Justiça impede transferência de 116

Publicação: 2017-01-19 03:43:00
Yuno Silva
repórter

A juíza corregedora da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, Maria Nivalda Neco Torquato Lopes, impediu a entrada de 116 presos, dos 230 detentos que seriam transferidos no fim da tarde de ontem para a unidade prisional em Nísia Floresta. Os apenados seriam permutados com outros presídios da Região Metropolitana de Natal. Os 116 presos saíram da Penitenciária Estadual de Parnamirim – PEP, não puderam entrar em Alcaçuz e tiveram que ser acomodados no Presídio Provisório Raimundo Nonato Fernandes, também conhecida como Cadeia Pública de Natal, localizada na zona Norte da cidade.

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Procurada pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE para comentar a decisão, a assessoria da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social – Sesed afirmou desconhecer a informação. No entanto, o diretor do Presídio Provisório confirmou que os 116 presos estariam alojados temporariamente na unidade.

Questionado sobre o destino dos detentos, o diretor da Cadeia Pública de Natal afirmou não poder fornecer a informação. A unidade na zona Norte tem 216 vagas, mas aloja 560 detentos. Com a chegada dos presos transferidos do PEP, a Cadeia passou a abrigar 676 detentos, ou mais que o triplo da lotação. A Cadeia Pública de Natal também está interditada.

A proposta do Governo é deixar a Penitenciária de Alcaçuz ocupada apenas por membros de uma facção, para evitar novos confrontos, e pelo contingente da chamada massa carcerária – formada por presos de menor periculosidade e os que não fazem parte de nenhuma organização criminosa.  Com a permuta, foram transferidos 220 presos de Nísia Floresta para Parnamirim. Esse é o número oficial repassado pela assessoria do Governo. Porém, agentes que participaram da escolta do comboio que saiu da Penitenciária de Alcaçuz às 18h30 desta quarta (18), informaram que esse número era de 209 detentos transferidos.

A notícia da transferência de membros da facção Sindicato do Crime do RN, de Alcaçuz para a Penitenciária Estadual de Parnamirim – PEP, gerou descontentamento e tumulto por parte de familiares que aguardavam por notícias na porta do presídio há quase cinco dias. A preocupação de quem ainda está sem informações do paradeiro dos parentes, é que podem haver mais mortes ainda não contabilizadas.

Familiares desesperados com a aproximação do horário (18h30) marcado para a transferência, sobretudo as esposas, montaram barricada improvisada na rua que dá acesso à Penitenciária de Alcaçuz com pneus, restos de móveis, colchões e pedaços de madeira.

Entre as mulheres que protestaram contra a transferência, está Juliana (nome fictício*), esposa e irmã de detentos internos no pavilhão 1. Ela disse que a situação “é muito ruim, pois não sabemos para onde eles vão agora. O certo era transferir os presos do pavilhão 5, que não são nem daqui do Estado – que voltem de onde vieram”. Para Juliana*, o Governo “quer transferir só uma parte do grupo” e que outra metade que permanecer na maior unidade prisional do RN corre o risco de ser massacrada se houver nova investida de membros do PCC. “Assim não vão acabar com a guerra, ou tira um grupo completo ou o outro”, sentenciou.