Jeito prá tudo

Publicação: 2020-06-30 00:00:00
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Valério Mesquita
Escritor

José Melo, pecuarista em Santana do Matos, é sogro de Nilo Soares, pessoa conhecida e bem relacionada em Natal. Acometido de problemas prostáticos, Zé Melo não pode evitar a temida cirurgia. Hospitalizou-se e no dia da operação submeteu-se com a enfermeira designada ao asseio pré-operatório. Sentindo mãos femininas roçar as partes genitais começou de pronto uma ereção espontânea que não o constrangeu. Olhou para a enfermeira meio encabulado e comentou: “Minha filha pode deixar de fazer isso que ele se põe em pé sozinho”.

02) Nos anos de chumbo, Josemar Azevedo, ex-presidente da Caern, esteve detido como preso político no Regimento de Obuses (R.O.) em Natal. Com ele, também, Zé Gago de Mossoró, companheiro de cela. Zé Gago era líder sindical dos ferroviários na sua região. O tempo passou e com ele a anistia ampla, geral e irrestrita. Josemar concluiu o seu curso de engenharia e se tornou agro-pecuarista. Zé Gago, por sua vez, voltou a Mossoró. Um dia, soube que o Dr. Josemar era o presidente da Caern e resolveu visitá-lo. Na recepção cumprimentou a secretária: “Bom, bom, bom dia! Dotô, Dotô, Jo, Jo, Josemar está?”. “Quem é o senhor?”, indaga a burocrata oficial. “Sou, sou, co, co, colega dele”. “Ah!, o senhor é engenheiro?”, quis saber mais a funcionária. “Não. Co, co, colega de cadeia”, respondeu Zé Gago.

03) Essa é mais antiga. Américo Soares de Macedo, assuense, radicado na região, aliou-se ao famoso General Plácido de Castro, um dos heróis da anexação do Acre ao Brasil. Tempo depois, passadas as refregas, veio morar em Natal com o filho Lucas (Luís Soares de Macedo). Américo , ao longo da vida, foi forjado nas pelejas e a tranqüilidade de Natal lhe afetou, deprimindo-o depressa até a esclerose. Passou a residir num quarto solitariamente onde recebia os cuidados diários do filho. Certo dia, saiu nu do seu compartimento e, em pé, chamou o filho em voz alta: “Luís, Luís vem cá. Vem ver quem te fez e hoje não vale mais nada”.

04) Frei Damião em Caicó. O povo devoto e fiel espalhava-se pela praça da Matriz de Nossa Senhora de Santana. O santo frade ia começar a liturgia da benção da cruz de todos que estavam ali. “Atenção povo católico de Caicó”, anuncia ao microfone o frei Fernando, “levantem todos a sua cruz para a benção agora do nosso Frei Damião”. No meio do povão o caicoense Pedro Diniz suspende a sua mulher para espanto dos circunstantes.

05) O vereador Toinho Rockfeller, mossoroense protagonista de campanhas populistas gostava de distribuir entre os seus eleitores carroças, jumentos, bicicletas, carrinho-de-mão, etc. Comerciante vendedor de peças e acessórios em geral, certo dia, foi procurado por um correligionário cuja carroça havia quebrado bem em frente ao seu estabelecimento. "Seu Toinho, me arranje aí um rolamento prá minha carroça pois deu "prego" bem aqui, rapaz". Lá de dentro, sério e impassível, Toinho arremata: "Qual o ano da carroça e o chassi do burro?".
06) Parelhas, ano da graça de 1967. Manoel Virgilio do Nascimento, seridoense, 80 anos, reencontra-se com o conterrâneo e amigo Monsenhor Walfredo Gurgel, governador do Estado. Havia muito tempo que não se avistavam. Alegria, abraços e as perguntas inevitáveis do padre: “Manoel, que prazer, e esses meninos, são seus netos?”. “Não, governador, são meus filhos”, responde o velho sem perder o prumo. “Mas, seus filhos, você já com essa idade?”. “Pois é, governador, o segredo é treinar sempre”, fechou o firo da conversa o seridoense de fibra longa.






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