Jornal de WM
Lembrando Aluízio – 3
Publicado: 00:00:00 - 15/08/2021 Atualizado: 15:11:42 - 14/08/2021
Na coluna passada recorri ao livro “Conversa com a Memória”, do jornalista Villas-Bôas Corrêa (1923/2016), em busca do perfil político de Aluízio Alves, muito bem sintetizado no capítulo “Modelos Udenistas”. Sigo hoje o mesmo mote na trilha das comemorações do centenário do nascimento do grande líder norte-rio-grandense (11 de agosto de 1921) voltando ao livro onde se conta a campanha eleitoral que o elegeu governador do Rio Grande do Norte, idos de 1960. A campanha foi vista de perto por Villas-Bôas e é contada no capitulo “Entre o Verde e Amarelo”.

Villas-Bôas, do time dos maiores jornalistas políticos do Brasil, andou várias vezes por estas terras potiguares, uma delas na inauguração das novas instalações da Tribuna do Norte, quando o jornal deixava a era do chumbo e da linotipo para ingressar no ofsete. Foi em outubro de 1979.   Era Diretor da Redação o xará WM. Transcrevo trechos do que ele escreveu sobre as eleições de 1960:

“O então governador Dinarte Mariz, em final de mandato, jogava todas as fichas na candidatura do deputado Djalma Marinho, doce figura de boêmio, parceiro certo nas rodas de pôquer, inteligente e culto, com o gosto pela leitura de um devorador de livros nas madrugadas insones. ”

“A corrente dinartista ganhou e perdeu eleições enfrentando a dissidência udenista liderada por Aluízio Alves. Nas campanhas mais criativas, originais e empolgantes desse período de apaixonada participação popular, que a revolução esmagou com a sua incompatibilidade com a prática da democracia e a violência arbitrária e parcial das cassações e da censura. ”

“O Rio Grande do Norte vestia-se do verde dos Alves e do vermelho dos dinartistas. As casas em todo o estado enfeitavam-se com bandeiras distintivas do alinhamento das famílias. Para evitar dúvidas e dissabores”.

“Candidato a governador, em 1960, o jovem deputado Aluízio Alves construiu e consolidou sua liderança popular, revolucionando o estilo de campanha com achados imaginosos e que pegaram. A começar pela escolha do verde da esperança, como a cor oficial. Bandeiras, faixas, cartazes, camisas de todos os tons, identificavam correligionários na paixão que ultrapassava os limites para descambar no fanatismo. Mais tarde, eleito mandaria pintar de verde desde o Palácio até a frota de carros oficiais. ”

“Iniciando a campanha sem base partidária, explorando a popularidade de deputado com intensa atuação nas áreas pobres de Natal, de Mossoró e dos municípios visitados com assiduidade, Aluízio apelou para fórmulas tradicionais, renovas com o toque do inesperado. Percorria bairros inteiros a pé, parando à porta de todos para cumprimentar os moradores”.

“À medida que a campanha encorpava, ganhava impulso e esticava a polarização, o verde atingia a maior parte da capital, e começaram as caravanas. O candidato subia num velho caminhão, com sistema de som, e percorria a cidade inteira, dias e noites seguidas, sem pausa nem descanso, seguido por multidões que cresciam e encolhiam na estafa das noites ou do calor escaldante do sol nordestino. ”

“Nos locais previamente anunciados, improvisava rápido comício. Discursos dos candidatos a mandatos legislativos e, para encerrar, o do candidato a governador. Vinte, trinta, cinquenta discursos, com a voz rouca, em maratona de emendar dias e noites. Nas paradas, os moradores esperavam o candidato e o seu séquito com bandejas de sanduíches, refrescos, copos de leite, doces caseiros. ”

“As marchas a pé, que se intercalavam com as caravanas no caminhão, percorriam distâncias inacreditáveis, juntando milhares de caminhantes nas estranhas procissões políticas por ruas calçadas ou de terra. ”

“Não vi em nenhum outro estado campanhas como a do Rio Grande do Norte”.

Livro
Acaba de sair a segunda edição de “A Desfolhar Saudades”, biografia de Tonheca Dantas, de autoria do historiador Claudio Galvão, celebrando os 150 anos de nascimento do grande músico e compositor norte-rio-grandense.

A primeira edição é de 1998. Esta agora, com o selo da Offset Editora, tem o apoio da Assembleia Legislatura. O prefácio das duas é de Tarcísio Gurgel.

Poesia
Rizolete Fernandes está com novo livro de poesias na praça: “Frutar”, que sai com o selo da editora Sarau de Letras e prefácio de Olga Savary. São 40 poemas, 40 frutas na mesa:  abacate, abacaxi, banana, cajá, caju, coco, goiaba, graviola, jaca, laranja, manga, mangaba, melancia, pitanga, romã, sapoti, outras. Todas deliciosas, mexendo com a vida da gente.

De água na boca senti falta do imbu, que pode ser umbu, sem perder o sotaque e o sabor. Delícia de umbuzada!

Memórias
Outro livro novo na vitrine potiguar: “Livros! História. Vício. Paixão”, da professora Maria das Graças Brandão Soares, também autora de livros infantis. Sai com o selo da editora Dniro com orelha assinada por Rilder Medeiros, que escreveu:

“Ler o livro de Gracinha é mergulhar na vida íntima de uma leitora voraz. Sua paixão pelos livros se revela ao leitor como se estivesse numa conversa descontraída com a autora tomando um café e comendo uma fatia de bolo. ”

Política
Dica de uma leitura importante, oportuna, muito oportuna, o editorial do jornal O Estado de S. Paulo”, de quarta-feira, 11, começando pelo título: “Na falta de votos, tanques”.

Na livraria
Notícia boa estampada no Estadão:  “Venda de livros no Brasil cresceu 48,5% no primeiro semestre deste ano chegando a um total de 28 milhões de exemplares”. É o resultado de uma pesquisa, “Painel do Varejo de Livros do Brasil”, realizada pela Nielsen, que monitora venda de livros no mundo, e divulgada esta semana pelo Sindicato Nacional de Editores de Livros (Snel).

O crescimento aconteceu tanto no volume quanto no faturamento, saltando de R$ 846,2 milhões em 2020 para R$ 1,19 bilhão. O preço médio do livro caiu 5,78% no mesmo período (de janeiro a julho) fechando em R$ 42,26.

Imortal
O compositor e cantor baiano Gilberto Gil confirmou que é candidato à Academia Brasileira de Letras. Vai disputar a cadeira 20 que era ocupada pelo potiguar Murilo Melo Filho, grande jornalista.

Quinta-feira passada, 12, a ABL realizou sessão em homenagem póstuma a Murilinho, declarando vaga sua cadeira.



Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.


Leia também

Plantão de Notícias

Baixe Grátis o App Tribuna do Norte

Jornal Impresso

Edição do dia:
Edição do Dia - Jornal Tribuna do Norte