Vitória – que demitiu 120 - e a Jardinense – com outros 25, conforme levantamento da Federação das Empresas de Transportes do Nordeste (Fetronor). Os fechamentos dos postos de trabalho atingem motoristas, cobradores, técnicos de manutenção, agentes de fiscalização e apoio administrativo. A queda nas receitas, somente na Trampolim da Vitória, chegou a 75% em março.

Créditos: Adriano AbreuPátio da Trampolim da Vitória estava lotado de ônibus ontemPátio da Trampolim da Vitória estava lotado de ônibus ontem


“O sistema de transportes já vem numa crise estrutural há muitos anos. Nós já alertamos o governo há muitos anos. Não há subsídio nas gratuidades, os impostos que incidem nas passagens integrais são altos e acabam encarecendo o serviço. E agora há essa situação atípica, com redução de passageiros e faturamento”, declarou Gino Costa, diretor executivo da Trampolim da Vitória. A empresa  gasta metade do que arrecada com o pagamento da folha de pessoal. Mesmo com as demissões desta terça-feira, 31, ainda ficará com um déficit de 25% nas contas. “Ainda está desequilibrado (o caixa) e novas demissões poderão ocorrer na Trampolim e em outras empresas. Se eu não demitisse, teria um problema ainda maior pois não teria como pagar os salários”, lamentou Costa. 

O número de desligamento poderá aumentar nos próximos dias. A expectativa é que até 850 trabalhadores do setor sejam demitidos. O Sindicato dos Rodoviários (Sintro) terá reunião nesta quinta-feira, 2, e o presidente da entidade, Júnior Rodoviário, defende que ocorra a paralisação geral dos transportes imediatamente. Por outro lado, os empresários buscam isenções fiscais e auxílios financeiros para evitar colapso.

Em ofícios encaminhados ao prefeito de Natal, Álvaro Dias, ao chefe do Gabinete Civil do Estado, Raimundo Alves, e ao presidente do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), Manoel Marques, a Federação das Empresas de Transportes do Nordeste (Fetronor) solicita ajuda financeira para continuarem operando e não demitirem mais funcionários.

Entre os pedidos, os empresários querem aportes financeiros, inclusive com “outras fontes orçamentário-financeiras a fundo perdido", para reequilibrarem custos e receitas. Eles explicam que há a possibilidade de paralisação total do serviço e pedem a suspensão da cobrança de tributos que incidem sobre o setor por pelo menos seis meses, além de auxílio para custearem as gratuidades e meias passagens. 

As empresas alegam que a queda no número de viagens e consequente faturamento das empresas caiu aproximadamente 90% na semana passada e, com isso, o apelo foi feito para o Poder Público.

De acordo com o presidente do Sintro, Júnior Rodoviário, as demissões já começaram e o sindicato vai se reunir com dirigentes na quinta-feira para tratar sobre o tema e o que será feito com relação às demissões. Segundo ele, outras medidas deveriam ter sido tomadas.
“Se quer demitir, vai ter que demitir todo mundo agora. Teriam que ser tomadas outras medidas. Vamos reunir a comitiva em videoconferência e vamos tomar posição, mas minha posição é para parar todo o sistema", disse o sindicalista.

Até o momento, Prefeitura do Natal, Governo do Estado e DER não se manifestaram sobre possíveis isenções ou subsídios para o setor.
Nesta quinta-feira, 2, às 14h, sindicatos patronais e de trabalhadores terão reunião para definir como proceder com o risco de novas demissões e necessidades das empresas de transporte público. 







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