Jorge Bagdêve, do BNB: "Tivemos um recorde de contratação"

Publicação: 2019-12-08 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

À frente da Superintendência do Rio Grande do Norte desde o mês de abril, Bagdeve comemora os números obtidos por uma equipe que caracteriza como "aguerrida". No Estado do Rio Grande do Norte, o Banco do Nordeste detém 10,7% da rede bancária, mas consegue fazer 77,3% de todo o crédito de longo prazo e 78,9% do crédito rural do Estado.

Destacando a busca contínua do BNB na simplificação de processos e normas, em consonância com as políticas de desburocratização do Governo Federal; em tecnologia e na capacitação do pessoal e, não menos importante para ele, nas parcerias com instituições e entidades empresariais, que facilitam o acesso às informações sobre o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, FNE, o superintendente explica porque o Banco tem o recurso adequado, prazos, taxas e condições para alavancar  nossas diversas atividades produtivas. Veja a entrevista.
Créditos: DivulgaçãoO ano de 2019 ainda não encerrou, mas o Banco do Nordeste no RN tem motivos de sobra para comemorá-lo. As contratações de financiamentos diversos bateram recorde no anoO ano de 2019 ainda não encerrou, mas o Banco do Nordeste no RN tem motivos de sobra para comemorá-lo. As contratações de financiamentos diversos bateram recorde no ano

De que forma o senhor analisa a atuação do Banco do Nordeste no Rio Grande do Norte ao longo deste ano? Quais setores demonstraram maior crescimento no volume de financiamentos, por exemplo?

O Banco do Nordeste, ao longo dos anos, vem dando uma contribuição significativa para economia potiguar, apoiando desde o microempreendedor urbano ou rural até os projetos de produção e transmissão de energia limpa centralizada, especialmente eólica. Nós tivemos em 2018 um recorde absoluto de contratações no Estado, com R$ 3,7 bilhões disponibilizados para o setor produtivo e todas as perspectivas indicam que teremos um novo recorde em 2019, o que representa a continuidade do apoio do Banco à economia do Estado nesta quadra desafiadora. Os sinais que temos tido quanto aos resultados deste ano são ainda mais especiais, pois indicam crescimento em todas as atividades econômicas e em todos os segmentos de produtores, tendo contratado R$ 3,5 bilhões até outubro de 2019.

Quais as perspectivas para 2020? Quanto o BNB destinou ao Estado via FNE e quais setores deverão ser beneficiados?

Nossos parceiros, junto com o Banco, construíram em setembro a nossa proposta estadual de aplicação do FNE para 2020, que prevê a disponibilização de R$ 891 milhões, 4,3% acima dos recursos disponibilizados em 2019, que são R$ 854 milhões. Vale destacar que neste orçamento não estão incluídos os valores contratados com o setor de infraestrutura, outra forte vocação do Estado que continua contando com o apoio do Banco. Somente após atendidas as demandas dos demais setores e, em especial, dos mini e pequenos empreendedores, é que os recursos são disponibilizados para infraestrutura. Vale destacar, por exemplo, que para 2020, devemos envidar todos os esforços - e contamos com o apoio dos parceiros - para fazer chegar, no mínimo, 70% do orçamento do FNE aos mini e pequenos (ou ao segmento MPE). É desafiador e estimulante ao mesmo tempo, pois é muito mais apoio chegando à base da economia. Os recursos do FNE são destinados a todos os empreendedores urbanos (PJ) e rurais (PF e PJ), que desenvolvam uma atividade produtiva. A partir de 2019, também apoiamos as pessoas físicas que queiram implantar sistemas fotovoltaicos de micro e minigeração por meio do FNE Sol, além de estudantes que podem se habilitar ao FIES. Para 2020, por exemplo, no setor rural, buscamos estreitar parcerias para promover as linhas de crédito do Banco do Nordeste e soluções inovadoras junto a mais produtores no interior do Estado. O Agronordeste, programa do Governo Federal e coordenado pela Superintendência do MAPA, e o Prodeter (Programa de Desenvolvimento Territorial do Banco do Nordeste) potencializam essa integração em 11 territórios que contemplam as áreas de atuação desses programas e que, por consequência natural, receberão mais crédito qualificado. Outra iniciativa foi a assinatura do acordo de cooperação entre o Banco do Nordeste e o Sebrae Nacional, no último dia 22 de novembro, em Fortaleza, com o objetivo de fortalecer micro e pequenos empreendedores da área de atuação do BNB. O evento foi transmitido por videoconferência para as superintendências estaduais e, aqui em Natal, contou a presença do diretor superintendente Zeca Melo e seu corpo técnico. Também em 2019, o Banco assinou acordo de cooperação com a CNC (Confederação Nacional do Comércio), replicado em nível estadual com a Fecomércio-RN, que tem como objetivo oferecer produtos de crédito às empresas filiadas.

Em relação ao financiamento de empreendimentos eólicos, como o Rio Grande do Norte se posiciona em relação aos demais Estados atendidos pelo BNB?

O Rio Grande do Norte é um dos Estados com maior potencial e maior volume de recursos disponibilizados para empreendimentos eólicos. Em 2018, foram R$ 2,2 bilhões disponibilizados. Em 2019, até outubro, foram contratados R$ 1,8 bilhão, e temos pleitos em carteira que indicam que novamente superaremos a marca dos R$ 2 bilhões. Em relação aos outros Estados, nossa posição é privilegiada pela vocação natural do Rio Grande do Norte à geração de energia eólica. Mas o Banco está conseguindo suprir a demanda por crédito em toda sua área de atuação.

O banco lançou uma linha específica para a contratação de negócios relacionados à energia solar. Como esse segmento cresceu em 2019 e como deverá se comportar no ano vindouro no Estado?

Essa foi uma das grandes inovações no FNE para 2019, a possibilidade de apoiar a pessoa física na instalação da sua usina de micro ou minigeração de energia solar. Para um Banco focado no apoio ao agente produtivo, passar a atuar com FNE no segmento de pessoa física foi um desafio abraçado por todas as equipes do Estado, com o processo simplificado de instrução e decisão  em nível da própria agência. Esses financiamentos têm um valor médio de R$ 25 mil e, até outubro, contratamos quase R$ 5 milhões com o programa. Temos em carteira mais de R$ 2 milhões que podem ser contratados ainda esse ano. A expectativa para 2020 é continuar crescendo, inclusive junto aos produtores rurais, que podem instalar usinas tanto para seu empreendimento, quanto para sua residência. Acrescentando pessoas jurídicas, desde 2016 o FNE Sol já contratou mais de R$ 40 milhões em projetos no RN.

O BNB promove o micro e pequeno empresário com a entrega anual de prêmios. Do ponto de vista do banco, por que esse tipo de atitude é importante?

O apoio às micro e pequenas empresas é um dos focos prioritários. Em 2019, queremos superar a marca recorde de R$ 300 milhões ao segmento, que tanto contribui para a geração de emprego e renda na região. Todos os anos, temos conseguido apoiar mais de 2.000 empresas, muitas delas com histórias inspiradoras que precisam ser conhecidas, reconhecidas e compartilhadas, para que tenhamos um ambiente cada vez mais estimulante ao empreendedorismo. Quem pode estar conosco na entrega do Prêmio MPE saiu de lá energizado e motivado a continuar acreditando no desenvolvimento da nossa região. Esse é o objetivo de iniciativas como essa, além de darmos boa visibilidade aos empreendedores premiados, estimulando a que outras MPEs acessem os créditos disponíveis para investimentos e capital de giro.

Como está a inadimplência do cliente no RN junto ao Banco do Nordeste? Como a instituição tem negociado os débitos mais antigos e quais oportunidades estão abertas?

Apesar das dificuldades econômicas que o país vem enfrentando, a nossa inadimplência está controlada. Mesmo segmentos mais afetados, como as MPEs, não têm registrado inadimplências altas, que superem os 5% por exemplo. Temos percebido uma melhoria no grau de profissionalismo dos nossos empreendedores, que têm buscado cada vez mais o apoio de instituições parceiras, capacitação, inovação e desenvolvido resiliência à crise. No nosso programa de microcrédito urbano, o Crediamigo, a inadimplência não chega a 3%. Além disso, as nossas unidades estão abertas e disponíveis para atender aqueles empreendedores que têm enfrentado dificuldades e buscam construir, em conjunto, as melhores soluções para cada caso. Também nessa área, o BNB tem se modernizado e apresentado soluções diferenciadas. Por exemplo, as MPEs têm a possibilidade de renegociar suas dívidas pela Internet. É a Renegociação Digital, disponível para nossos clientes no Internet Banking, inclusive via mobile. Quanto ao setor rural, que vem se recuperando da maior estiagem da história, conclamamos os produtores que ainda não aderiram aos benefícios da Lei 13.340/16, que o façam o mais rápido possível, pois sua vigência acaba agora no final de 2019 e trata-se de uma oportunidade única para liquidar ou reestruturar suas operações, com vencimentos para 2021, inclusive podendo habilitar-se a um novo crédito.

Em relação ao Crediamigo e Agroamigo, quais números merecem destaque no Estado em 2019? Por quais motivos?

O Crediamigo do Banco do Nordeste e o Agroamigo são programas que possibilitam a quase 200 mil famílias potiguares acessarem o crédito que vai apoiar a sustentação e o crescimento dos seus empreendimentos urbanos e rurais, levando emprego, renda e cidadania para essas pessoas. São programas que nos enchem de orgulho e responsabilidade, para que continuem crescendo de forma sustentável e continuada. Somente em 2019, entre janeiro e outubro, foram injetados na economia potiguar R$ 588 milhões em microfinanciamentos, com baixíssima inadimplência e elevado alcance social.

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