Josivan Cardoso: "Reservatórios não tiveram recarga"

Publicação: 2018-09-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Entrevista: Josivan Cardoso, diretor presidente do Igarn

A possibilidade de seca muda as ações de gestão de água no RN?
É importante destacar que o Estado já tem ações seguindo o princípio da economicidade da água, visando o controle, monitoramento e fiscalização da água que estão acumuladas nos reservatórios estaduais após esse período de inverno, no que se refere ao papel do Igarn enquanto órgão executor da política de recursos hídricos. Portanto, intensificaremos as fiscalizações e controle, principalmente nas regiões onde ocorrem as maiores dificuldades de abastecimento, que são o Alto Oeste e Seridó.

Josivan Barbosa, diretor presidente do Igarn
Josivan Barbosa, diretor presidente do Igarn


Como órgão gestor dos recursos hídricos do Estado, que medidas o Igarn vai adotar diante dessa possibilidade?
Como órgão executor das ações da política de recursos hídricos do Estado, as atitudes já vêm sendo tomadas quando realizamos  a alocação negociada de água com os usuários nas diversas regiões do Estado, já visando enfrentar um cenário de seca que possa ocorrer no próximo ano. Ressaltamos que em algumas localidades a situação é mais complicada, visto que mesmo após o inverno os reservatórios não tiveram recarga, como são os casos de Currais Novos, com o reservatório Dourado, que está seco, Acari, onde o Marechal Dutra (Gargalheiras), também está praticamente seco e Cruzeta, que apesar de ter recebido recarga, já não possui mais água suficiente para o abastecimento da cidade. Para locais como os mencionados o Estado vem realizando o abastecimento emergencial.

Quantas ações estão em andamento para garantir a utilização dos recursos hídricos por parte da população e agropecuaristas?
Em todas as Bacias Hidrográficas do Estado estamos buscando realizar alocações negociadas de água, ou seja, fazendo a gestão junto aos usuários para que eles compreendam quanto nós temos de água e quando aquele recurso hídrico pode ser usado visando garantir a maior quantidade de água pelo maior tempo permissível, reduzindo ao máximo possível o consumo e também na área de gestão do abastecimento com a implantação de rodízios realizados pela CAERN visando a redução do uso e também o planejamento quanto às produções da agropecuária. Para aqueles que possuem área de produção possam planejar bem aquilo que vão trabalhar, sem uma perspectiva de boas chuvas para o próximo ano, não é salutar que se aumente espaços de cultivo, por exemplo.

O inverno já terminou. Como está a situação dos reservatórios neste momento?
Dos 47 reservatórios, com capacidade superior a 5 milhões de metros cúbicos, monitorados pelo Igarn, 9 estão em volume morto e 4 estão secos.

Essa previsão preocupa?
A previsão preocupa, pois não tivemos recuperação total dos reservatórios do Estado. O Igarn estimou, ainda no final de 2017, que se tivéssemos um período de inverno dentro da normalidade no ano de 2018, segaríamos ao final da quadra invernosa com, aproximadamente, 30% do total da capacidade total de reserva hídrica superficial estadual.  No entanto este acumulado não é uniforme, alguns reservatórios, como os já mencionados anteriormente, ainda permanecem secos, outros com pouca reserva. Precisamos manter a sociedade informada para que possamos garantir a manutenção das reservas hídricas por meio da redução do consumo onde é necessário, porque nos precisamos manter os sistemas minimamente funcionando como aconteceu nestes últimos três anos de seca. O Estado desenvolveu ações de controle, monitoramento e fiscalização que propiciaram às cidades, mesmo que na forma de rodízio, manter os sistemas de abastecimento e também manter as áreas de produção. Nos últimos anos quintuplicamos o número de usuários regularizados, a consciência sobre o uso sustentável da água também foi importante com o respeito das pessoas pelos acordos feitos nas reuniões de alocação negociada de água.


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