Alex Medeiros
La Grande Dame du Yé-Yé
Publicado: 00:00:00 - 27/11/2021 Atualizado: 00:14:35 - 27/11/2021
Alex Medeiros 
alexmedeiros1959@gmail.com

A cantora, compositora e ícone fashion dos anos dourados da música pop europeia, Françoise Hardy, está morrendo. Prestes a fazer 78 anos, sofre com um câncer linfático diagnosticado há mais de 10 anos, além de ter passado por outro no ouvido. A exposição às radiações do tratamento debilitou tanto sua saúde que ela reivindica seu direito de encerrar a vida com uma eutanásia. Diante da negativa das autoridades, ela declarou que “a França é desumana”.

Divulgação


Em junho passado, na sua última citação na mídia, ela declarou que o sofrimento físico estava tão terrível que já estava até temendo que a morte a obrigasse a mais sofrimento mesmo após “desencarnar” (a artista acredita na existência de alma). Em 2015, Françoise foi hospitalizada às pressas e chegou a entrar em coma. Naquele momento, ela já dissera em entrevista que desejava o direito de uma morte medicamente assistida, uma eutanásia.

Françoise foi um fenômeno de sucesso, beleza e charme nos anos 1960/70, a rainha de uma plêiade de cantoras do movimento yé-yé francês, o equivalente à Jovem Guarda brasileira, que também surfava nas ondas da beatlemania.

Nasceu e cresceu em Paris, filha de uma contadora e um executivo de fábrica, tendo a companhia de uma irmã mais nova e uma avó moralista. Ao concluir o ensino médio aos 16 anos, pede de presente um violão. Queria aprender rock.

Começa a dedilhar sem necessidade de aulas e já rascunha as próprias canções. Um curso de alemão na Sorbonne é suficiente para cumprir o desejo materno da faculdade. Guarda o diploma e mergulha totalmente na música.

Experimenta apresentações em programas de TV, mas não quer ser mais uma adolescente com sonho frustrado. A dois meses de fazer 18 anos procura a gravadora Vogue, que buscava uma voz feminina para o ídolo Johnny Holiday.

O destino começa a traçar seu caminho no rumo do rock ‘n’ roll poucos meses depois da estreia dos Beatles no Cavern Club, em Liverpool, em fevereiro de 1961. No dia 14 de novembro, ela assina o primeiro contrato com a Vogue.

Mas ainda é adolescente, e então vai tomar aulas de canto no programa Petit Conservatoire, do canal estatal RTF, onde é tratada por “Mademoiselle Hardy”, que em 28 de outubro de 1962 se torna um rosto de repercussão nacional.

Estreou com uma canção autoral escrita em inglês, “All the Boys and Girls”, que logo ganha espaço nas rádios do país e dois meses depois já vendia meio milhão de cópias, dobrando em 1963 com onze semanas no topo das vendas.

Seu sucesso atravessa as fronteiras da Europa e seu visual de top model é estampado na mídia dos EUA, Canadá, Japão, Espanha, Holanda, Dinamarca. Algumas músicas passam a ser traduzidas por cantores da Itália e da Espanha.

Foi inevitável o alcance não chegar no chamado “Swiinging London”, o epicentro da explosão do rock britânico. A gata parisiense conhece os caras dos Beatles e dos Rolling Stones, poucos deles não se disseram apaixonados.

David Bailey, o icônico fotógrafo da cena cultural daqueles anos, imortalizado pelo cineasta Antonionni no filme “Blow-Up”, diz até hoje, aos 83, que Françoise foi uma das maiores paixões que ele teve. Não foi correspondido.

Ele faz companhia a John Lennon, Brian Jones, Mick Jagger, Paul McCartney, todos eles encantados com ela, mas ignorados no sentido amor e sexo. Três gênios a quiseram como musa: Salvador Dali, Paco Rabanne e Bob Dylan.

Seu coração e sua cama só foram completamente ocupados em 1981 pelo cantor e compositor Jacques Dutronc, que está ao seu lado até hoje. Dylan disse uma vez que pelo menos fez três músicas inspirado em Françoise Hardy.

O que dizer mais sobre ela? Só que musas acabam virando mitos.

Covid 
Exatamente como no ano passado, a aproximação do inverno na Europa abre caminho para mais uma variante do vírus chinês. Países como Espanha, Bélgica e Portugal já anunciam restrições no acesso de turistas no período.

Pânico 
As redações do mundo reeditando manchetes do início da pandemia, pânico nas mentes e nas bolsas de valores. A conversinha agora é sobre quarta onda e novas variantes. Ninguém arrisca falar na ilusória imunização das vacinas.

Capetania 
A governadora Fátima Bezerra sancionou no último dia 23 uma lei aprovada na Assembleia Legislativa que torna de “utilidade pública” a Associação Capelania Evangélica Saqueando o Inferno (CAESI). Agora o diabo vai ter couro quente.

Felicidade 
Cientistas da Universidade de Princeton, em New Jersey (EUA), concluiram um estudo que estabelece qual seria o valor monetário mínimo que garante a felicidade, baseado na máxima de que dinheiro traz tudo, até amor e felicidade.

Infelizes 
O resultado decreta infelicidade geral no Brasil, pois estabelece que a quantia suficiente para nos fazer um povo feliz é de R$ 34.981,00, o equivalente às castas do serviço público que diariamente expõem sua felicidade nas redes. 

Perseguição 
Hora de alterar a frase famosa do escritor François Andrieux e dizer “ainda há agentes em Berlim”. Para caber na reação sensata e sem politicagem da Interpol ao não atender o ato perseguidor contra o jornalista Allan dos Santos.

Proibida 
O Ministério Público das Filipinas quer proibir a jornalista Maria Ressa, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, de viajar a Noruega para receber a condecoração. Há temor que ela não volte para responder processos judiciais.

Ângelo 
Além de Aluízio Alves e do próprio MDB, outro motivo que trazia Ângelo Fernandes constantemente a Natal era sua rádio, quando ele acumulava as funções de dirigente e mídia, indo pessoalmente às agências de propaganda. 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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