Jornal de WM
José Augusto Delgado
Publicado: 00:00:00 - 19/09/2021 Atualizado: 17:51:13 - 18/09/2021
Jornal de WM
Woden Madruga [ woden@tribunadonorte.com.br ]

Começo da noite de segunda-feira, 13, na Igreja do Bom Jesus das Dores, na Ribeira, ocorreu a missa de sétimo dia do falecimento do ministro José Augusto Delgado, concelebrada pelo pároco Francisco de Assis Fernandes Gomes e o padre João Medeiros Filho, que proferiu a homilia onde destaca a brilhante trajetória do ilustre magistrado potiguar, seu confrade na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. José Augusto Delgado tinha 83 anos, aposentado como Ministro do Superior Tribunal de Justiça (2008). Foram quarenta e três anos de magistratura, carreira que começou como juiz de Direito da comarca de São Potengi, em 1965, cujo vigário era o Monsenhor Expedito de Medeiros, “O Profeta das Águas”, citado na bela oração do padre e escritor João Medeiros Filho, da qual transcrevo alguns trechos, começando pelo começo:

- “Seremos julgado pelo amor”, assim sentenciou São João da Cruz, grande místico espanhol do século XVI, sobre o fim de nossa trajetória. Abordar o tema da morte geralmente é doloroso, porque as pessoas a concebem fora da existência. Morrer faz parte do viver. Despender tempo, energia, renunciar a algo, perder, tudo isso indica que a vida é semelhante a uma vela que se consome para produzir luz. Plena desse brilho foi a caminhada do nosso irmão José Augusto Delgado, que permanece em nossa memória. ”

- O nome que recebeu no batismo é simbólico, icônico, usando a expressão da moda. Tem o onomástico do pai adotivo do Salvador do Mundo e esposo de Nossa Senhora. Nosso inesquecível confrade é exemplo de dedicação e probidade. Augusto, pela nobreza do seu caráter, pela consciência da nossa condição de filhos de Deus. Delgado era elegante, fino e delicado no pensar e no proceder. Cônscio da limitação humana, confiava em Deus, em sintonia com o pensamento do apóstolo Paulo: ‘Tudo posso naquele que me fortalece, que é Jesus Cristo”(Fl4,13).

- Só é possível compreender o mistério da morte, sob a ótica e a dimensão da fé. Esta identifica tipos de presença que a corporeidade não alcança, descobre união e proximidade que o espaço sequer imagina. Ela é a marca do divino, atemporal, onipresente e espiritual. Ultrapassa os limites e as amarras, rompe os laços que nos prendem e liberta-nos das prisões. A fé conduz-nos ao amor. E este “é mais forte que a própria morte”, afirma São João (1Jo 3, 14). Porque soube amar, nosso irmão Delgado permanece vivo. E Santo Agostinho conclui: “ninguém ama sem ter fé, nem acredita sem amar”.

- Desde  tempos remotos, já sabia de sua riqueza interior, como jurista, homem probo e de fé no Deus da Paz e da Justiça. Eu era um jovem e inexperiente padre, pároco em Caicó, em 1965. Ali recebi a visita do saudoso Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros, que um dia me batizou na matriz de Jucurutu. Comecei a indagar sobre a sua paróquia de São Paulo do Potengi. E ele proferiu palavras, que permanecem vivas em minha memória: “João, acabo de conhecer um magistrado, como define a Bíblia, sábio, honrado, prudente e conciliador, humanista e sobretudo temente a Deus”.

- E “Monsenhor Expedito tinha o faro de nossas almas”, no dizer de Oswaldo Lamartine. Existem pessoas que engrandecem com as academias. Há outras que tornam grandes as academias às quais pertencem. Assim, na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, destaca-se José Augusto Delgado. ”

- Hoje, a seus familiares e amigos, cabe-nos dizer que não nos inquietemos. O amor, apesar de invisível e imprevisível, cria formas e modos diferentes de se manifestar. Pela fé e guardado no tesouro de nossa memória, ele permanecerá vivo, unido e presente. Os discípulos de Jesus não ficaram sem ver Aquele a quem tanto amaram. Ele mostrou-lhes a Sua face. Assim, os que nos precederam na casa do Pai, saberão como nos confortar em nossas angústias e inquietações, pois já encontraram a Paz definitiva. Nosso amigo Delgado pertence agora ao plano divino, alcançável pela força de nossa crença. Meus irmãos, a fé nos consola e fortalece. ”

Festa do Boi Confirmada a realização da Festa do Boi, no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim. Será de forma presencial, entre os dias 13 a 20 de novembro, faltando menos de 2 meses para a sua abertura.  Ótima notícia para agropecuária potiguar.

O evento é uma parceria entre Secretaria de Agricultura e Pecuária do Estado e a ANORC (Associação dos Criadores do Rio Grande do Norte), contando também coma participação de outras associações e de expositores de estados vizinhos. 

Livro
A Editora Sarau das Letras acaba de publicar a segunda edição de “Cartas de Salamanca”, do escritor e editor David de Medeiros Leite. Orelha assinada por Carlos Fialho. 

Na Academia Deu na coluna de Lauro Jardim, jornal O Globo, de quinta-feira, 15:

“Na primeira das cinco eleições (quatro já com datas marcadas) para as próximas vagas na Academia Brasileira de Letras, a que tem Fernanda Montenegro como candidata, a expectativa é de quase unanimidade. Estima-se que Fernanda terá entre 28 e 30 votos possíveis na eleição do dia 4 de novembro. Uma consagração. ”

Notinha de WM: Fernanda concorre à cadeira 17 que era ocupada pelo diplomata, político e escritor Affonso Arinos de Melo Franco. A grande atriz está com 91 anos de juventude. Dica de uma boa leitura: “Prólogo, ato e epílogo”, seu livro de memórias, publicado pela Companhia de Letras em 2019. Natal aparece no seu roteiro teatral.

Chuva
No meio da semana, as chuvas de setembro, costumeiras no litoral, esticaram um pouco e foram bater nos sertões altos do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Na região Oeste teve chuva passando dos 33 milímetros em Rafael Godeiro. No Cariri cearenses chuvas ao redor dos 30 milímetros: Umari e Juazeiro do Norte.  Na Paraíba:  25 em Barra de Santa Fé, 18 em Brejo do Cruz, 10 em Triunfo, 8 em Catolé do Rocha.

A chuva do poeta   Pergunto a Joaquim Cardoso: “Chuva do caju ou da manga?”. O grande poeta responde:

“Como te chamas, pequena chuva inconstante e breve? / Como te chamas, dize, chuva simples e leve? / Teresa? Maria? / Entra, invade a casa, molha o chão, / Molha a mesa e os livros. / Sei de onde vens, sei por onde andaste. / Vens dos subúrbios distantes, dos sítios aromáticos / Onde as mangueiras florescem, onde há cajus e mangabas, / Onde os coqueiros se aprumam no baldes dos viveiros/ E em noites de lua cheia passam rondando os maruins: / Lama viva, espírito do ar noturno do mangue. / Invade a casa, molha o chão, / Muito me agrada a tua companhia, / Por que eu te quero muito bem, doce chuva, / Quer te chames Teresa ou Maria. ”

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