José Vanildo: “Futebol não tem apoio público, mas gera emprego como turismo”

Publicação: 2019-04-14 00:00:00 | Comentários: 0
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O dirigente potiguar esteve na posse do novo presidente da CBF, Rogério Caboclo, e se mostrou admirado com os planos que o dirigente tem para implantar no futebol brasileiro. Na questão dos Estaduais, que devem perder duas datas, ele acredita que os estados que estiverem com número adequador de clubes nas competições locais, não irão sofrer muito para se adequar a nova determinação do calendário. José Vanildo disse ainda que pode pensar numa readequação de tabela ou até do regulamento do Campeonato Potiguar. O presidente também criticou a falta de apoio público ao futebol e destacou que na região, apenas o RN não tem projeto de apoio aos clubes. Confira os principais temas da entrevista.

José Vanildo, Presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol
José Vanildo, Presidente da Federação Norte-rio-grandense de Futebol

Como o presidente classifica essa visita realizada a CBF, para posse de Rogério Caboclo?
Foi um visita importante, Rogério Caboclo é um jovem executivo que já vinha dando um contorno econômico e financeiro a CBF de forma forte e que vinha sendo observada por todos os presidentes das federações estaduais. O estilo dele é voltado ao controle efetivo do funcionamento da CBF em todos os seus níveis. Isso é bom, iremos viver uma nova  fase e também uma nova experiencia dentro do futebol.

Como você define a linha do novo presidente?
Caboclo se mostrou muito efetivo em suas posições, disse que está preocupado com o futuro do futebol, por isso, pretende adotar um modelo diferente de gerir e administrar o futebol nacional.

Quais as principais alterações que estão por vir? Elas como foram vista pelo presidente da FNF?
Me deixaram bem otimista. Acho que a nova gestão irá valorizar aquelas federações mais bem administradas, assim como os próprios clubes também. A gestão nas federações serão avaliadas com critérios efetivos e um controle grande sobre as contas dos filiados. Ele pretende adotar um modelo diferenciado de relações com a própria entidade. Hoje a CBF e as federações promovem muito mais eventos dentro desse novo modelo adotado. Então acredito que chegou o momento de federações e dos clubes reverem os seus conceitos  administrativos e suas relações institucionais com a CBF. Quem não fizer isso correrá o risco de sofrer algumas decepções.

A gente ouviu falar muito na questão dos Estaduais. O que deve ser modificado nessa área dentro dessa nova gestão?
Sempre houve a prioridade dos eventos nacionais sobre os estaduais.  É natural que as entidades federativas que tenham um  grande número de filiados participando de eventos internacionais, bem como das várias competições nacionais como Copa do Brasil, torneios regionais e os estaduais, apresentem alguma complicação no calendário. Mas essa pressão vem de fora, porque a Conmebol está impondo ao futebol brasileiro a necessidade de modificação do calendário. A entidade sul-americana realiza ajustes e numa espécie de efeito dominó, obriga a CBF a fazer ajustes no nosso calendário. Acho que no RN e na maioria dos estados iremos resolver essas questões em relação aos estaduais antecipando um pouco o início dessas competições, bem como com alguns pequenos ajustes. Esse anos, nós sentimos isso na pela devido a evolução do ABC nas campanhas das Copas Nordeste e do Brasil. As adequações que conseguimos realizar, ocorreu graças a decisão de antecipar o início da nossa temporada em 2019.

Mas já existe alguma decisão efetiva?
Ainda não, nós iremos iniciar uma série de debates neste sentido, buscando formas de encontrar alguma alternativa para  conciliar, reconhecer e patrocinar o avanço dos bons clubes filiados em competições, sem tirar de vista aqueles  que não conseguiram evoluir da mesma forma.

Na atual temporada a FNF iniciou as atividades do futebol na segunda semana de janeiro. Em 2020 ela terá de antecipar mais ainda essa data?
É possível que sim, mas também é possível se rever algum modelo diferenciado para o estadual. Vamos estudar como poderemos mudar o critério de jogos com ida e volta ou encontrar um termo alternativo visando reduzir o número de jogos que temos hoje. Mas teremos de analisar tudo com bastante cuidado para não correr o risco de prejudicar e afetar o número mínimo de partidas dos nossos pequenos clubes.

O Futebol do RN, por critério técnico, foi ultrapassado por outras federações nordestinas. Vimos também que representes nordestinos estão na nova diretoria da CBF. Isso significa alguma perda de prestígio do nosso futebol?
Não vejo assim. A federação do RN e de Alagoas estão praticamente empatadas no ranking da CBF. O que houve foi que ABC e América,  diferente do que ocorre em Alagoas, Pernambuco, Maranhão, não possuem um apoio efetivo do poder público. Esses estados vizinhos onde estão sendo registrado algum tipo de crescimento, possui o dedo do Estado financiando o futebol com mídia e marketing, como ocorre na Paraíba. Ela é um exemplo, aqui nós não temos apoio público nenhum. Quando digo isso não estou cobrando as nossas autoridades darem dinheiros aos clubes, que sou contra isso. Mas acho que o estado pode usar o marketing do futebol como o instrumento da divulgação das nossas cidades, nossas potencialidades turísticas. Por que se faz isso nos demais estados nordestinos e é legal? Até quando iremos sofrer com esse esquecimento? Como explicar essa falta de empreendedorismo se o projeto se traduz em retorno nos os outros estados?

Você então considera que o futebol do RN está estagnado e que vem perdendo espaços para outros estados devido essa questão?
Nós estamos sofrendo bem menos que os outros, apesar de toda crise e falta de apoio. Veja a situação do Santa Cruz, Vitória, que não chegaram, nem na fase final dos campeonatos estaduais. As subidas e descidas do RN não é uma questão de aspecto técnico apenas,  o período do América na Série D está sendo muito ruim para os critérios. Tem o ABC que não obteve o acesso para Série B e que terá de tentar esse ano, mas tem uma capacidade de investimento bem melhor do que teve no ano passado. O que eu posso dizer de peito aberto que não é o futebol do RN o culpado pela crise na educação, pela crise da saúde ou da segurança. Não existe dedo do futebol nesses problemas. Aqui existe a ideia de não se apoiar o futebol por que é profissional, mas o que é o turismo? Existe algum amador nesse meio? E não tem um grande volume de incentivo para essa pasta. O futebol igualmente ao turismo gera emprego e renda para centenas de famílias.

Como se encontra a aproximação da FNF com o governo do RN?
Acredito muito na governadora Fátima Bezerra, já mantive alguns contatos preliminares com ela, que gosta de futebol, é torcedora de ir aos estádios acompanhar o seu clube. Até por um dever de respeito, por saber da dificuldade que ela atravessa no momento, ainda não busquei um contato definitivo para tratar dessa questão, mas devo fazer isso na próxima semana. Primeiro vou tratar do projeto para o Juvenal Lamartine, que está numa disputa judicial entre FNF e o governo. Sei da simpatia dela pelo esporte e quero transformar o JL numa escola de futebol para atender a crianças e jovens dos bairros mais populosos. Isso sim é um projeto social, mas construir espigões ali, será o mesmo que virar as costas para as crianças de Mãe Luiza, Passo da Pátria, Rocas, de Brasília Teimosa e da  Zona Norte, que neste caso estariam ganhando o apoio de um centro de formação visando um futuro melhor. Não devemos ceder ao olho grande e pidão da construção civil.

Com relação ao projeto para transformar Natal em sede do Mundial de Futebol sub-17, o presidente conseguiu tratar da questão nessa visita a CBF?
Cheguei a tocar no assunto com Rogério Caboclo, mas sei que o momento festivo não era o ideal para tratar da questão. Por isso devo regressar ao Rio de Janeiro pelos próximos dias com a finalidade de levar o assunto adiante com o novo presidente da CBF. Não houve um aprofundamento da conversa e vou esperar o nosso campeonato terminar para me debruçar sobre esse projeto, já que possuímos um equipamento de primeiro mundo e devemos realizar um bom uso do mesmo, que é a Arena das Dunas. Eu quero discutir ainda a total informatização da FNF para que toda parte financeira e organizacional seja integrada com a CBF, quero facilitar o acesso dos filiados, bem como do cidadão as informações. Minha meta é abrir a federação e estamos nos adequando.

Falamos em Estadual e voltaremos a ele: o campeonato de 2019, ele bateu a meta visada?
Foi um ano diferente, mas tivemos um grande sucesso na disputa com o nivelamento dos nossos clubes. O interessante é que chegamos a última rodada com todos os jogos valendo algo para os clubes. Eu gostei muito da festa da final do segundo turno em Mossoró, onde a campanha do Potiguar resgatou o gosto do futebol na cidade. O clube voltou para Série D, o Globo está de retorno para Copa do Brasil, já ABC e América deverão ter o calendário cheio novamente em 2020, pelo fato de estarem na Copa do Nordeste (o campeão se classifica de forma direta e o vice participará de uma fase classificatória), o Santa Cruz também obteve índice para disputar a Série D novamente, então no geral o resultado foi muito bom.  As dificuldades econômicas são fortes, reconheço, assim como a ausência da TV é um fato que pesa muito, enfraquece a possibilidade de busca de marketing. Apesar de tudo acredito no crescimento, na capacidade do governo com o projeto de educação tributária ajudar o nosso futebol. Eu sou sempre otimista, o campeonato foi bom, muito bem disputado.












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