Jornal de WM
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Publicado: 01:51:00 - 25/04/2021 Atualizado: 02:04:53 - 25/04/2021
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br 


Passeando pela aldeia
Na gaveta dos papéis desarrumados encontrei cópia de   uma carta de Clóvis Pacheco para Arthur Carvalho. Clóvis, gerente de banco (Banco de Crédito Real), boêmio com doutorado e  mestrados na arte de conversar. Arthur, advogado, jornalista, escritor, imortal da Academia Pernambucana de Letras, também boêmio de alta coturno.  Ambos com passagens marcantes por Natal. Arthur pelos anos de 1940/50, adolescente vindo da Bahia. Clóvis chegando por aqui em 1962.  O mote da carta é uma crônica de Arthur Carvalho falando sobre gente e coisas de Natal e que se emenda com um delicioso e nostálgico passeio de Clóvis por esta aldeia cascudiana que não existe mais. Saudades, só. Leiamos a carta:

“Recife, 26 de dezembro de 2007.
Meu caro Arthur:
Leitor assíduo do estimado amigo, deparei-me com a sua ‘Opinião’ de 1º deste mês, sob o título “Salvos pelo Ary Parreiras” com a citação dos nomes de duas pessoas amigas residentes na bela capital potiguar, Kleber Bezerra e Aécio Augusto Emerenciano.

Ao fazer referência aos amigos, passou-me pela mente, um filme relativo aos primeiros momentos vividos em Natal. Começou quando ali cheguei, em 1962, ficando hospedado no Grande Hotel, na Ribeira, do Major Theodorico Bezerra, sendo ali recepcionado por um senhor dono de uma vasta cabeleira branca, de nome Santana. Conheci então, nas suas idas ao Hotel, essa figura simples e amiga que é o Kleber Bezerra.

Devidamente acomodado, fui levado a Rua dr. Barata, onde no recinto dos escritórios da tradicional firma Galvão Mesquita Ferragens, comecei a tomar as primeiras providências para a instalação de uma agência bancária. Além do sr. Amaro Mesquita, os seus diletos funcionários: José da Penha, Cansanção, Edilson Nobre, foram meus primeiros colaboradores. Os trabalhos cartoriais ficaram a cargo de Alínio Azevedo. Conhecia ainda na dr. Barata o Prof. Ulisses de Gois.

Saindo da dr. Barata, batia um papo com Epifânio Fernandes, e subia a ladeira, passando pela casa do Professor Cascudo e, logo após, Rua Ulisses Caldas (esquina com o antigo prédio da Prefeitura), indo até a outra esquina para entrar na Avenida Rio Branco, passando pelo magazine dos irmãos Nagib/Fuad e pelos estabelecimentos de Alcides Araújo e Reginaldo Teófilo. Logo após, no “Grande Ponto”, conheci o prédio onde seria instalada a agência bancária, em frente do Cine Rex.

Após a escolha da agência referida, fui em busca de um imóvel onde serviria para instalar a minha família, que ficara no Recife. Sempre solícito o José da Penha indiciou um imóvel de n. 1055 na Ângelo Varela, no Tirol, de propriedade de um jovem pintor e, na época servindo ao Governador Aluízio Alves de nome Aécio Augusto Emerenciano, o qual tornou-se um grande amigo.

Instalado na Avenida Rio Branco e na Rua Ângelo Varela, dei início aos trabalhos de conhecer bem a cidade dos Reis Magos. Os primeiros contatos com amigos em torno do Nemésio, da Carne de Sol do Lira e do América. Foi um mundo de conhecimentos que tenho receio de citar, para evitar algumas omissões involuntárias. Havia, na Rua Jundiaí, uma turma que costumava se reunir numa boa boemia, em redor das “Óstias Musicais” do Prof. Grácio Barbalho, em sua casa, até 3 horas: Raimundo Cavalcanti (do Cartório), Ney Aranha Marinho, João Leite, Expedito Amorim, os irmos Hugo e Newton Lima.

 Também era e continuo a ser admirador da praia de Pirangi. Saía de jangada, indo até Búzios, caminho para Pipa, praia outrora selvagem e de propriedade da família Barbalho. Pessoas que faziam sucesso na época, como responsáveis pelos acontecimentos sociais: Jota Epifânio e Paulo Macedo, bem como o competente fotógrafo Jaeci.

Uma das parcerias mais agradáveis que tive em Natal foi com o nosso amigo Woden Madruga, que nos acompanhava na região Norte/Nordeste, quando das instalações e inaugurações da rede bancária, da qual seu criado e amigo administrava.

Muito terei de falar da admiração e amizades que tenho em Natal, mas ficará para outra oportunidade, já que tomei seu precioso tempo, face a lembrança dos nossos queridos amigos KLEBER BEZERRA e AÉCIO AUGUSTO EMERENCIANO.

Abraça-o, cordialmente, o Clóvis. ”


Terceira dose Mestre Florentino Vereda, chegando do Jalapão, aproveitou o feriado de quarta-feira para uma visita ao compadre Alex Nascimento, que continua resguardado no sobradinho de Lagoa Seca derna que foi atropelado por uma moto doidona que atravessava a rua São João, a que não cruza com a Ipiranga.
O poeta vai bem.  Já tinha tomado, naquele final de tarde, a terceira dose de Old Parr.  A noite, que começava a sombrear, era um prenúncio de causar inveja a Anvisa.

Vaidade Do escritor Manoel Onofre Jr. em seu livro “O desafio das palavras”, lançado no começo do mês:
“É um mal que grassa na vida literária provinciana: a autopromoção. É de pasmar a desfaçatez com que alguns escribas, utilizando-se quase sempre das redes sociais, tecem loas a si mesmos. Os mais sabidos fingem-se de modestos – a vaidade fica nas entrelinhas – outros não hesitam em pavonear-se. Causam dó, mas, também, riso. São boas pessoas, não fazem mal a ninguém, senão a eles próprios. ”

No Sebo Abimael Silva presta uma justíssima homenagem a Gumercindo Saraiva (02/06/1915-20/05/1988), dando o seu nome ao Espaço Cultural que vai montar no andar superior do Sebo Vermelho. Foi naquele sobradinho da Avenida Rio Branco, Cidade Alta, que Gumercindo, das mais importantes referências da cultura potiguar, instalou a sua Casa da Música. O Sebo, que também passa por uma reforma, permanece no térreo, incluindo a calçada de bons papos.

Livros Ontem, o Sebo Vermelho lançou, de uma tacada só, cinco livros: “Cartas de Drummond a Zila Mamede, organizado por Graça Aquino, “Teatro de João Redondo”, de José Bezerra Gomes, “Presença Norte-Riograndense na Alçada Pernambucana”, de Raimundo Nonato da Silva, “O Rio Grande do Norte-Ensaio Chorographico”, de Manoel Dantas, e “Indícios de uma Civilização Antiquíssima”, de José de Azevedo Dantas. Cinco joinhas, sim. 

Passe e Leve Para o lançamento de livros, evitando aglomeração por conta da pandemia, Abimael criou o sistema “Passe e Leve”.  O poeta Volonté gostou do ‘islougue’, mas acrescentou a palavra ‘leia’: “Passe, leve, leia”.


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