Julho: mês em homenagem aos avós

Publicação: 2020-07-03 00:00:00
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Dom Jaime Vieira Rocha
Arcebispo de Natal

Prezados leitores/as
Ao iniciar o mês de julho, primeiro mês do segundo semestre deste ano de 2020, um ano tão conturbado, cheio de preocupações e exigindo tantos cuidados com a saúde devido ao contágio do coronavírus, quero exortar a todos a não esquecer de homenagear os nossos idosos, verdadeiros sábios que nos interpelam sobre o sentido da vida, sobre a trajetória da existência e, sobretudo, sobre a necessidade de nunca esquecer: somente no amor é que conseguimos viver com propósitos, com sabedoria e com aquela força que podemos encontrar nos nossos avós e avôs. 

O nosso olhar contempla, na veneração religiosa e litúrgica, os pais de Nossa Senhora, Sant’Ana e São Joaquim. No dia 26 deste mês, a Igreja faz memória desses santos, tão especiais para Deus e seu plano de salvação, pois foi o casal escolhido por Ele para que concebessem aquela que devia ser escolhida para ser a Mãe do Senhor, Mãe do seu Filho eterno que, por causa do grande amor que nos tem (cf. Ef 2,4), foi enviado ao mundo para nos presentear com a adoção filial e fazer-nos acreditar que o amor explica tudo o que vem da parte de nosso Deus.

Sant’Ana e São Joaquim, avós de Jesus, lembram a todos nós, que não podemos nos deixar levar pela ingratidão com aqueles que manifestam tanto amor: os avós. Eles dão para a família a graça da integração, da memória viva que encanta e deve ser agradecida e venerada, como afirma Papa Francisco: “Uma família que não respeita nem cuida dos seus avós, que são a sua memória viva, é uma família desintegrada; mas uma família que recorda é uma família com futuro” (FRANCISCO. Exortação Apostólica Pós-sinodal Amoris Laetitia, n. 193). É ainda Papa, a nos exortar sobre a necessidade de um bom trabalho pastoral junto e com os idosos: “Quando pensamos nos idosos e falamos deles, ainda mais na dimensão pastoral, devemos aprender a mudar um pouco os tempos verbais. Para os idosos não há apenas o passado, como se para eles houvesse apenas uma existência vivida e um arquivo bolorento. Não. O Senhor pode e quer escrever com eles também novas páginas, páginas de santidade, de serviço, de oração...[...] gostaria de vos dizer que os idosos são ainda o presente e o futuro da Igreja. Sim, eles são também o futuro de uma Igreja que, juntamente com os jovens, profetiza e sonha! Por isso é tão importante que os idosos e os jovens falem uns com os outros” (PAPA FRANCISCO. Discurso aos participantes no Congresso Internacional “A riqueza dos anos”. Vaticano, 31 de janeiro de 2020).

Nestes tempos de pandemia, onde muitos idosos são atingidos pela Covid-19, ainda mais se faz urgente nosso sentimento de cuidado e atenção. Se os idosos são considerados de risco, principalmente a causa de comorbidades, devem eles receber nossa atenção. Uma atenção que nos leve à proximidade, à prática da escuta generosa e paciente. O nosso Deus nunca deixou de estar próximo dos homens e das mulheres. Jamais abandonou seus filhos na velhice. Pelo contrário, a Palavra de Deus nos ensina: “os netos são a coroa dos anciãos, como os pais são a glória dos filhos” (Pr 17,6). E São Paulo exorta: “A um mais velho não repreendas, mas aconselha como a um pai” (1Tm 5,1); e, noutra passagem, reconhecendo a fé da avó de Timóteo, seu colaborador na missão, diz: “Recordo-me também da fé sincera que há em ti, fé que habitou, primeiro, em tua avó Loide e em tua mãe, Eunice, e que certamente habita também em ti” (2Tm 1,5). 

Termino com essas palavras tão iluminadoras de Papa Francisco: “O nosso Deus está próximo e pede-nos que estejamos próximos uns dos outros, que não nos afastemos uns dos outros. E neste momento de crise, devido à pandemia que vivemos, esta proximidade deve tornar-se ainda mais evidente. Talvez não possamos aproximar-nos fisicamente por medo do contágio, mas podemos despertar uma atitude de proximidade entre nós: com a oração, a ajuda e tantos modos de proximidade. E por que motivo devemos estar próximos uns dos outros? Porque o nosso Deus está próximo, quis acompanhar-nos na vida. É o Deus da proximidade. Por isso, não somos pessoas isoladas: estamos próximos, pois a herança que recebemos do Senhor é a proximidade, ou seja, o gesto da proximidade” (PAPA FRANCISCO.  Homilia da Missa do dia 18 de março de 2020. Capela de Santa Marta, Vaticano).