Leitos emergenciais estão sem data para funcionar

Publicação: 2020-03-26 00:00:00
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Luiz Henrique Gomes
Repórter

Os dois hospitais emergenciais planejados pela Prefeitura de Natal e Governo do Estado durante a crise do novo coronavírus, para aumentar a rede de saúde pública, não possuem data certa para começar a funcionar, apesar dos anúncios das autoridades relativos ao uso do Hotel Parque da Costeira (pelo Município) e do antigo Hospital Papi (pelo Estado). Os casos são particulares, mas em comum as previsões esbarram em dificuldades como complexidade da estrutura, compra de insumos e equipamentos.

Créditos: Magnus NascimentoHospital de campanha no Parque da Costeira, sob a responsabilidade do Município, não tem data para instalação de leitos de UTIHospital de campanha no Parque da Costeira, sob a responsabilidade do Município, não tem data para instalação de leitos de UTI


No município de Natal, o hospital emergencial vai ser montado no antigo Hotel Parque da Costeira, localizado na Via Costeira e fechado por dívidas trabalhistas em novembro do ano passado e desde então sob posse da Justiça do Trabalho. O prefeito Álvaro Dias recebeu a autorização da Justiça no dia 20 para instalar a unidade de emergência para pacientes de Covid-19 no local e agora equipes de diversas secretarias trabalham para adaptar o hotel.

O plano é instalar 100 leitos clínicos para atender os pacientes e 20 Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para os casos graves, informou a Secretaria Municipal de Saúde (SMS). A primeira previsão para abertura dos leitos clínicos é para entre 15 e 20 dias, mas a SMS não descarta mudanças durante a semana. Já os leitos intensivos, que são a maior demanda e colapsam as redes de saúde dos diversos países atingidos pela pandemia, estão sem previsão.

Segundo o secretário-adjunto de logística em Saúde, Otávio Varela, as UTIs demandam uma estrutura mais complexa e compra de mais equipamentos, como os respiradores. "É preciso fazer o isolamento da área, climatização, área de repouso para médicos e uma copa, adquirir insumos e a rouparia adequada", explica. O custo estimado para a instalação dos 20 leitos é de R$ 2 milhões. A prefeitura afirma que esses recursos estão assegurados com o Ministério da Saúde.

Os processos de compra necessários para a instalação dos leitos intensivos não foram iniciados pela Secretaria Municipal de Saúde. A escassez de respiradores no mercado é um problema que a administração pode se deparar para viabilizar os leitos de maneira mais rápida. Essa dificuldade é presente nos hospitais estaduais e privados do Rio Grande do Norte e impede os planos de expansão de leitos como o planejado, conforme mostrou a TRIBUNA DO NORTE nesta quarta-feira, 25.

Para os leitos clínicos, o prazo de 15 a 20 dias estipulado para começar a funcionar é visto como o tempo necessário para dedetizar toda antiga estrutura do hotel, limpar o pavimento onde os leitos serão instalados (2º andar, no nível da Via Costeira), isolar o espaço (área externa, piscina e andares superiores e inferiores), fazer a manutenção hidráulica e da energia e comprar insumos, como camas hospitalares. A mobília do hotel, incluindo os colchões que ficaram no local, não é adequada e está sendo retirada pela prefeitura.

"Essa parte é mais simples porque vamos aproveitar os quartos para instalação dos leitos clínicos. Já existe uma certa estrutura, só precisamos fazer adequações como instalar ar-condicionado, colocar cortinas e as camas", explicou Varela.

Com a previsão divulgada, a prefeitura corre para comprar os equipamentos necessários para os leitos clínicos. Os processos de compra estão abertos na SMS em caráter emergencial para entrega imediata. Agora, os membros da prefeitura entram em contato com fornecedores e discutem qual o melhor preço dos equipamentos e quais seriam entregues mais rápido.

Para Varela, como os leitos clínicos são menos complexos, não vai haver dificuldades nessa primeira fase da instalação. "A gente tendo o básico no início para atender adequadamente esses pacientes vai ser suficiente para começar a atuar", afirmou.

O uso dos outros andares do hotel não é descartado no futuro, mas depende da demanda de pacientes que Natal vai ter durante a crise do coronavírus. Isso implica sobretudo nas despesas de custeio, como os gastos de energia, e na organização das equipes médicas, que vai ser definida nos próximos 15 dias para o atendimento nos leitos clínicos do hospital de urgência.

Sesap ainda não definiu uso do antigo Papi
A Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sesap) ainda não definiu se o prédio e os equipamentos do antigo Hospital Papi, fechado desde 2016, vai ser utilizado para ampliar o atendimento aos pacientes suspeitos e confirmados de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus. De acordo com a pasta, o uso está em análise junto com outras alternativas, que não foram divulgadas.

Créditos: Magnus NascimentoAntigo Papi, anunciado pelo Governo, não foi inspecionadoAntigo Papi, anunciado pelo Governo, não foi inspecionado


O uso da estrutura do Hospital Papi foi anunciado pela governadora Fátima Bezerra na noite do último sábado, 21. "São 150 leitos, que inicialmente ficarão disponíveis por 180 dias, podendo ser renovados. A portaria entra em vigor na terça-feira agora, e no mesmo dia a Sesap começa o inventário do prédio e toma as demais providências pra funcionamento, como limpeza, manutenção, etc", anunciou a governadora nas redes sociais.

A portaria citada foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia seguinte e requisita a cessão do prédio e dos equipamentos com base na Constituição Federal, que permite usar uma propriedade particular "no caso de iminente perigo público". O prazo da requisição é o uso durante seis meses.

Apesar da governadora ter afirmado que a Sesap começaria o inventário do prédio e as demais providências "no mesmo dia" da publicação da portaria, o Estado não realizou inspeção técnica no local até esta quarta-feira, 25, de acordo com a Secretaria de Estado de Infraestrutura (SIN), responsável pela atividade.

Através da assessoria de comunicação, a SIN informou que está se reunindo com a Saúde para "uma ação maior que inclui o prédio do Papi. Nos próximos dias sairá uma determinação quanto a isso e será amplamente divulgado. Portanto, mediante isso, ainda não foi iniciada a inspeção técnica. Tudo vai ser resolvido nos próximos dias."

Recentemente, o prédio onde funcionou o Papi foi comprado por R$ 18,9 milhões pelos grupos Delfin e Incor Natal, proprietários do Hospital Rio Grande. O local tem 2.860m² e capacidade atual para 150 leitos. A compra está prevista para ser efetivada no dia 8 de abril, mas a cessão do prédio para o Estado durante os próximos seis meses pode levar a desistência dos sócios.

Além dos leitos que serão instalados no Papi, a rede de saúde do Rio Grande do Norte busca viabilizar 134 leitos entre UTI e UCI (Unidade de Cuidados Intensivos), que serão destinados em dez hospitais no Estado. Entre leitos, equipamentos, medicações e materiais de laboratório, o investimento é de R$ 35,6 milhões.

Atualmente, os 463 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Estado, incluindo leitos contratados da rede privada, estão ocupados. Os novos leitos serão instalados nos hospitais Giselda Trigueiro, Maria Alice Fernandes, João Machado e Hospital da PM (Natal); Rafael Fernandes e Tarcísio Maia (Mossoró); Cleodon Carlos de Andrade (Pau dos Ferros); Seridó (Caicó); Mariano Coelho (Currais Novos) e Deoclécio Marques (Parnamirim).









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