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Lampejo de inspiração
Publicado: 00:00:00 - 03/08/2022 Atualizado: 23:25:56 - 02/08/2022
Carlos Alberto Josuá Costa
Engenheiro civil, escritor e membro da Academia Macaibense de Letras

Se tem algo que incomoda a quem escreve é a fuga da inspiração. Não me refiro à “musa”, mas ao dar conformidade e sequência às ideias ou lembranças que vão desfilando em nossa mente e que não ancoram de forma consistente, de modo que possam se traduzir em algo bom para escrever e para ler.

Respeitando a comparação, seria como um vulcão: ora inerte ora em profusão de magma. Assim é com o escritor, com a poetisa ou qualquer outro que anota em seu caderno as emoções sentidas ou imaginadas.

Quando percebo que amigas e amigos escritores “pausam” a publicação de seus textos, faço uma delicada cobrança: ‘nunca mais recebi seus escritos’, ou ainda, ‘que tal voltar a escrever?’ 

“Ando tão sem vontade de escrever ultimamente", foi a mensagem que recebi da escritora/poetisa Ana  Cristina C Tinoco. 

O compromisso com as letras requer disciplina e rotina no escrever. Por isso é importante que, mesmo sem inspiração, esteja com a sua caneta e o seu papel à disposição. Se possível, sempre no mesmo horário, sente-se diante do seu teclado e vá pondo e repondo palavras na tela do computador até que uma frase tome forma. Ela não precisa ser definitiva, mas deverá ser salva para que, mais tarde, possa ser aproveitada.

Cobro, mas sei como isso funciona. “Vamos ver se brota novamente”, complementava a mensagem de Ana Cristina.

Pois bem! Brotou!

Veja que maravilha de inspiração renasceu com a poetisa:

Infinitas possibilidades

“Nascer, viver, morrer
Até não ter mais medo de nada
Morrer todos os dias
Por minutos, segundos, 
Nanofrações
Morrer de emoção 
Contração, contravenção 
Ao fim, e sempre...
a fantástica invenção da vida nos trará de volta para continuarmos a morrer, morrer e morrer
Depois renascer, crescer, subir. Os pés ou a face do Pai beijar.
E, se nada disso observar,  voar, voar, voar. O infinito contemplar. Planar sobre os oceanos, vales, abismos, fossas marítimas abissais.
Ao final... Nada mais. Uma paz profunda, fecunda e inebriante. Brilho de diamante.
A vida se refaz. Sempre, sempre, infinitamente.
Até a perfeição.”

Fiquei deveras feliz com esta retomada. Que seja duradoura. E será!

Ao parabenizá-la, recebi dela uma graciosa responsabilidade: “Você é o padrinho da minha escrita”.

E seguiu embalando poesia:

“Gratidão / Talvez ela acorde / Talvez não / Entrego a Deus / A imaginação / A intuição / A ilusão / Aos sonhos / A melancolia, essa doce agonia que faz jorrar a poesia.”

E reforçou: “A minha inspiração está muito ligada à paixão. Qualquer paixão: pela vida, pela natureza, por alguém. Quando eu me desapaixono, às vezes, também fico inspirada”.

Portanto, caros escritores, escritoras, poetas e poetisas, respeitem seus lapsos de inspiração, mas valorizem muito mais os seus lampejos inspiradores.

Viva a poesia! 

E você, o que anda fazendo com as suas inspirações?

* Artigos publicados com assinatura não traduzem a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor

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