José Rocha: “Eu não sei o que está faltando”

Publicação: 2009-10-04 00:00:00
Cumprindo o seu último ano de mandato à frente do América, o presidente José Rocha disse que essa é a primeira vez que abre mão do cargo no clube. Ele disse que chegou o momento de buscar um nome mais jovem para tocar o clube que está se tornando cada vez mais um barco difícil de se conduzir devido ao cenário nacional e a Lei Pelé, que beneficiou os empresários em detrimento dos clubes. Com conhecimento jurídico o presidente americano salienta que transformar os clubes em empresas não seria uma boa saída e aqueles que ousarem aderir a essa nova determinação estarão fadados ao insucesso. José Rocha também diz ser contra o América construir um estádio, pois considera que o equipamento cedo ou tarde vai acabar se transformando num elefante branco, passando a trazer graves preocupações para o clube. O dirigente disse que a saída encontrada para resolver a situação de um campo para o América mandar seus jogos em 2010, será improvisar um miniestádio no CT de Parnamirim.
Nunca houve ‘desaglutinação’ no América, nosso clube sempre foi muito aglutinado, disse José Rocha
Surpreendeu a queda do América na série B?
Surpreende sim, é lógico. Um time que esteve no G-4 lá em cima com esses mesmos jogadores, apenas com algumas raras exceções, teve uma queda livre. Saiu da briga pela ascensão à divisão de elite para brigar contra o rebaixamento. Isso surpreende muito, não dá para entender. Dizem que futebol tem muito mistério e eu acho que administrar mistério é uma coisa muito difícil.

A diretoria já conseguiu detectar qual mistério levou o clube a cair tanto?
Isso é difícil, se nós tivéssemos detectado seria fácil, o mistério já teria acabado. O que é administrar uma equipe do tamanho do América numa série B? É você cumprir o contrato com os jogadores e isso essa diretoria vem cumprindo. Talvez o América seja um dos cinco clubes do Brasil que esteja com as suas obrigações completamente em dia. No tocante a estrutura nós reformulamos nosso departamento médico, injetamos dinheiro lá, aumentamos o número de médicos, temos uma academia, piscina de tratamento e oferecemos serviços de hotel quatro estrelas nas concentrações no CT. Ainda estávamos nos dando o luxo de concentrar a delegações em hotéis. Não sei o que está faltando, isso é realmente um mistério.

E este elenco não é fraco?
A imprensa do RN, especializada em esporte, canta em verso e prosa que a equipe do América é boa, qualificada e que tem o melhor elenco do Estado. A essa altura eu não acredito mais que nós temos o melhor elenco e que nem ele é qualificado, eu acho até que isso deve ter sido uma propaganda negativa da imprensa [risos] para enganar nós diretores e os próprios atletas. Isso foi o que eu disse aos atletas na última reunião. Com tudo que nós fizemos fica difícil descobrir esse mistério. Mas estivemos reunidos com os atletas, cobramos deles, os jogadores confessaram mea-culpa, assumira toda a responsabilidade pela situação e reconheceram que estão nos devendo. Eles prometeram recuperar a imagem do América e provar o que são dignos dos elogios da imprensa.

Foi quebrado algum tipo de elo de confiança entre a diretoria e o elenco?
Não. Eles sempre foram bem tratado, eu não tenho nenhuma reclamação pontual de nenhum deles. É meio difícil não é. Nós já vamos mudando quatro técnicos, o (Guilherme) Macuglia foi o que nos deu os melhores resultados. Com ele o time estava ganhando e de repente agente recebe a notícia de que havia uma espécie de indisposição entre o treinador e os atletas, indisposição essa que ninguém soube dizer os motivos pontuais desse desentendimento, mas mesmo assim nós concordamos com a troca. Macuglia foi embora, veio o Roberto Fonseca, teve um bom início, nos trouxe uma vitória ou duas, não me lembro mais — o #abre#"Se foi por isso que ele fez, acho que o treinador não teve um procedimento autêntico, um procedimento recomendável"#fecha#América já perdeu tanto que a vitória já nos escapa da memória —. Depois da nova queda tivemos outra reunião com o grupo e dissemos que estávamos para tirar o Fonseca, os atletas pediram para o treinador ficar, não deu certo. Veio o Artur (Neto) fez dois jogos e lá do Rio de Janeiro nos telefona dizendo que não queria mais ficar porque achava que o elenco não estava com disposição suficiente para jogar. Não estava motivado.

E daí por diante, como se desenrolaram os fatos?
Quando o elenco chegou a Natal, nós tivemos uma conversa com o treinador. Perguntamos se a decisão tomada era irreversível, ele disse que tinha de sair mesmo e que os motivos eram aqueles expressados anteriormente. Ele perguntou quanto é que nos devia, já que havíamos passado um adiantamento e nós dissemos que a questão financeira era secundária, mas o informamos que a rescisão contratual só seria efetivada depois que ele dissesse na imprensa e aos atletas o motivo pelo qual estava saindo. Eu não iria me permitir novamente ser criticado pelos torcedores e pela imprensa, que contratei um técnico para dispensar após duas derrotas.

Qual foi a saída encontrada?
Aconselhei Artur a tirar a diretoria da Berlinda, mandando-o dar explicações para imprensa e depois falar pessoalmente com os jogadores. Ele repetiu de viva voz para os jogadores que estava deixando o elenco porque não estava encontrando neles a animação, a motivação, o fato de querer jogar e cumprir com o dever profissional. Ressalvou, afirmando que não eram todos. De minha parte achei bom ele dizer isso porque certamente aqueles que naturalmente se sentirem culpados vestiram a carapuça.

Artur Neto chegou a nominar esses atletas para vocês?
Não nominou, mas generalizou que eu acho que foi pior para o grupo. E quem tiver as suas dúvidas, que passe agora a render o esperado.

Em cima disso, a diretoria pretende tomar algumas medidas?
Não, eu não vou tomar medidas. Quem deve tomar medidas em cima daquilo que o técnico disse são os jogadores. Eu se fosse um #abre#"Os clubes não têm mais funcionalidade e funcionam como uma espécie de barriga de aluguel para os empresários do futebol"#fecha#profissional do América ia tomar medida demonstrando em campo, ganhando. Eu só queria que o Artur Neto tornasse público o motivo oficial de sua demissão. Acho que ele deixou o elenco numa má situação e a nossa medida foi substituir o treinador.

O senhor acreditou mesmo nesse motivo alegado para saída de Artur Neto, uma vez  que logo depois ele foi anunciado como técnico do Atlético/GO?
Eu tenho uma filosofia de vida, faz parte do meu princípio de educação, de formação. Até que me provem o contrário eu acredito naquilo que você está me dizendo, se você está me enganando a culpa é sua. Você me induziu ao engano, ao erro. Não cabia a mim, na hora em que ele estava me dando à versão dele, eu descobrir que eram por outros motivos. Se foi por isso que ele fez, acho que o treinador não teve um procedimento autêntico, um procedimento recomendável.

Normalmente numa situação dessa o América costuma vetar nome de treinadores. Artur Neto ainda tem espaço para trabalhar no clube?
Não posso dizer que não porque isso é futuro e esse, a Deus pertence.

Mas em muitas ocasiões o passado também costuma ser levado muito em consideração?
Eu não tenho veto algum e voltaria a trabalhar com Artur Neto, só que daqui para frente iremos trabalhar de uma maneira diferente com esse profissional, com outras salvaguardas.

Ele não tinha multa por rescisão?
Não, tinha não.

As pessoas que estavam procurando se manter afastada da direção do futebol estão voltando agora. Esse poder de aglutinação só ocorre quando o clube está em perigo?
Nunca houve ‘desaglutinação’ no América, nosso clube sempre foi muito aglutinado. O que é natural quando um clube está ganhando é o clima de festa, mas agora que a gente está precisando dar mais sangue, dar as mãos aqueles que estavam afastados chegaram naturalmente. Isso é uma marca na política do América. Nós nunca deixamos de contar com apoio de todos os conselheiros, em especial daqueles que lutam, que gastam como Alex Padang, Paulinho Freire, Ricardo e Roberto Bezerra, Walmir Nunes, Marcos Meira. Eles sempre tiveram conosco, agora as coisas apareceram com maiores cores por que nós estávamos precisando e a presença de todos está sendo de muita utilidade.

Na situação que o América se encontra fica difícil se falar de eleição?
Aqui no América nenhum assunto é difícil de se conversar, tudo a gente conversa. Nós temos de ter eleições este ano e como eu já anunciei várias vezes eu não vou continuar no cargo. É preciso eleger um novo presidente. Vou continuar ajudando o clube no que for preciso, continuarei sendo aquele tipo de conselheiro atuante, já que sou conselheiro nato e estive na presidência do clube por três vezes, acho que chegou a hora de eu apoiar alguém mais jovem, mais novo, com idéias novas. Enfim alguém novo para tocar esse barco que é muito difícil de navegar com ele.

Se fala muito em sangue novo nos clubes, mas a gente não percebe essa renovação “política”?
A faixa etária que eu chamo de jovens, são pessoas como Alex Padang, Paulo Freire, José Maria Figueiredo e tanto quantos não tão jovens. Um grande presidente para o América agora seria Jussier Santos.

Ele já disse que não quer!
Ele disse que não quer, mas é uma pessoa de boas idéias.

O senhor também já havia dito que não queria antes de assumir?
Não, disse agora. Essa é a primeira vez que digo que não pretendo continuar sendo presidente do América. Eu nunca enjeitei e estou aqui porque houve aquela crise, não apareceram candidatos e vim para não deixar o América sem presidente, tanto é que fui presidente interino antes de assumir de fato.

O senhor se arrepende de ter aceito o cargo?
Não, de maneira alguma! Ao contrário. Ser presidente do América é uma glória tão grande que eu costumo dizer que existem três pessoas importantes no Rio Grande do Norte: o bispo, o governador e o presidente do América. O problema é que como você sabe eu já passei dos meus 70 anos e está na hora agora de eu ficar ajudando dando apenas  conselhos. Mas permanecerei firme nessa luta já que isso daqui eu não deixarei nunca. Deixo à presidência, meu América não! 

Várias pessoas que tiveram cargo diretivo no clube já disseram que não querem a presidência do América. O que afugenta tanto essas pessoas?
Isso é um problema que não atinge apenas o América, o problema atinge a maioria dos grandes clubes do país. Mas como a gente tem de falar do América.. Primeiro houve uma modificação na legislação futebolística do Brasil, anteriormente o presidente do clube tinha os jogadores, contratava os atletas, era ele quem discutia com os jogadores, tinha controle sobre as divisões de base que eram patrimônio do clube, onde costumávamos ganhar o dinheiro com a venda de jogadores. A Lei Pelé acabou com isso, o que ele deu de glória com pés com suas jogadas geniais, fez o inverso com os clubes levando-os a bancarrota. Ou há uma reunião séria com o surgimento de parlamentares para rediscutir essa situação; ou os clubes estão fadados a desaparecer. Os clubes não têm mais funcionalidades e funcionam como uma espécie de barriga de aluguel para os empresários do futebol.

Como assim?
Eu recebo diariamente de grandes empresas do ramo do futebol propostas do tipo: “Olha nós pagamos tanto para o senhor registrar esses jogadores no nome do América, não custa nada ao clube é só questão de registro mesmo”. Ai me faço de tolo e pergunto: porquê isso? Alguns abrem o jogo e explicam: “Por que no momento que se fala que fulaninho de tal é jogador do América, que é ligado a algum clube, fica mais fácil se fazer a negociação na Europa”. Isso é um absurdo, o jogador está saindo do Brasil para o exterior com menos de 21 anos de idade. Deveria existir uma lei para impedir isso, eles não poderiam sair antes de 25 anos.

Mas uma medida dessa não seria anticonstitucional?
Não, não haveria nada de anticonstitucional nisso. Por exemplo, a Constituição diz que um sujeito não pode ser Presidente da República com menos de 35 anos, eu não posso continuar no Tribunal por que completei 70 anos. Essa seria uma medida tomada para que o Brasil pudesse proteger o seu patrimônio futebolístico. Tem um caso no América, de um menino que está na Inglaterra. Esse garoto saiu de Natal com 12 anos de idade, eles não só levaram o menino como os pais, a avó, levaram tudo e nós não tivemos como fazer absolutamente nada porque a Lei Pelé não permite. A única coisa que eu posso botar lá é uma multa, com isso o clube interessado nem discute comigo, paga o acertado na federação e leva quem quiser embora. Então isso é um desestímulo a você ser presidente de um clube hoje, você fica aqui apenas vendo o seu patrimônio ir embora.

E o empresário está tão presente assim no futebol hoje?
Eu não tenho no América nenhum jogador cujo contrato tenha sido discutido entre eu e ele apenas. Tudo foi acertado através do empresário ou um procurador.

Qual é a visão que José Rocha tem do empresário de futebol hoje?
Eu acho que o empresário de futebol, que me perdoe todos os demais empresários, não foi bom para o futebol. Essa figura surgiu com a Lei Pelé, a lei deveria ter dado mais poderes aos clubes não a terceiros. Os contratos são os mais extravagantes possíveis, são leoninos com os clubes. Quer ver um exemplo: nós não contratamos Sandro Hiroshi? Pois é, ficamos uma tarde inteira formalizando o contrato do atleta com dois procuradores e com as cláusulas todas leoninas que o América teve de se submeter para ficar com o jogador. Ele foi cirurgiado nos dois joelhos, não havia arranjado clube fora do Brasil para atuar, então nós fizemos um contrato de risco, com direito a rescisão se por ventura aparecessem os problemas de contusão, mas com o dever de liberar o jogador em caso de proposta do exterior. Nós fizemos isso. Outro caso aconteceu com Fábio Neves, mas alguém deve perguntar: e por que aceitou? Eu aceite porque é regra do jogo e a minha formação não dá para fazer o contrário. Confesso que faço contrariado, isso me contraria de uma maneira forte, choca com a minha formação. É um absurdo! Eu sinto que estou assinando um acordo e ao mesmo tempo acabando com o meu clube.

Esse problema com a Lei Pelé é o responsável pelo América ter apenas o Adalberto como oriundo do RN como titular na equipe?
Claro, ela desestimula os investimentos na base. Se eu fosse renovar o meu mandato faria uma proposta para acabar com o investimento na revelação de jogadores. Seria melhor capitalizar o clube e fazer como os procuradores fazem atualmente, ir buscar jovens revelações nos clubes que ainda trabalham com a formação de atletas. É muito menos dispendioso alugar jogador atualmente. A situação hoje é desestimulante.

Como está a relação dos clubes com a CBF após o rompimento com a Futebol Brasil Associados?
A Associação dava mais felixibilidade, os clubes eram mais bem atendidos. Até porque a instituição era formada para atender a série B. Ano  passado nós recebíamos por mês R$ 100 mil como cota de participação além de algumas outras vantagens. Hoje essa verba gira em torno de R$ 80 mil, são 20 mil a menos. A flexibilidade é que quando estávamos com o caixa apertado, a FBA dava um jeito; hoje não. Isso porque o futebol brasileiro é feito para que os times do Nordeste não prosperem, há um ‘apartheid’ grande. O tratamento que a CBF dá aos clubes do Nordeste é de madrasta.

Marcos Meira Pires previu que a continuar essa disparidade econômica em pouco tempo os clubes do RN não terão como continuar disputando nem a série B, o senhor concorda?
Como a situação está evoluindo acho que isso possa  realmente ocorrer. A minha folha salarial com o futebol é de R$ 400 mil/mês, você vai tirar de onde essa quantia de uma cidade como Natal. Nossos patrocinadores são formados por um grupo de pessoas de casa, com patrocínios pequenos. O RN não tem cultura de querer ajudar o futebol, nós temos uma das maiores distribuidoras de gasolina do Brasil, a ALE, acho que é a terceira ou a quarta e cadê? Ela está patrocinando o Flamengo. Vocês não procuraram? Procuramos sim e ainda mais em conjunto com o ABC que é o nosso principal adversário. Pois bem, não tivemos uma resposta. Segundo eu soube o patrocínio deles com o Flamengo é em torno de R$ 1 milhão, o América já se conformaria com R$ 50 mil e nem isso conseguiu. O Estado está dando uma boa ajuda, a governadora tinha nos prometido mais do que nos deu realmente, mas nós já ficamos satisfeitos, tanto que concedemos a ela um título de sócio-benemérito do América. Até pelo fato dela ser torcedora alvirrubra. No RN nós temos grandes empresas, tem a Riachuelo que é uma das maiores empresas do país e que nós fomos a ela e os seus representantes nos disseram que não investiam nem em futebol, nem em política, nem em religião. Quanto ao futebol acredito, mas quanto a política...

 Funcionando dessa forma dá para pensar num clube transformado em empresa?
O clube é de uma personalidade jurídica de direito privado, nessa categoria ele não possui fins lucrativos e como toda instituição do tipo a sua diretoria não é remunerada. Mas o clube é profissional, o jogador está amparado pelas lei trabalhistas e por tudo no mundo. É um assunto que precisa ser discutido no Congresso Nacional. Particularmente, acho que os clubes ainda estão de portas abertas porque não são empresas, se fossem, todos já teriam decretado falência. A nossa sorte, o nosso escudo é ter essa personalidade jurídica sem fins lucrativos, ser uma sociedade civil e não mercantil. Quer uma prova? O Bahia está se acabando, por que virou empresa. Se isso fosse bom negócio o Corinthians já havia se transformado numa empresa limitada, numa S.A, o Fluminense, São Paulo, Flamengo, todos seguiriam esse rumo.

Mas na Europa esse modelo não dá certo?
Li esses dias que os clubes da Europa sofreram um abalo com a crise. Os três grandes clubes de Portugal estão com a mão na cabeça porque fizeram estádio, eu sou contra um clube ter estádio. Cedo ou tarde o estádio se  transforma num elefante branco. Eu acho que estádio deve ser encarado como programa de governo, assim como são as construções de estradas e de hospitais.

Falando em estádio, o América resolveu onde vai jogar em 2010, após o Machadão ser fechado para demolição?
Já. Nós temos o CT estamos elaborando para fazer um campo de futebol lá capaz de atender as necessidades de uma série B, do Estadual. Vamos melhorar a estrutura que a gente tem lá. O estádio maior posso dizer que estamos em negociações adiantadas com a Prefeitura de Parnamirim. Nós vamos fazer um convênio, o América vai doar o terreno e o prefeito vai construir a estrutura. O projeto para liberação de recursos será encaminhado ao Ministério dos Esportes. A negociação está adiantada.

O conselheiro Paulinho Freire se mostra favorável ao América mandar seus jogos no Frasqueirão a partir de 2010. E o senhor?
Eu não estarei na presidência e não posso achar nada porque essa proposta ainda não foi colocada em votação no conselho, quando for irei me pronunciar.

O ABC e América sem o Machadão poderia ser disputado no Frasqueirão?
Quem tem de se pronunciar oficialmente sobre isso é o novo presidente. Mas já não foi realizado um ABC e América lá recentemente? Quem manda na competição é a Federação ou a CBF, então se a partida for marcada para o estádio do nosso adversário nós teremos de cumprir. Eu tenho de obedecer, nós quando jogamos lá fazemos compulsoriamente, não espontaneamente [risos].

O América já teve seis treinadores em 2009, o que faz o clube mudar tanto treinador?
Não é só o América não, são todos.

Mas o América bateu todos os recordes?
Não sei quantos o adversário teve, outro dia mesmo eu vi que o Bahia mudou de novo de treinador, então isso é uma cultura do Brasil e não do América apenas.

Quer dizer que continua sendo mais prático trocar de treinador a modificar o elenco?
Sim, apesar do treinador hoje trabalhar em equipe. Antes era apenas ele que ia embora, hoje são no mínimo o técnico a mais quatro auxiliares. Ainda assim é mais fácil que modificar um elenco com trinta pessoas, há uma rotatividade muito grande desse tipo de profissional no mercado. Particularmente, eu sou contra tirar técnico, sempre resisti a isso aqui e fui voto vencido porque a administração no América é muito democrática.

O senhor se arrependeu de ter mandado embora algum técnico?
Por mim o Guilherme Macuglia não teria saído, foi o melhor técnico que tivemos nessa temporada, mas fui voto vencido. Aqui existe democracia, presidente  aqui não é aquela pessoa que diz quero, posso e mando. Não, eu tenho de ouvir a minha equipe, isso eu #abre#Não nominou, mas generalizou que eu acho que foi pior para o grupo. E quem tiver as suas dúvidas, que passe agora a render o esperado.”#fecha#sempre coloquei. Todas decisões são tomadas pelos membros da diretoria através do voto e vence a maioria. Macuglia é um homem de bem, homem organizado, trabalhador, direito. Qualquer clube que tiver aquele cidadão estará bem, porque ele parece muito mais um diretor, ele me deu grandes economias, passava quase 24 horas dentro do nosso CT. Foi ele quem nos deu uma gordurinha para queimar nessa série B.

Essa volta de Souza, agora como dirigente, é motivada por quê?
Souza desde menino que está no América, é uma exceção, ele nasceu para o futebol e vai terminar os dias dele no futebol. Nós nunca dispensamos o concurso de Souza que ainda é jogador nosso e tem contrato em vigor com o clube. Nós o convocamos e foi com um prazer enorme que o vimos presente na reunião que a diretoria realizou num restaurante da cidade. Hoje ele é um diretor do clube, é o nosso superintendente vai nos ajudar muito, está entusiasmado, agora ele vai ver como é o outro lado do balcão. Ele e o João Belmont nos darão uma ajuda imprescindível nesse momento. Nós vamos permanecer na série B e no final da competição iremos prestar uma grande homenagem ao nosso Souza.

Muitas pessoas relacionam a queda de rendimento do América a saída de Gilberto de Nadai. Existe alguma relação nisso?
Não, Gilberto esteve pouquíssimo tempo aqui e nos deu uma contribuição boa, ainda hoje tem um grande relacionamento conosco. Ele é quem pediu para sair, segundo ele por questão de foro íntimo e for íntimo ninguém discute.

Para sair da situação na qual se encontra na série B, o América prometeu algo extra aos jogadores?
A premiação foi prometida desde o início, eu só retive duas premiações porque cheguei a conclusão de uma coisa. Quando pagávamos a premiação os jogadores sofriam uma série de derrotas, então eu suspendi o pagamento. Eu não estava trabalhando bem. Agora não, eles nos coloquem em nosso devido lugar e receberão uma premiação.

O senhor detectou algum erro no planejamento do América para 2009?
Eu não sei o que pode ser apontado como erro, por que tudo nós planejamos. Eu estou gastando muito menos com o time em 2008, contratei menos que que na temporada anterior também e segundo os senhores da imprensa eu contratei um time qualificado. Nós fizemos o nosso orçamento e vamos sair da série B com um prejuízo bem menor que no ano passado, então eu não sei qual é o erro. O erro é que futebol é jogo e dizem que os deuses do futebol um dia estão de um lado, outro dia no outro e nós estamos rezando para que ele venha para o nosso lado novamente.

O que levou o América a contratar Francisco Diá como técnico?
Essa era a pergunta que queria que você me fizesse. Eu ouço diariamente colegas seus reclamar da diretoria dos clubes que contratam profissionais de fora em detrimento aos profissionais locais. A culpa sempre é dos diretores e agora o América decidiu ouvir os arautos da verdade, que é a imprensa. Eles que promovem tudo isso com uma sapiência divina pelo que dizem no microfone. Diá é um homem pobre que está aparecendo e que o América está dando uma oportunidade como já fez com muita gente. 

Leia também: