Policia
Lázaro é morto após vinte dias de cerco
Publicado: 00:00:00 - 29/06/2021 Atualizado: 23:59:52 - 28/06/2021
Lázaro Barbosa, de 32 anos, conhecido como "serial killer do DF", morreu após ser capturado pela Polícia Civil de Goiás na manhã de ontem. Segundo a Secretaria de Segurança Pública goiana, ele descarregou uma pistola contra os policiais e houve confronto. Lázaro, que era acusado de matar uma família de quatro pessoas no começo deste mês, foi socorrido com vida e chegou morto ao hospital, ainda conforme a pasta. 

GABRIELA BILó/ESTADÃO CONTEÚDO
Populares registram com celulares a passagem do veículo do Instituto Médico Legal transportando o corpo de Lázaro Barbosa

Populares registram com celulares a passagem do veículo do Instituto Médico Legal transportando o corpo de Lázaro Barbosa


"Como eu disse, era questão de tempo até que a nossa polícia, a mais preparada do País, capturasse o assassino Lázaro Barbosa", escreveu o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), nas redes sociais. "Parabéns para as nossas forças de segurança. Vocês são motivo de muito orgulho para a nossa gente! Goiás não é Disneylândia de bandido", acrescentou Caiado.

O cerco policial para prendê-lo durou 20 dias e as buscas se concentraram na região de Cocalzinho de Goiás (GO), no entorno entre o Distrito Federal e Goiás, onde havia sido visto pela última vez.  A Polícia Militar usou helicópteros, cães farejadores e contou com auxílio da Polícia Federal para capturá-lo. Segundo agentes que acompanham as buscas, Lázaro conhecia bem a área, onde mora sua família, e tinha facilidade para se esconder na mata.

A polícia confirmou que o homem também é investigado pela morte de um caseiro em Girassol, no dia 5 de junho, quatro dias antes do assassinato de uma família em Ceilândia. 

Na terça-feira, 15, Lázaro fez uma pessoa refém em Edilândia (GO), na mesma região de Cocalzinho, e trocou tiros com policiais. Um agente foi atingido, mas ficou bem após socorro médico.

"Foram tiros de raspão, dois tiros, os dois passaram de raspão no rosto. Já foi socorrido e está tranquilo", disse o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, em entrevista na noite de terça-feira. O foragido havia sido visto em propriedades rurais na região do entorno do DF e Goiás.

Uma força-tarefa com cerca de 200 policiais foi montada e tem usado o distrito de Girassol, área rural de Cocalzinho, como base. O secretário de segurança de Goiás disse nesta quinta-feira, 17, que o grupo foi reforçado por 20 agentes da Força Nacional de Segurança.  Um grupo de oração esteve próximo a uma das bases usadas pela polícia na manhã desta quinta-feira, 17, pedindo proteção divina para a vida dos policiais e dos moradores.

Lázaro é acusado de matar, a tiros e facadas, três pessoas na zona rural de Ceilândia no último dia 9 de junho. Os mortos eram Cláudio Vidal de Oliveira, de 48 anos, e os filhos Gustavo Marques Vidal, de 21 anos, e Carlos Eduardo Marques Vidal, de 15 anos.      

O foragido também é apontado como responsável pelo sequestro da mulher de Cláudio, Cleonice Marques de Andrade. O corpo dela foi encontrado no dia 12 à beira de um córrego, próximo da casa onde a família morava.  

Nascido na cidade baiana de Barra do Mendes, a 530 quilômetros de Salvador, Lázaro já respondeu, na cidade natal, a um processo por homicídio quando tinha 20 anos. Em 2011, já em Ceilândia, ele foi condenado por estupro e roubo com emprego de arma. Ele chegou a ser preso em 2018, em Águas Lindas de Goiás, mas fugiu do encarceramento poucos meses depois.

A Ordem dos Advogados do Brasil, seção de Goiás, informou que vai acompanhar a investigação da Polícia Civil para apurar se as circunstâncias da morte do foragido Lázaro Barbosa ocorreram “nos limites da legalidade”. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, Roberto Serra, lamentou que o desfecho tenha sido “espetacularizado” como se a morte de alguém fosse um algo banal.

A OAB informou que, na ausência de informações mais detalhadas a respeito dos procedimentos de captura, se solidariza com as pessoas vitimadas pelo fugitivo, com a população da região que se sentia atemorizada, assim como com os agentes de segurança que participaram das buscas.

No entanto, informou que “lamenta a espetacularização e a celebração da morte, ao alertar que a divulgação de fotos e vídeos de pessoa morta pode configurar-se crime, conforme o artigo 212 do Código Penal, passível de detenção de um a três anos e multa”.

Conforme o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-GO, logo após a informação da morte de Lázaro, passaram a circular vídeos e fotos em redes sociais mostrando o corpo crivado de balas. Vídeos mostraram também que, depois de ser atingido pelos disparos efetuados pelos policiais, Lázaro foi colocado na parte de trás de uma viatura e levado para a base da força-tarefa, montada na Escola Municipal Alto da Boa Vista, em Cocalzinho de Goiás, a cerca de 20 quilômetros.    

Quando ele era retirado da viatura e colocado em uma ambulância do Corpo de Bombeiros, os policiais celebraram aos gritos e palavrões o “alvo abatido”. “O que nós criticamos sempre é a espetacularização de um evento que causou tanto trauma para todos no Estado de Goiás. Qualquer que seja a pessoa, criminoso foragido ou vítima, celebrar a morte de alguém é motivo de lamento”, disse.

Segundo ele, a OAB vai acompanhar o inquérito que deve ser aberto para apurar se a morte de Lázaro decorreu do estrito cumprimento do dever legal, de legítima defesa ou se houve excesso. “A apuração da Polícia Civil é importante, não apenas para aferir os limites da legalidade em que o fato se deu, mas também porque há outros fatos conexos, como uma acusação de estupro que recai sobre o suspeito morto e, também, de eventual ajuda que ele tenha recebido de terceiros durante a fuga”, disse.´

Policiais vão continuar com investigações 
A morte do fugitivo Lázaro Barbosa, na manhã de ontem, não põe fim ao trabalho da Polícia Civil de Goiás, que, a partir de agora, centrará esforços para esclarecer se o acusado de ter cometido múltiplos assassinatos recebeu ajuda para escapar ao cerco dos agentes de segurança por 20 dias.

“As investigações não acabam aqui. Ainda temos algumas pessoas para investigar e prender”, disse a jornalistas o secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda. Segundo ele, a Polícia Civil já está investigando a suspeita de que Lázaro agia como matador de aluguel e contou com o auxílio de pessoas que não queriam que ele fosse preso.

O principal alvo da apuração da suposta ligação de Lázaro com matadores é, de acordo com Miranda, o dono de uma chácara onde o fugitivo chegou a se esconder e obter alimentos, Elmi Caetano Evangelista, preso na última quinta-feira (24).

“O empresário [chacareiro] que está preso é um dos líderes da organização”, disse o secretário, afastando a tese de que Lázaro atuava sozinho. “Mais para frente, quando a investigação estiver finalizada, colocaremos [todas as informações] para vocês. Mas já há uma linha de apuração. Uma das coisas [hipóteses] é de que ele [Lázaro] atuava como jagunço ou segurança para algumas pessoas”, afirmou o secretário estadual, declarando que a suposta "organização" pode estar envolvida com crimes como latrocínio e assassinatos nos quais Lázaro pode ter participação.

Segundo Miranda, Lázaro trocou de roupas várias vezes (“Uma prova de que ele tinha uma rede que o acobertava”) e, ao ser morto, estava com cerca de R$ 4,4 mil no bolso. O que, para o secretário, evidencia não só sua intenção de seguir fugindo, mas também que ele contava com o suporte de outras pessoas. O dinheiro é, certamente, um indicativo de que ele estava querendo sair do estado ou do país. E esta questão dele querer fugir, logicamente com o patrocínio [de terceiros], tinha gente interessada em que ele não fosse preso.

Lázaro foi surpreendido por policiais quando chegava à casa de sua ex-sogra, na zona rural de Águas Lindas (GO), a cerca de 50 quilômetros de Brasília. “Ele foi para encontrar com ela. Nós já estávamos monitorando, tentamos pegá-lo no momento [em que ele se aproximou], mas ele chegou a ameaçar alguns policiais”, contou Miranda, explicando que após ser cercado, Lázaro trocou tiros com os policiais e foi baleado. Sua ex-esposa e sua ex-sogra foram conduzidas para prestar depoimento.

Socorrido com vida, Lázaro foi levado ao Hospital Municipal Bom Jesus, de Águas Lindas de Goiás (GO), mas não resistiu aos ferimentos. Seu corpo já foi transferido para o Instituto Médico Legal (IML) de Goiania, onde será periciado antes de ser liberado para que sua família providencie o enterro.

Lázaro é acusado de assassinar quatro pessoas da mesma família em uma chácara no Distrito Federal. Uma quinta vítima teria sido feita refém em Goiás. Ele ainda é suspeito de balear três pessoas no município de Cocalzinho de Goiás, onde se concentraram as buscas. 

Presidente comemorou nas redes sociais 
O presidente Jair Bolsonaro comemorou, nas redes sociais, a morte do "serial killer do DF" Lázaro Barbosa, que veio a óbito em troca de tiros na manhã desta segunda-feira, 28, após 20 dias de investigação. "CPF cancelado!", comemorou o presidente. Bolsonaro ainda parabenizou os policiais que participaram da investigação: "Parabéns aos heróis da PM-GO por darem fim ao terror praticado pelo marginal Lázaro", e acrescentou que "o Brasil agradece".

Para Bolsonaro, a morte de Lázaro representa "menos um para amedrontar as famílias do bem". "Suas vítimas, sim, não tiveram uma segunda chance", afirmou o presidente.

Após a divulgação da morte de Lázaro, o termo "CPF cancelado" tomou conta das redes sociais. Nesta manhã, a expressão aparece entre os cinco assuntos mais comentados no Twitter no Brasil e ocupa a 19ª posição nos assuntos mais falados no mundo na rede social. A expressão foi divulgada pelo presidente pela primeira vez numa foto tirada em abril durante visita a Manaus.


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