Jovens entre 20 e 39 anos são maioria dos casos suspeitos de coronavírus no RN

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
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Ícaro Carvalho
Repórter

Jovens entre 20 e 39 anos representam 58% dos casos suspeitos de Covid-19 registrados no Rio Grande do Norte. De acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap-RN), divulgado nesta quarta-feira (25), pessoas nesta faixa etária, em números, somam pelo menos 495 casos dos 839 suspeitos registrados no Estado. O RN tem 14 casos confirmados do novo coronavírus.

Créditos: Adriano AbreuJovens estão mais expostosJovens estão mais expostos


Segundo o boletim, a maior parte das notificações de casos suspeitos para esta faixa etária diz respeito às mulheres, com pelo menos 370 notificações. Essa situação também se repete nos casos confirmados da doença no Estado: dos 14 usuários infectados com o vírus, nove deles estão nesse intervalo de idade, sendo seis mulheres e três homens.

A alta presença de pessoas nessa faixa etária tem ligado o alerta em potiguares ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE. O desenvolvedor de sistemas, Eric Vieira, 31, mora com a esposa enfermeira e o filho de um ano. Morando em Currais Novos, no Seridó e sem casos confirmados, a rotina é de precaução. “Como ela tem contato forte com as pessoas, chega em casa e já vai para o banho. O calçado deixa do lado de fora. Estamos tendo esses cuidados. Não estamos tendo contato com nossos pais, só em urgência e numa distancia de dois metros”, conta.

Já o produtor cultural Ivaney Dantas, 27, tem adotado o isolamento em casa. A quarentena, inclusive, aliado aos fatos de fazer parte do grupo de risco, o proibiu de exercer sua profissão, de DJ. “A última oportunidade que tive de trabalhar, há duas semanas, deixei de ir. Não quis me arriscar em virtude da aglomeração”, disse. Com família morando em Caicó, ele tem evitado ir ao Seridó potiguar para não “levar” nada para os seus pais, ambos com mais de 65 anos e com outras complicações, como diabetes.

Situação parecida é a de Bianca Wainberg, 24, produtora cultural e professora de línguas. Ela também tem se isolado e buscado manter precauções, como não visitar a mãe, que faz parte do grupo de risco e mora numa fazenda na Grande Nata. Os trabalhos seguem suspensos, por hora. Os avós dela, com 90 e 86 anos, preferiram ir para o Rio de Janeiro visando cuidados mais específicos. “Minha mãe mora longe e eu não tenho carro. Eles estão de quarentena na casa da minha tia”, disse. Assim como ela, está Laryssa Aguiar, 25, jornalista, adotando o home office e evitando sair pelo fato de morar com a mãe, 60 anos, e avó, de 90 anos. 

“O grupo de risco são idosos, mas não podemos descartar a possibilidade de que o jovem pode adoecer, se agravar e até passar para eles. Minha preocupação é como ter de cuidar delas se na rua tinha esse risco de estar contaminada”, comenta.

Créditos: CedidaBianca Wainberg, 24,  tem evitado visitar a mãeBianca Wainberg, 24, tem evitado visitar a mãe


Na visão do infectologista Luiz Alberto Marinho, do quadro da Sesap e que vem acompanhando a situação de casos suspeitos e confirmados no Rio Grande do Norte, a presença de jovens em maior quantidade do que a de pessoas de idade mais avançada é pelo fato de que as pessoas mais novas saem mais de casa, se expondo mais e também procurarem os serviços médicos. “Os jovens saem mais do que os idosos e consequentemente estão mais expostos à infecção. Com relação aos idosos, eles têm a mesma chance de infectar se estiverem saindo, se reunindo, participando ativamente da vida”, disse à TRIBUNA DO NORTE. 

“A diferença é que, os jovens ao se infectarem, um percentual muito grande não vai ter doença ou vai ter uma doença benigna, que se resolve em quatro, cinco, seis dias. O que faz é que eles, muitas vezes, nem procurem o serviço médico porque se assemelha a outro estado gripal que todo mundo conhece, porque todo ano nós temos vírus que causam essas doenças que são clinicamente semelhantes”, acrescentou.

Ainda de acordo com o infectologista da Sesap, essa forma clínica “benigna” do vírus nos jovens, em algumas situações, fazem com que o corpo do paciente reaja rápido contra a doença. 

“O jovem se infecta com a mesma facilidade do  idoso. Entretanto, ele tem de 80 a 85% de chance de não adoecer, não tem nada. Ou quando adoecer ter uma forma benigna que não necessita de internamento. Passa dias com os sintomas, mas se recupera. Ou então nem apresenta nada, é o que chamamos de assintomáticos. O idoso ao se infectar, tem uma chance muito maior de ter formas graves, inclusive de ir a óbito”, resume.

Créditos: CedidaEric Vieira, 31, diz que os cuidados estão redobrados em casaEric Vieira, 31, diz que os cuidados estão redobrados em casa


Casos suspeitos de Covid-19 sobem 75% 
O número de casos suspeitos de coronavírus no Rio Grande do Norte registrou aumento de 75% no novo boletim da Secretaria de Estado da Saúde Pública do RN (Sesap). De 478 em 64 cidades, o número saltou para 839 casos suspeitos em 82 municípios potiguares. O número de casos confirmados segue o mesmo: 14. Além disso, outros 104 exames foram descartados para Covid-19. 

Os números constam no novo boletim epidemiológico divulgado pela Sesap no começo da tarde desta quarta (25). Os casos confirmados de coronavírus no Estado estão distribuídos nas cidades de Natal (9), Parnamirim (4) e Mossoró (1). São pacientes que variam entre 20 e 59 anos e a maioria dos casos é do sexo feminino.

Dos 839 casos suspeitos, dois deles são classificados pela Sesap como casos prováveis, que são casos em que a pessoa manteve contato domiciliar com caso confirmado por COVID-19 nos últimos 14 dias e que apresente febre ou pelo menos um sinal ou sintoma respiratório, que pode incluir tosse, dificuldade para respirar, produção de escarro, congestão nasal ou conjuntival, dificuldade para deglutir, dor de garganta, coriza, entre outros sintomas. 

Aliado a isso, 20 desses casos que foram notificados no RN são de pessoas que residem em outros estados, que incluem Roraima, Amazonas, Ceará, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná.  

Para classificar um caso como suspeito, de acordo com o documento da Sesap, é levado em consideração o histórico de viagem recente à área com transmissão, ou seja, viagem ao exterior ou a qualquer outro estado brasileiro com casos da doença. Aliado a isso, a Sesap fala em critérios clínicos e epidemiológicos, que são os mesmos sintomas listados para casos prováveis, e a viagem ou o contato próximo de alguém que viajou para fora do RN recentemente. 

Em se tratando dos casos que ainda permanecem como suspeitos, a Sesap informa que os exames seguem aguardando resultados das amostras que foram enviadas para laboratórios. Para amostras analisadas no Laboratório Central do Rio Grande do Norte (Lacen-RN), o prazo é de até 72 horas. Já para as amostras analisadas no Instituto Evandro Chagas (IEC), o resultado pode levar até 07 dias, a depender do período de transporte das amostras.


Confira a lista de municípios do RN com casos suspeitos: 
Créditos: ReproduçãoMapaMapa













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