Leilão não vende ‘eólica’ e tem desempenho baixo

Publicação: 2016-04-30 00:00:00 | Comentários: 0
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Brasília - O leilão de energia A-5, realizado ontem pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), teve a contratação de usinas que somam 278,5 megawatts (MW) em potência, ou 158,1 megawatts médios em garantia física, o menor nível desde 2009, quando a economia sofria os reflexos de uma das piores crises financeiras globais. O total contratado representa 0,7% do que estava em oferta. Com a recessão econômica e a crise política, analistas esperavam demanda nula ou de no máximo 800 megawatts médios na licitação. Também não houve venda de energia eólica, que respondia pela maior parte da energia habilitada para o leilão. Havia 693 eólicas na disputa, das quais 174 estavam no Rio Grande do Norte e somavam 4.169 MW. Era a segunda maior oferta entre os estados, atrás da Bahia.
DivulgaçãoParque eólico: Contratação de outras fontes acabou priorizadaParque eólico: Contratação de outras fontes acabou priorizada

Para o presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN e do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), Jean-Paul Prates, há duas causas principais por trás do desempenho do setor eólico: “A desaceleração da demanda e uma dinâmica para priorizar Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e usinas de biomassa, que, diante dos preços mais competitivos que as eólicas vinham atingindo nos últimos leilões, estavam encalhadas”.

“Concluímos que foi um resultado planejado. Houve deliberadamente a decisão de deixar as eólicas por último na lista de prioridades de contratação, para priorizar a entrada das PCHs e da biomassa. Isso faz parte de uma política de diversificação e equilíbrio das fontes (de energia)”, disse ele. A infraestrutura para escoar a energia também pode ter influenciado o resultado, afirma.  “O governo (federal) provavelmente diagnosticou que nos últimos leilões só estava dando eólica e a eólica estava com alguns problemas de atrasos de construção de linhas de transmissão, ao passo que PCHs e usinas de biomassa estavam se acumulando e têm conexão garantida porque estão próximas do mercado de consumo”.

O resultado da energia eólica, acrescenta Prates, não sinaliza desistência de investidores, ou problemas relacionados, por exemplo, a mudanças de regras no setor ou de atratividade dos leilões. “É claro que existe certa incerteza em relação a ambiente de negócios diante da crise econômica, gerada principalmente pelo impasse político, mas isso não impediu de se ter mais de 800 projetos habilitados para o leilão. Então significa que existe um pipe line de projetos, ou seja, uma reserva de projetos boa, e que os investidores têm mantido certo grau de interesse”, analisa.

Explicações
O diretor-técnico da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEolica), Sandro Yamamoto, também considera como um das explicações  para o resultado das eólicas no leilão a redução do consumo de energia elétrica. “Somado a isso, as últimas chuvas aumentaram o nível dos reservatórios e também a produção de energia a partir de outras fontes renováveis”, diz. Tais fatos podem ser comprovados com a aplicação da bandeira verde na cobrança da energia.

De acordo com o Coordenador de Gestão de Dados e Estatísticas Setoriais do Cerne, João Agra, ainda há chance para maior participação da fonte eólica no 2º Leilão de Energia de Reserva (A-5), previsto para 28 de outubro. “Será mais competitivo porque terá a participação das empresas que se programaram para concorrer nesse leilão com a adição das empresas que não foram vitoriosas no leilão realizado hoje (ontem)”, diz.

Dos 29 empreendimentos contratados ontem, 20 são pequenas centrais hidrelétricas, sete usinas termelétricas a biomassa e uma usina termelétrica a partir de gás natural em ciclo combinado. Foi contratada também a Usina Hidrelétrica Santa Branca, com potência de 62 MW, que será instalada no Paraná.

O investimento somado deve ficar em R$ 1,9 bilhão, segundo a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica. O volume é significativamente menor que o de leilões anteriores. E desta vez, sem eólicas - esses projetos predominam no Nordeste -, os investimentos estarão no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

*Com informações das Agências Brasil, Estado e do Cerne.

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