Jovem potiguar é maioria entre vítimas da violência

Publicação: 2015-01-01 00:00:00
Um dos dados mais preocupantes sobre o índice de homicídios no RN é o da população atingida. Segundo levantamento do Conselho Estadual de Direitos Humanos e Cidadania (Coedhuci), dos 1.686 homicídios registrados no estado até 15 de dezembro,  1.037 eram de jovens até 29 anos. Outros 534 tinham até 21 anos (de acordo com o conselho, os dados gerais são diferentes dos registrados pela Sesed por diferenças metodológicas).

Os índices do Coedhuci mostram também que em 93% dos casos as vítimas são homens. Com relação à cor, 39,7% são pardos e 39,2% são negros.

Para o presidente do conselho de direitos humanos, Marcos Dionísio Medeiros Caldas, os índices refletem apenas o péssimo desempenho dos entes públicos no combate à violência, gerando a sensação de impunidade que retroalimenta o crime.  

“Ao longo dos anos foi se acumulando um padrão alto de impunidade. Há uma sub notificação de inquéritos de homicídios no RN, e isso funcionou como um combustível para que quem tenha seu desafeto queira fazer justiça com as próprias mãos”, afirma Dionísio. “O que aconteceu nos últimos anos e profundamente nos últimos quatro anos foi o abandono de qualquer planejamento de política de segurança”, pontua.

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O presidente do Coedhin classifica o crescimento da violência do RN como uma “guerra civil” que, para ele, só pode ser minimizada ou dirimida com investimentos em uma série de setores.

“O governo que assumir pode fazer um milagre de diárias operacionais e melhoria da polícia, isso pode segurar o problema por um tempo. Mas sem investimento em infraestrutura, além de outras áreas como cultura, lazer, esporte, regularização fundiária vai ser impossível conter a guerra civil que vivemos hoje. É a ausência dessas políticas públicas que garante o desenvolvimento da violência. É essencial ter a prevenção, não apenas ações pontuais”, avalia.

De acordo com ele, é a ausência dessas políticas – voltadas principalmente para os jovens – que facilitam a aproximação da juventude do tráfico de drogas, por exemplo. “Você não reverte a onda de violência apenas com polícia, mas que dê  sobretudo à juventude opções além da violência.”