Leilões rendem R$ 1,2 mi

Publicação: 2009-10-14 00:00:00
Animais que podem custar mais que um carro zero quilômetro e uma casa própria enchem os olhos e têm servido de combustível para os negócios da 47ª Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes. Nos quatro primeiros dias do evento, foram fechados R$ 1,2 milhão em negócios, só nos leilões. A expectativa é, porém, que a cifra se multiplique e chegue a entre R$ 8 milhões e R$ 10 milhões até o encerramento.

Caprinos e ovinos serão leiloados hoje na Festa do BoiRazões para o otimismo não faltam, segundo a Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (Anorc). Ontem, por exemplo, só o leilão da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores de Cavalos Quarto de Milha (ANQM) deveria movimentar algo em torno de R$ 1 milhão. ``Alguns animais podem superar a marca dos R$ 100 mil´´, disse o diretor de Relações Públicas da Anorc, Marcelo Abdon. Também presidente da Associação Brasileira de Criadores de Caprinos Boer (ABCBoer), ele observou que o III Leilão União Potiguar, único das raças de ovinos Dorper e caprinos Boer, marcado para hoje, é outro que traz boas perspectivas de negócio. ``Deveremos ultrapassar a marca dos R$ 400 mil´´´, estima, acrescentando que em 2008 o leilão gerou um faturamento de R$ 300 mil.

Caprinos e ovinos dessas raças chamam a atenção por serem precoces, ou seja, por poderem ser abatidos com 100 dias, no caso do Boer, e com 90 a 120 dias para o Dorper. Com essas idades, o Dorper está com 15kg a 18kg de carcaça. ``Já tem o nível de maciez adequado para ser consumido´´, diz o vice-presidente da Associação que representa os criadores da raça, Fabrício Gaspar. No caso do Boer abatido nessa fase, o peso atingido é em torno de 25kg. ``O consumo dessa carne só vem aumentando´´.

Greve

Ontem, quinto dia do evento, os servidores do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn) entraram em greve e, segundo o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Indireta, Santino Arruda Silva, deverão manter a paralisação até o próximo domingo.

O Idiarn é responsável, por exemplo, por emitir Guias de Trânsito Animal, as chamadas GTAS, e também pela emissão de guias de transporte de vegetais, necessárias para que pecuaristas e fruticultores possam movimentar seus animais e frutas no estado. O risco é de que, em função da greve, o serviço seja, se não interrompido, pelo menos atrasado. ``Mas nosso objetivo não é prejudicar os empresários. O que queremos é sentar para negociar com o governo´´, frisa Santino.

Segundo ele, o Idiarn conta com 92 servidores. Cerca de 95% deles estão de braços cruzados. A principal reivindicação da categoria é o aumento salarial de R$ 800 para R$ 1 mil, para agentes fiscais (nível médio) e de R$ 1.620 para R$ 2.400 para os profissionais de nível superior, grupo que inclui agrônomos, veterinários e engenheiros florestais. O presidente do Instituto, Romildo Pessoa Júnior confirmou que há dificuldades para conceder reajustes este ano e acrescentou que Estado deverá contar com o reforço de fiscais do Ministério e da Secretaria de Agricultura para minimizar os impactos do movimento.