#JovemPontoCom: Guilherme, criador de universos

Publicação: 2019-01-12 00:00:00 | Comentários: 0
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Vinícius Veloso
Repórter

Quem nunca pensou em escrever histórias e vê-las publicadas em algum lugar e ter reconhecimento de editoras? O jovem escritor Guilherme Macêdo, de 18 anos, vem vivendo essa experiência há alguns meses. O estudante do curso de Multimídia do IFRN, unidade Rocas, possui quatro contos que vão ser publicados em breve por quatro editoras diferentes do Brasil, a partir de concursos que ele concorreu. São histórias de gêneros distintos que contam inúmeras aventuras narradas pelo autor.

Guilherme Macêdo
Guilherme é escritor com apenas 18 anos

Os gêneros que Guilherme mais se identifica são três: terror, fantasia e ficção. “Terror é pelo prazer da escrita. Eu gosto de criar uma situação tensa, em que o conflito vai se intensificando e mexendo com a emoção humana tão forte que é o medo. Ficção é um gênero, que por definição, faz você pensar e me cativa fortemente. E tem o impacto da tecnologia no ser humano. E por último, a fantasia. Você cria as regras do seu universo, brinca na criação”, disse.

O primeiro conto aprovado foi “Um sorriso e um corpo”, que fala dos sete pecados capitais. A história é sobre um missionário religioso que vai a um convento se livrar dos próprios demônios. O segundo é a fábula “Liberdade de marfim”, que tem um teor mais adulto. A obra é inspirada em “Revolução dos Bichos”, de George Orwell. O conto é de um touro que tenta salvar bois da exploração de um fazendeiro. “Vila sem rosto” é o terceiro da lista. Um médico está em um vilarejo no Japão que sofre uma infestação de zumbis e vai atrás de uma cura. O quarto e último conto é “Relógio de pulso”, de um policial que tem poderes especiais e tenta desvendar um crime, em que o bandido também possui poderes. E o foco é no antagonismo entre os personagens.

Mas, toda essa conquista é proveniente de um projeto de pesquisa do IFRN chamado “Sala dos Escritores”, em que dá abertura para os estudantes escreverem, aplicado ao meio que eles quiserem e de diversas formas. “A partir desse curso, eu descobrir que eu gostava não só de consumir cinema, como de escrever também”.

Guilherme busca boa parte de suas referências para os contos no cinema. “O cinema tem escrita, o roteiro é escrita. Eu gosto de assistir filmes de Tarantino e do Nolan. Eles possuem um trabalho bastante autoral, trazem temas interessantes”. Mas se tratando de literatura mesmo, o jovem estuda bastante as obras de Tolkien, G. Martin e Arthur Cavalcante. Recentemente, o professor lançou um livro: Mestre de Guerreiro - Entre a Coroa e a Flecha. “Esse livro é uma inspiração muito forte pra mim. Traz uma mitologia nova que remonta o folclore alagoano, envolve um ambiente medieval com a forma do nordestino falar. Isso me inspira a buscar coisas novas, a criar meu próprio universo”, comentou.

Um dos desafios dessa rotina de escritor para Guilherme é saber com que o gênero lida. “Sou contra criar ideias genéricas, porque se for assim eu desisto do conto. Eu gosto de inovação, combinar elementos que você conhece conscientemente e mesclar com outros para ter a sua. Tarantino é a inspiração fortíssima para isso”, falou fazendo referência ao filme Os Oito Odiados, em que a história dos personagens se passa em uma faroeste que acontece na neve e dentro de uma casa.

A família de Guilherme o incentiva bastante, principalmente na inscrição de concursos e da divulgação dos contos. “Quando a gente é aprovado nesses contos, pagamos uma parcela para depois receber as obras, como foi um atrás do outro, tive que dar um tempo”, disse rindo. Com as publicações,  em breve Guilherme poderá vender os exemplares.

Por outro lado, o jovem escritor tem outras funções, como roteirista de uma websérie e comediante, esta última a mais recente. “Eu me acho engraçado. Sempre ouvi dos meus amigos que deveria fazer comédia. Meu pai conta muitas piadas e eu o vi como incentivo para isso também”, conta.

O interesse em ser comediante começou no final de 2017. “Comecei a ver uns especiais de comédia na Netflix. Conheci Louis C.K, que é meu favorito, além de David Chapelle. Eu assistia, ia pra aula, recontava as piadas aos meus amigos e funcionava muito bem. Então, decidi que queria fazer isso também, e ser escritor”, afirmou.

Então, em julho de 2018 em contato com um amigo empresário, o jovem conseguiu um tempo de cinco minutos para fazer uma apresentação em um espaço que promove shows de stand-up. Ao final do seu ato, Guilherme arrancou palmas da plateia. “Eu nãosoube reagir. Eu torcia muito para que isso acontecesse, na hora eu só abaixei a cabeça para plateia e agradeci, porque eu sabia que tinha chegado lá”.

Depois da primeira vez, o comediante se apresentou em mais duas ocasiões. De acordo com ele, a segunda performance não foi tão boa assim, alguns riram, outros não, e na terceira, ninguém riu. Porém, isso não abalou Guilherme, que disse como se sentiu após ninguém ter rido das suas piadas. “Experiência mais engraçada da minha vida. Pensei que ia ficar frustrado, mas não. Eu vi que a galera estava sorrindo, mas não sabia como reagir”.

Para Guilherme escrever é reescrever. Deve existir muita dedicação, autocrítica, disciplina, e principalmente, leitura e estudo. “Se você gosta do mundo literário, aprenda os elementos que permeiam esse meio com prazer para saber como trabalhar cada aspecto da narrativa. Você tem que sentar e pensar bastante. E ser comediante também não é muito diferente disso”, afirmou. O jovem não enxerga a comédia como algo profissional, mas como entretenimento, diversão e aprendizado.

Guilherme Macêdo
Nome: Guilherme Lima de Macêdo

Data de Nascimento: 02/04/2000

Idade: 18 anos

Naturalidade: Natal/RN

O que faz: escritor, roteirista e comediante

Hobbies: escrever sobre comédia, assistir filmes e séries, vídeos de piada

“Se você gosta do mundo literário, aprenda os elementos que permeiam esse meio com prazer para saber como trabalhar cada aspecto da narrativa”

“Ficção é um gênero que, por definição, faz você pensar e me cativa fortemente. E tem o impacto da tecnologia no ser humano. E por último, a fantasia. Você cria as regras do seu universo, brinca na criação”



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