Leilões devem atrair novos investidores do setor de eólicas

Publicação: 2017-06-28 00:00:00 | Comentários: 0
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Yuno Silva
Repórter

Além de ressaltar a necessidade do Governo Federal promover novos leilões para aquisição de energia (novos contratos), sobretudo pelo fato de 2016 ter passado em branco, o 9° Fórum Nacional Eólico, iniciado ontem em Natal, lançou foco no tocante à realização de "leilões de descontratação": iniciativa que deverá propiciar, segundo analistas, a retomada de expansão no setor, ao permitir a saída de proponentes de projetos não instalados e a chegada de novos investidores.

"Como há cobrança de multa contratual para empresas que estão sem capacidade de investir no momento e querem sair do mercado, esses leilões são uma forma de incentivar a descontratação com taxas mais baixas”, explicou Hugo Fonseca, diretor técnico de meio ambiente e sustentabilidade do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), uma das instituições responsáveis pela realização do Fórum.

Fórum nacional sobre energia eólica reuniu diversas autoridades ontem. Encerramento será hoje
Fórum nacional sobre energia eólica reuniu diversas autoridades ontem. Encerramento será hoje

Para Fonseca, é fundamental atrair novos investidores e permitir a instalação de novos parques eólicos, que manter o potencial ocioso. “O déficit que havia de linhas de transmissão foi superado, agora o trabalho é liberar frentes de trabalho que estão paradas. Temos portas para escoar a produção de energia eólica, e precisamos voltar a abri-las com as descontratações”.

A posição de destaque do RN para o contexto eólico nacional também pode ser ilustrada pelo fato de João Câmara ser o município brasileiro com o maior número de aerogeradores instalados, enquanto a vizinha Parazinho aparece em segundo lugar na mesma lista. Outra cidade que merece atenção dentro desse quadro é Macau, onde há planos para instalação de um Pólo de Indústria e Inovação na área de energia eólica.

Escalada
A escalada de autossuficiência elétrica no estado está diretamente relacionada aos investimentos na área de energia renovável. Destaque nacional na produção de eletricidade através de aerogeradores, desde ontem o Estado é palco do 9° Fórum Nacional Eólico. O evento reúne, até essa quarta-feira (28), gestores públicos da área energética representantes dos vários estados do Nordeste e empresas ligadas ao setor. Durante a abertura oficial do Fórum, o governador Robinson Faria ressaltou a posição de liderança do RN: o território potiguar está no topo da lista Brasil, com 3,3 gigawatts (GW) de capacidade instalada nos 125 parques atualmente em operação.

“Temos muito o que comemorar, o futuro depende de uma fonte limpa e renovável de energia; e dos 125 parques, 70 foram instalados desde o início da minha gestão. O RN oferece segurança jurídica, políticas públicas e incentivos para investidores de qualquer parte do mundo. Vento nós temos”, disse Robinson.

De acordo com projeções do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), a expectativa é que o RN atinja a marca de 5 gigawatts (GW) de capacidade instalada em energia eólica nos próximos quatro anos. Já a geração elétrica atual, propriamente dita, das eólicas, flutua entre 1,3 GW e 1,6 GW.

O diretor-presidente do Cerne, Jean-Paul Prates, lembrou que em 2003 o RN não produzia nada em termos de energia elétrica. “Em 2010, considerando a soma das eólicas com as termelétricas, o Estado alcançou a autossuficiência energética; e em 2015 atingiu a autossuficiência eólica. Desde o ano passado o RN passou a produzir o dobro do que consome, e está exportando o excedente”, informou.

Prates abriu o Fórum com homenagem à ex-governadora Wilma de Faria (1945-2017), justificando que ela foi precursora dos investimentos no potencial eólico potiguar. Uma placa comemorativa foi entregue à filha de Wilma, a deputada Márcia Maia. O evento contou com a presença do presidente da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), Sinval Zaidan Gama, e do assessor da diretoria da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) Juarez Castrillon Lopes.

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