Khrystal lança álbum com registros ao vivo

Publicação: 2020-08-20 00:00:00
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Tádzio França
Repórter

Quem viveu, sabe: Khrystal Saraiva no palco é uma força da natureza. A cantora, compositora e atriz natalense também está passando por seu momento pandêmico de isolamento, e não sabe quando voltará a soltar a voz de novo em shows presenciais. Fato que torna ainda mais bem vinda a chegada deste “Khrystal - 2007 a 2020 ao vivo”, o primeiro álbum de registros ao vivo da artista. O projeto tocado pela produtora Dosol oferece ao público alguns momentos altos da cantora em ação, e também serve de esquenta para seu futuro novo disco de inéditas. O ‘ao vivo’ já está disponível em todas as plataformas digitais.

Créditos: DivulgaçãoA cantora Khrystal apreciou bastante a seleção, o conjunto que as canções formam em um contexto novoA cantora Khrystal apreciou bastante a seleção, o conjunto que as canções formam em um contexto novo



A idéia para o disco ao vivo surgiu em meio a conversas sobre um novo disco de Khrystal, já que ela está compondo bastante durante a pandemia. “Na verdade a existência desse projeto é mais mérito de Anderson Foca do que meu”, afirma a cantora à Tribuna do Norte. Foca, que é um dos diretores do Dosol, conta que durante o bate-papo sobre projetos futuros, fez uma pesquisa de conteúdo da obra de Khrystal e percebeu que ela tinha todo um material ao vivo que permanecia guardado, ainda inexplorado.

O Dosol distribui digitalmente os três primeiros álbuns de Khrystal e durante a pesquisa de conteúdo Anderson Foca descobriu vários takes ao vivo bem gravados de shows que a cantora fez ao longo de 13 anos. Alguns registros de voz e violão ou com uma banda simples, e outros até acompanhada de uma big band. “A partir daí achei curioso fazer uma compilação desse material, para as pessoas sentirem um pouco do poder dela ao vivo, ela tem uma força extra no palco”, diz. Ele fez a proposta e a cantora topou.

Takes sem truques
“Khrystal - 2007 a 2020 ao vivo” traz 12 canções, entre músicas dos três discos da cantora e algumas versões que ela só cantou em shows. No repertório estão “Coisa de preto”, “Não deixa pra amanhã”, “A cara do Brasil”, “Na sombra do juazeiro”, “Filho de Xangô”, “Que belê”, “Bouquet”, “Amarelo, verde e branco”, “Batuque africano”, “Ciranda serena”, “Forroseando”, e “Lamparina acesa”. São músicas que já tinham aparecido em vídeo, mas nunca disponibilizadas em streaming de áudio.

Para Khrystal, músicas como “Na sombra do Juazeiro”, “Filho de Xangô” e “A cara do Brasil” mereciam ir para as plataformas, já que as pessoas que a acompanham já curtiam as versões há bastante tempo e agora vão poder desfrutar dessas músicas de maneira mais completa. A cantora apreciou bastante a seleção, o conjunto que as canções formam em um contexto novo.

“A vibe de uma música que você cantou ao vivo é diferente daquela feita no estúdio. Tem os errinhos, sim, mas tem a beleza da honestidade que no ao vivo ganha força. São takes sem muito truque, versões cruas, sem tanto apuro técnico. É o que é. Gosto muito dessa franqueza”, explica ela, com a franqueza de sempre, sobre o repertório ao vivo.

Assim como todos os artistas desse mundo, Khrystal também não ficou imune aos efeitos do confinamento obrigado pela pandemia. “Os dias oscilam, como a vida. Passei pela fase do pijama 24 horas por dia, pelas tristezas profundas e pela necessidade de resistir”, diz. Mas, para além da tristeza, o momento também lhe inspirou a escrever novas composições. “Desde que isso tudo começou, iniciei uma nova safra de composições e isso tem me feito bem, apesar do mundo lá fora. Muitos parceiros novos e novas possibilidades sonoras estão sendo pensadas. Vem sendo positivo, apesar de tudo”, relata.

Lançar um disco ao vivo num tempo de lives via internet tem o seu ‘quê’ de ironia. Khrystal está participando de várias desde o início da pandemia, e ainda aprendendo durante o processo. “As lives são um tanto sofríveis, a conexão cai, o vídeo congela, o áudio atrasa, mas é o que temos para o momento. Se eu ficar só olhando o lado ruim das coisas vou dar muito espaço pra amargura e ela já tem adeptos demais. Só quero saber do que pode dar certo”, afirma.

Carreira
Na live on-line ou no ao vivo do palco, o jogo de cintura de Khrystal permanece o mesmo. São 20 anos de estrada. A cantora tem o feeling de quem se apresentando em barzinhos, cantando de tudo para todo tipo de público. Seu estilo autoral começou a se solidificar a partir do primeiro disco, “Coisa de Preto”, de 2007, uma exaltação aos cocos e sambas da ancestralidade afro potiguar. Em 2012 veio “Dois Tempos”. No ano seguinte ela ganha projeção nacional com sua participação no The Voica Brasil, cantando “A Carne”. O terceiro disco veio em 2016, “Não deixe pra amanhã o que pode deixar pra lá”.

Em 2015 a cantora recebeu indicação ao Kikito no Festival de Cinema de Gramado/RS como melhor atriz coadjuvante por sua atuação no filme “A Luneta do Tempo”, de Alceu Valença, que integrou o circuito dos festivais nacionais de cinema.  Em 2018, a carreira de Khrystal apresentou uma guinada ainda mais elevada: ela foi aprovada para participar do musical “Elza”, sendo uma das sete cantoras/atrizes que interpreta Elza Soares no palco. A peça foi um sucesso de público e crítica, e em 2019 foi o grande vencedor da sétima edição do Prêmio Bibi Ferreira. A montagem faturou cinco das nove indicações ao prêmio.

Serviço:
Álbum “Khrystal – 2007 a 2020 ao vivo”. Já disponível no Spotify, Deezer, YouTube (canal Dosol), iTunes e Google.