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Rubens Lemos Filho
José Rocha
Publicado: 00:00:00 - 25/02/2022 Atualizado: 21:34:49 - 24/02/2022
Rubens Lemos Filho
rubinholemos@gmail.com

Ao cair da tarde daquela sexta-feira, há mais de uma década, amansávamos nossas lembranças ao som autoral do músico Pedrinho Mendes e a alegria troava ao choque das ondas com as pedras do mar na Ponta do Morcego. A cada verso sonoro de Pedrinho, os olhos do desembargador José Rocha marejavam. 
Adriano Abreu


Havia encontrado, por acaso, o desembargador na Peixada da Comadre onde fora almoçar com o jornalista e cada vez mais inesquecível, João Batista Machadinho, hábito dos mais felizes em toda a minha vida. Machadinho foi embora após entornar sua derradeira dose de pinga.

José Rocha me convidou para sentar à mesa que dividia com amigos, ele pontificando com histórias do seu tempo de deputado estadual e, ênfase incomparável, dos idos de torcedor e presidente de sua paixão não carnal, o América Futebol Clube. 

No calor dos clássicos contra o ABC no auge do assassinado Estádio Machadão, José Rocha duelava com o irmão Bira, anos 1970 em plena efervescência de craques nos dois rivais. 

José Rocha e Bira conseguiam mobilizar uma cidade com 300 mil habitantes pondo no lindo Poema de Concreto, até 50 mil pessoas, como aconteceu em 1976 num choque entre o América com o ex-abecedista Alberi e o ABC de Reinaldo, o artilheiro de origem americana de camisa em preto e branco. 

O América de José Rocha explodira uma bomba midiática em Natal ao anunciar a contratação de Alberi, o Deus Banto do ABC. José Rocha juntava os dois maiores ídolos do Rio Grande do Norte: Alberi e Hélcio Jacaré, o gigante desafiador da lógica pela habilidade acima de dificuldades de movimento. 

O América lutava pelo tricampeonato. Liderado por  Dilermando Machado e José Rocha – com Jussier Santos – a trinca dos maiores presidentes do meu tempo, contra um ABC renovado que voltou a erguer troféu de campeão estadual após o bicampeonato adversário. 

Nos anos 2010, José Rocha mandou entregar uma camisa oficial do América à minha mãe, Isolda Melo Lemos, torcedora fiel do clube, que frequentou na juventude. Foi um gesto que me tocou no desarmamento pela estrada leve da ternura. José Rocha morreu. Domingo, faz um mês que minha mãe partiu. Onde estiverem, seguindo o hino oficial, na torcida eterna serão América.

Avassalador
 Adjetivo enfraquece o argumento, mas é inevitável considerar o ABC, dentro dos limites técnicos do futebol potiguar – um time hoje avassalador, muito superior aos seus concorrentes. 

O ABC simplesmente esmagou o Globo, um amontoado lamentável, em nada semelhante ao aguerrido grupo campeão do Rio Grande do Norte em 2021. 

Até mesmo as falhas da defesa diminuíram, com evolução do zagueiro Ícaro, que não é nem metade de Richardson, filho do lateral-direito Tiê dos anos 1980. 

O lateral-esquerdo Felipinho, no golaço que marcou em dribles sequenciais até o toque final matando o goleiro, tem cacoete de meia-armador. É canhoto e sabe driblar, algo raro no estágio pelo qual passa o futebol brasileiro. 

Com esse time, o ABC pode ganhar o campeonato estadual sem atropelos, respeitando, óbvio, a tradição do América, que venceu o primeiro clássico jogando bem melhor. 

O alvinegro está bem servido no meio-campo, com Ítalo e Fábio Lima. Mas é Allan Dias, gladiador com estilo para tocar bonito e finalizar na precisão dos velhos centroavantes, o maior nome do elenco. Na ausência do Mago Wallyson. 

Vasco 
Quem discursa contra a parceria do Vasco com o grupo 777 Partners não é cruzmaltino. O Vasco, há 22 anos, deixou de ser um grande clube para se tornar um Olaria com a heráldica do Almirante. Serão 700 milhões de reais, grana altíssima, para pagar velhos papagaios e contratar jogadores melhores. 

A favor 
A torcida está a favor, enquanto opositores atuais que enterraram o Vasco no passado, tentam aparecer, ameaçando ir à Justiça. Se esse acordo não sair, com 70 milhões logo de sinal, o Vasco não será mais visto nem em campeonato carioca. Será dissolvido. 

Câncer 
O Projeto de Lei 4503/21 assegura a pontuação obtida em rankings nacionais aos atletas licenciados para tratamento de câncer e de patologias que exigirem um longo afastamento. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados.

Pontuação 
Pelo texto, a pontuação dos atletas será mantida pelas confederações desportivas nacionais por até sete anos, contados a partir da data do diagnóstico conclusivo. Em caso de eventual descumprimento, as entidades infratoras ficarão proibidas de receber recursos públicos oriundos do Tesouro Nacional também por sete anos.

Injustiça 
A autora da proposta, deputada Celina Leão (PP-DF), cita o caso de uma atleta brasiliense ao defender a aprovação do projeto. “Diagnosticada com câncer de mama após 11 anos ininterruptos no esporte, a jogadora de vôlei de praia Fabiola Constâncio, do Distrito Federal, teve sua pontuação zerada no ranking pela Confederação Brasileira de Vôlei (CBV)”, lamentou a parlamentar.

Responsabilidade 
Segundo ela, outros profissionais acometidos por doenças que exigem o afastamento do trabalho, ao retornarem não são questionados quanto à sua competência ou responsabilidade.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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