Jejuns intermitentes ganham “status” de dieta da moda

Publicação: 2017-04-09 00:00:00 | Comentários: 0
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A nutricionista Fátima Nunes vê o jejum como uma prática saudável se for feita com método,  responsabilidade e bom senso. “Há pessoas para quais o jejum é contraindicado. No geral, diabéticos, cardiopatas, hipertensos, gestantes, idosos, e gente com câncer. Mas se a saúde estiver em dia, pode ser algo bom para o organismo”, diz. Jejuar retarda o envelhecimento, reduz a pressão, queima gordura, reduz colasterol e apura o paladar.

Alguns jejuns estão ganhando o status de dieta. É o caso do Jejum Intermitente (JI), que consiste na alternância de períodos de jejum e alimentação ao longo do dia. Não se trata de quais alimentos comer, mas quando comer. O seguidor é quem decide como quer fazer, escolhendo as horas em que não come nada (ou bem pouco) e as horas em que fica livre para se alimentar. “É possível até reeducar o paladar, inserindo mais frutas e verduras no dia-a-dia, e reduzindo os de origem animal. Só não pode é ficar 100% sem comida”, diz Fátima Nunes.
Para a nutricionista Fátimas Nune, jejuar é uma prática que necessita de método
O Jejum Intermitente também envolve metodologia. Os mais comuns envolvem jejuns diários de 16 horas, ou de 24 horas duas vezes por semana. Um dos mais praticados é o “coma-pare-come”, que consiste num jejum de 24 horas feito uma ou duas vezes por semana. Por exemplo: quem almoça às 11h30, só vai almoçar de novo às 11h30 do dia seguinte. Pode ser qualquer refeição do dia, desde que se passem 24 horas. Para acompanhar o período, só água, café, chá e bebidas não calóricas em geral. Nada de alimentos sólidos.

Outro método de Jejum Intermitente é o 16/8, que permite um período de alimentação durante oito horas, e de jejum durante 16 horas. Dentro das horas de alimentação, é permitido fazer duas ou três refeições. Pode ser a opção mais acessível para quem não deseja se privar totalmente de um dos maiores prazeres fisiológicos.

Sentido espiritual do jejum é vivenciado por várias religiões


O sentido espiritual do jejum é vivenciado há séculos entre  diferentes religiões. Para cristãos,  católicos ou evangélicos, é  renúncia aos prazeres do alimento, homenagem a Deus/Jesus, e solidariedade com os que passam fome. O fiel escolhe a redução das refeições ou a privação total. Segundo o Padre Nunes, o jejum é uma prática bíblica que promove reflexão e libertação – lembrando que a semana Santa começa neste 09 de abril, Domingo de Ramos.

“O jejum alerta sobre o que está te possuindo na vida. Você abdica de algo e prova que tem domínio sobre si mesmo”, explica. Segundo o padre, o Papa Francisco até estendeu o sentido do jejum para outras práticas mais subjetivas. “Pode-se jejuar das práticas ruins, evitando a fofoca, o preconceito. Abster-se disse faz muito bem”, afirma. Para a Sexta-feira Santa também houve mudança: a CNBB determinou que não é mais obrigatória a abstinência de carne vermelha. Pode ser substituída pela privação de algo prazeroso ou uma ação social.

No islamismo o jejum é  um mês por ano, durante o Ramadã, nono mês lunar do calendário islâmico. Em 2017, vai começar no final de maio. “O jejum é uma verdadeira lição de aplicação e força de vontade, pois disciplina o seus desejos. Além disso, desperta a sua solidariedade para os que não têm o que comer, estimula a caridade”, afirma Taufik Muhamad, presidente da Associação Beneficente Muçulmana do RN.

Nos dias de jejum os muçulmanos se abstêm de bebida (água), alimento, fumo e sexo entre o nascer e o pôr do sol. O período de abstinência é utilizado para orar, meditar, e fazer praticas caridosas. “O jejum também leva à arte da adaptação, pois te ensina a enfrentar qualquer situação adversa. É algo que nos ensina a paciência”, analisa. Para jejuar no Islã, homens e mulheres devem estar aptos. Não é algo indicado para idosos, gestantes, doentes e crianças pequenas.

Samuel Max Gabbay, presidente do Centro Israelita do RN, diz que o jejum é um tempo dedicado para se concentrar em Deus. “É uma mitsvá (mandamento) dos profetas jejuar nos dias em que ocorreram desgraças aos nossos antepassados. O objetivo maior é levar os corações a observar os caminhos da teshuvá (arrependimento)”, diz. Mas ele ressalta que não se trata de sofrimento ou masoquismo. “É elevação espiritual. Tanto que pela lei judaica somos proibidos de jejuar se isto causar qualquer risco à saúde”, completa.

O budista Osvaldo Oliveira conta que o jejum era mais presente na Índia antiga, como mortificação e purificação espiritual. A vertente japonesa, no entanto, aboliu a prática. “O budismo é uma filosofia libertadora. Não existe culpa e culpado, tudo é manifestação de causa e efeito. A nossa percepção filosófica é bem diferente das religiões monoteístas”, diz.

Mesmo que para Daniel Rocha o jejum faça parte de uma experimentação alimentar, a conexão espiritual é importante. “Eu não associo espiritualidade à religião. Não tenho religião, mas acredito numa essência divina que se relaciona com o sol, o ar, os alimentos que saem da terra, e o jejum é parte disso, pois são esses elementos que me permitem fazer isso. Jejuar é uma atividade muito espiritual”, conclui.  (Tádzio França)

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