José Lucena, da CDL Natal: "Existe demanda reprimida em comprar"

Publicação: 2020-09-27 00:00:00
Ricardo Araújo
Editor de Economia

Até o próximo dia 4 de outubro, o consumidor natalense ou aquele de passagem pela cidade terá a chance de fazer mais compras, gastando menos. Iniciada na sexta-feira (25), a 19ª edição da Liquida Natal se adequou ao novo cenário de consumo imposto pela pandemia do novo coronavírus e ocorrerá de forma híbrida: ofertas nas lojas físicas e nas plataformas digitais dos empreendimentos envolvidos nessa que é a segunda melhor campanha de vendas do varejo natalense.

Créditos: Magnus NascimentoO presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), José LucenaO presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Natal (CDL Natal), José Lucena

Neste ano, o  Liquida Natal vai sortear para os consumidores um carro modelo Toyota Etios e 05 televisores 40’. Já os Vendedores serão contemplados com um vale compras no valor de R$ 1.000 reais. A cada R$ 40 em compras, o consumidor ganha um cupom para concorrer aos prêmios. Se pagar na maquineta da Rede ou Pop Credicard ganha cupom em dobro, e se pagar com Mastercard na maquineta da Rede, ganha cupom em triplo. Esse incentivo, conforme a CDL Natal, é para atrair mais clientes às lojas.

As mudanças na mecânica da campanha e na data foram necessárias para atender a nova rotina e perfil do consumidor, destaca o presidente da CDL Natal, José Lucena. “O comércio vem passando por mudanças e nós precisamos acompanhar, nos adaptar, oferecer o que os nossos consumidores buscam e a Liquida está inserida nesse contexto. Hoje, o consumidor compra online e retira na loja, fica menos tempo dentro das lojas físicas, acessa vitrines virtuais, precisávamos oferecer isso na nossa Liquida e assim será”, ressalta.

A troca de cupons será completamente virtual pelo site liquidanatal2020.com.br e pelo aplicativo Nota Potiguar, tudo para evitar aglomerações. Acompanhe abaixo mais novidades sobre o Liquida Natal 2020 na entrevista com José Lucena.

Qual a importância do Liquida Natal para os empresários e economia do Rio Grande do Norte?
O Liquida Natal é a segunda melhor data do varejo na nossa capital, só perdendo para as vendas do período natalino. Neste ano, a gente vai fazer um Liquida Natal diferente: será híbrido. Será um Liquida virtual juntamente com o Liquida físico. Nós, praticamente, ganhamos mais uma loja. Durante a pandemia, nós aprendemos a trabalhar com essa ferramenta do online e existe ainda aquele cliente que não voltou à vida normal. É o cliente que está receoso de voltar ao comércio, de frequentar as lojas. Então, para isso, a maioria das lojas se prepararam e estão fazendo o Liquida virtual. Mas o Liquida Natal físico é muito importante e um chance que nós temos de vender aquela mercadoria que, durante a pandemia, a gente não conseguiu vender. A gente demorou para ter certeza que iria fazer a edição 2020 do Liquida Natal, em razão de não termos certeza se o comércio iria estar aberto em sua plenitude, pois existia aquela polêmica do abre e fecha e do expande e reduz horários. Mas nós conseguimos, graças a Deus e às medidas que o Governo do Estado e a Prefeitura do Natal tomaram, estamos dentro de uma tranquilidade e iremos trabalhar bem o Liquida Natal neste ano.

Com base nos números do ano passado, quanto o senhor acredita que o Liquida Natal poderá aumentar na edição deste ano?
Eu não tenho, ainda, o fechamento do número de lojas que aderiram ao Liquida Natal. Mas, neste ano, nós fizemos uma coisa diferente. Nós baixamos o valor da adesão à liquidação para atrair mais lojas e, com isso, esperamos aumentar o número de lojas participantes do Liquida Natal.

Qual a média dos descontos oferecidos?
Nós não impomos valores ou percentuais de descontos aos lojistas. Mas, a prática está nos dizendo que só vai vender quem realmente der um desconto real e tenha um produto atrativo ao cliente. Nós fizemos vários workshops com os lojistas que já estão participando da campanha, orientando eles a como proceder durante o Liquida Natal. O que não adianta é a gente fazer uma promoção com a metade do bolo como ocorre na Black Friday, por exemplo, porque acredita-se que existe uma demanda reprimida do consumo em razão do longo período da pandemia. A gente está acreditando que este ano será um Liquida Natal muito favorável ao comércio, com muita coisa boa para o consumidor e para o empresário.

O senhor acredita que mesmo funcionando em horário reduzido, o comércio vai conseguir atender à demanda dos consumidores?
Vai sim. E a gente ainda tem uma vantagem: que é o blend entre o físico e o virtual. Porque todos os consumidores também poderão ter acesso ao ambiente de ofertas virtual, acesso às promoções que serão estimuladas pelas lojas no ambiente online. Nós trabalhamos com as vendas online durante a pandemia e percebemos que os lojistas não querem mais deixar essa modalidade, pois esse tipo de venda está agregando ao seu faturamento.

O e-commerce é um caminho sem volta. A pandemia comprovou isso num curto intervalo de tempo. Os lojistas locais estão conscientes da necessidade de mudança em tecnologias e aprimoramento de processos internos para venderem mais?
Sem dúvidas. A pandemia foi uma fase na qual nós turbinamos os processos que existiam nas empresas. Nós tínhamos que vender de alguma forma, e esse processo tinha que funcionar. Nós aprendemos muito com a pandemia e eu acho que esse retorno virá a partir de agora com esse Liquida Natal, pois ofertamos duas opções de compras. A maioria dos lojistas, aqueles que fizeram o dever de casa, vão ter as duas opções de vendas e tanto satisfazer o consumidor que não quer ir para o comércio e o cliente que quer ir para as lojas físicas. Será um Liquida Natal diferente, que dará bons resultados tanto para o consumidor como para o lojista.

O senhor acredita que o elevado número de desempregados pode impactar numa queda no volume das vendas, em razão de uma diminuição na monta em circulação na economia?
Eu acredito que não. Ocorreram demissões? Ocorreram. Mas já estão ocorrendo novas contratações. Muitas empresas já estão contratando. Na semana passada, a Guararapes anunciou que irá contratar aproximadamente 1.400 trabalhadores novos. Então, quer dizer, o mercado é dinâmico e não pára. Hoje, uma empresa está aqui, amanhã está ali. E o trabalhador, também. Existe uma demanda reprimida da população em comprar. Muita gente passou muito tempo dentro de casa, sem ter para onde ir e sem ter com o que gastar. Então, eu acredito que muita gente guardou dinheiro sabendo que o Liquida Natal é nessa faixa entre setembro e outubro e vai haver muita demanda solta com esse novo Liquida. Eu acredito que será uma promoção maior que a do ano passado em razão dessa demanda reprimida e pelo número maior de lojas participantes.

Em relação à Semana Brasil, o senhor acha que terá algum impacto ou são promoções diferentes?
Não haverá impacto. São promoções diferentes e pontuais, porque, na verdade, o Liquida Natal vem sendo trabalhado há mais de um mês. Os lojistas estão se preparando para o evento, pois é uma grande chance de se divulgar a loja e chamar novos clientes para dentro dela, fazendo negócios diferentes.

Quais setores irão dominar na promoção?
Eu acredito muito que vestuário, perfumes, essas coisas, elas como estão com a demanda reprimida, vai ter muito consumo desses tipos de produtos. Mas outros setores, como o de material de construção, está trabalhando mais do que a pleno. O setor de supermercado e farmácias está atuando mais do que pleno. Os setores de perfumes e roupas sofreram com o fechamento das lojas por causa da pandemia.

Para o consumidor, qual o seu conselho para uma melhor escolha e compra durante o Liquida Natal?
O consumidor tem, na palma da mão, um notebook, um smartphone. Com o celular, você tem noção de quanto custa o produto, você consegue pesquisar e saber se ali há um desconto real. E se esse cliente achar o preço bom, ele irá comprar. E o importante disso é que ele estará alimentando a economia local. Eu digo que compre do local, não compre de fora. Porque o local é onde a gente mora, é nossa economia que se desenvolve.

Quais são suas expectativas em relação ao Liquida Natal?
Eu acredito que dará muito certo justamente por causa dos preços que baixamos para o lojista ter acesso ao Liquida Natal e incentivamos a campanha. Hoje, qualquer lojista que pagar a adesão, dividida em 5 parcelas de R$ 30, ou seja, R$ 150, fará parte do projeto. É esse o valor de participação no Liquida Natal. Com esse valor, o lojista dá um gás na sua loja e atrai mais clientes. Neste ano, nós temos a Nota Potiguar como parceira no Liquida Natal, através do Governo do Estado. Sem custo nenhum, o cliente concorre a prêmios. Iremos sortear um Toyota Etios, cinco televisores e vale-compras de R$ 1 mil para os vendedores vencedores. A cada R$ 40 em compras, o cliente terá direito a um cupom. Se pagar com o cartão Mastercard, Pop e cartões da Rede, são cupons em dobro. Todos terão chances de ganhar. 

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