Lagoa do Piató secou há mais de dois meses

Publicação: 2015-02-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Um dos principais pontos turísticos do Vale do Assu desapareceu há dois meses. Os 18 quilômetros de extensão da Lagoa do Piató são, hoje, apenas lama. A lagoa era um afluente naturalmente abastecido pelo Rio Piranhas até a construção da barragem Armando Ribeiro. Na época, um canal foi montado para manter o escoamento. Entretanto, as cheias registradas em 2008 derrubaram parte da estrutura, e a água não chega mais à lagoa.

A alardeada “seca verde” não chegou na região. Na estrada para o Piató, o visitante é recebido pelo lixão do Município de Assú. Tudo é tão seco que, em vez de plantas, o gado rumina papelão – encontrado no meio do entulho de alguma construção.

Presidente da associação comunitária do Piató, Deoclécio Cosmo de Souza, 66 anos, viu a lagoa secar quatro vezes. “A última foi de 17 de novembro de 1999, quando Garibaldi (Alves) mandou limpar o canal. Em 2008, construíram um canal, mas quem conhece o Rio Assú sabe que um canal não segura. Já pedimos para limpar, nós damos a mão de obra, mas nada. Tem hora que a gente esmorece, mas seria pior”, comenta Dequinha. “A lagoa é a mãe da pobreza no Vale do Assú.”

De acordo com ele, 400 famílias de cinco comunidades dependem da pesca na lagoa. Com o fim da Piracema, em março, finda também o seguro-pesca. “A gente trabalhava no tempo que não ia para o colégio. Mas o comércio acabou, agora é só comer e dormir”, lamenta Lucas Pereira, 18 anos.

A falta de água alimenta a pobreza no Vale do Assú. Não há pesca nem agricultura do outro lado do Canal do Pataxó. Na casa de Maria da Conceição da Silva, na comunidade de Itú, todos estão desempregados. A Lagoa da Ponta Grande, também afluente do Piranhas-Açú, está quase seca. “Aqui em casa a gente vive do bolsa família e um leite que vende por R$ 0,95. Água a gente carrega do outro assentamento. A plantação morreu toda”, conta. “O rio que abastecia a lagoa perdeu a força.”

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