Jornal revela diário de copiloto

Publicação: 2016-03-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Reportagem do jornal alemão Bild publicada ontem revelou detalhes do diário pessoal de Andreas Lubitz, o copiloto que, segundo resultados da investigação, derrubou propositalmente o voo da Germanwings nos Alpes franceses, em março de 2015. O jornal afirma ter obtido acesso exclusivo a milhares de páginas do diário que Lubitz mantinha em seu computador pessoal, além de avaliações feitas por médicos do copiloto e outras pistas sobre seu estado mental. O material teria sido recolhido por promotores franceses
DivulgaçãoAcidente em março de 2015 levou Alemanha a mudar sistema de segurança nas cabines de aviãoAcidente em março de 2015 levou Alemanha a mudar sistema de segurança nas cabines de avião

Em setembro de 2008, quando se mudou para Bremen a fim de iniciar treinamento na Lufthansa, Lubitz se queixou de solidão e de problemas para dormir em seu novo apartamento. Após dois meses, ele interrompeu o treinamento em razão de depressão, reclamando também de problemas nos olhos e de que estaria ouvindo ruídos.

"Me submetendo a tratamento psiquiátrico, depressão aguda, sonho de me tornar piloto praticamente acabado", escreveu na época. Em outro registro, Lubitz descreve um sentimento de tristeza: "Vejo como o mundo me deixa de lado [...] pular de um abismo é a única saída."

Após deixar a escola de aviação, um terapeuta avaliou que o copiloto sofria de "forte autocomiseração" e era atormentado por "conflitos internos", mas afirmou não ter notado tendências suicidas.

Após receber tratamento intensivo, que incluía medicamentos, hipnose e exercícios de relaxamento, Lubitz parecia responder bem à terapia. Em meados de 2009, seu médico considerou que ele estava apto a reiniciar seu treinamento.

No diário, o jovem de 21 anos demonstrava maior otimismo, agradecendo o apoio de membros da família e da namorada. No final de 2009, porém, a depressão parece ter retornado. Ele se queixava de "ouvir ruídos, redução da audição e do olfato", além de se sentir apático. "Mal consigo pensar claramente e me preocupo, principalmente, com a falta de esperança em relação à minha situação."

Apesar da recaída, ele continuou o treinamento e conseguiu ser aprovado como copiloto em 2014. Lubitz descreveu aquele ano como "estressante", apesar de conseguir trabalho na Germanwings e se mudar com a namorada para um apartamento em Düsseldorf.

Nos meses que antecederam a queda do avião, ele consultou 41 médicos diferentes, segundo informações dos promotores franceses. Apesar de que muitos deles terem percebido graves problemas psiquiátricos, nenhum alertou a empresa aérea em que Lubitz trabalhava.

Após começar a trabalhar na Germanwings, Lubitz foi afastado do trabalho por razões médicas em diversas ocasiões, inclusive no dia do acidente. Aparentemente, o copiloto teria decidido omitir esse fato dos seus superiores.

Segundo as provas colhidas pelas autoridades francesas, o copiloto se trancou na cabine de comando e colocou avião em uma descida acentuada sobre os Alpes franceses, matando todas as 149 pessoas que levava a bordo, entre passageiros e tripulantes.

O acidente fez com que as autoridades alemãs tomassem medidas para reforçar a segurança das cabines de comando dos aviões e introduzissem testes aleatórios de consumo de drogas e álcool nos pilotos.

As medidas sobre testes aleatórios foram anunciadas no final do ano passado. Um projeto nesse sentido deverá ser apresentado pelo ministério no início de 2016, menos de um ano após a queda do avião da empresa Germanwings, que matou todas as 150 pessoas a bordo. "Especialistas em todo o mundo percebem os benefícios de reforçar a saúde e a segurança na indústria da aviação", afirmou o ministro Alexander Dobrindt, ao jornal Bild am Sonntag. "Acho sensato que pilotos sejam examinados aleatoriamente para verificar o consumo de álcool, drogas e medicamentos", reforçou o ministo.

A investigação concluiu que Lubitz não deveria ter recebido permissão para voar em razão de sua instabilidade mental.


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