Viver
Juventude antenada
Publicado: 00:00:00 - 06/11/2015 Atualizado: 23:54:14 - 05/11/2015
Está cada vez mais comum os jovens adentrarem no mundo da literatura. Com as facilidades e ferramentas da internet essa galera  não procura, nem depende mais, de grandes editoras para publicar e estão criando seus  próprios selos ou produzindo de forma alternativa. É o caso dos escritores e ilustradores Pedro Balduíno e Aureliano Medeiros. O primeiro estará hoje, na Tenda Principal, participando de uma discussão ao lado de Regina Azevedo, falando sobre o tema “Espaço Criativo com os jovens poetas”, a partir das 13h30. E o segundo, estará no Espaço Moacy Cirne, um pouco mais tarde, a partir das 17h30, juntamente com o ator César Ferrario, para um debate literário.
Pedro Balduíno é uma promessa da nova safra de escritores do Estado
Aureliano é um dos “cabeças” da editora Tribo, selo independente criado em 2013 que já produziu 23 fanzines (produções feitas de forma independente e menor custo) e cinco livros. “O crescimento da produção de fanzines e livros em Natal vem da questão de que as pessoas estão vendo que podem fazer por conta própria. Não adianta mais esperar que as coisas veem até você. Sem contar que a zine é uma forma mais barata de produção. Já o crescimento da produção de livros se deu por conta da facilidade de financiar a sua própria produção, graças aos sites de financiamento coletivo”, comentou.

O selo Tribo é conhecido por procurar relação entre as ilustrações e a imagem, uma vez que eles perceberam que isto ajuda a ter um contato melhor com o público, principalmente para ter um diferencial em relação à outras produções. Ou seja, precisa ter um diferencial para adquiri-los. “A gente trabalha muito com a ideia de um livro que a pessoa quer ter em casa. Nós estamos trabalhando não só o livro como algo literário, mas também como um objeto. As pessoas não estão mais presas apenas ao texto, mas também à imagem, principalmente com o advento da internet”, revela Medeiros.

Segundo ele, a produção independente ainda possui dificuldades, principalmente, porque não é um produto de primeira necessidade. Acrescentando que esse tipo de mercado teve um boom nos anos 1980 e agora está voltando a crescer. “É um mercado que ainda precisa ser explorado”, avalia. “Natal tem um bom grupo de ilustradores e que precisa de um incentivo a mais para realizar os seus trabalhos”, finalizou.

Pedro Balduíno não tem Selo mas é conhecido pela produção de fanzines e ilustrações. Recentemente participou de uma campanha em um site de financiamento coletivo para lançar o primeiro livro, intitulado “Os Mongos Estão Levando as Nossas Coisas”. Pedro também concorda com a afirmação de que as produções literárias produzidas por essas banas estão crescendo bastante. “Acredito que, principalmente, artistas que não se submeteram a normatização da opinião de que a cidade não tem futuro nem público para este tipo de publicação. Os muros impostos e construídos por uma imaturidade do consumo de arte em Natal acabam gerando uma motivação muito expressiva na qualidade de trabalhos assim”, relatou.

Balduíno conta que a separação entre a escrita e a imagem é puramente técnica, porém foi no curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que começou a desenvolver mais trabalhos ligados a esses dois meios.

“Não creio em facilidades, nem acredito que as dificuldades sejam listáveis. A gente vai sentindo na pele um monte de obstáculos quando insiste em trabalhar com literatura em ambientes em que muito pouco se lê e muito pouco se consome arte, ou há um consumo imaturo. Mas temos muita gente empolgada, artistas de qualidade e jovens entusiastas, o que, para mim, é um ponto bem positivo sobre a cidade, neste contexto”.

Sobre os ilustradores potiguar, ele comentou que as pessoas estão valorizando os artistas do Rio Grande do Norte tardiamente. “Já tá ficando tarde, inclusive, para que se reconheçam merecidamente os artistas que, de fato, fazem um trabalho de grande qualidade, tanto ilustradores quanto escritores. Como disse, a imaturidade neste contexto, na cidade, não é em relação a produção, e sim, ao consumo”, finalizou.

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