Lembrando Haroldo Bezerra

Publicação: 2021-01-24 00:00:00
Woden Madruga 
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O Rio Grande do Norte acaba de perder Haroldo de Sá Bezerra,  que se encantou domingo passado (17) aos 84 anos bem vividos. Agrônomo e Economista, empresário do setor rural, exerceu importantes cargos no serviço público do Estado: secretário de Agricultura, secretário da Fazenda, diretor do Bandern, tantos outros, findando a carreira como conselheiro do Tribunal de Contas, do qual foi presidente. Aposentado, voltou a cuidar de suas fazendas, olhar o  gado, os pastos e esticar o apreço que sempre teve com os amigos, marca de sua fidalguia sertaneja. Fomos amigos por mais de 60 anos. Grande cidadão.

Coisa de dois anos atrás a revista do Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte publicou um perfil de Haroldo, escrito por sua filha Maria Elza Bezerra Cirne, advogada, escritora e fotógrafa.  Presto agora minha homenagem, cheia de saudades, ao grande amigo transcrevendo, na íntegra, o belo texto de Elza, retratista perfeita: 

“Haroldo de Sá Bezerra nasceu bissexto, em 29 de fevereiro de 1936. Como a época não era de tanta burocracia, seus pais acharam melhor registrá-lo em 1º de março para garantir o aniversário todos os anos. Mesmo a data constando no papel, preferiu poupar e só celebrar de quatro em quatro anos.

Nasceu em Ceará-Mirim, terra de sua mãe Yvette de Sá Bezerra, minha avó. Ela optou por ter o primogênito junto aos pais, na segurança e conforto do verde dos canaviais, apesar de morar em Currais Novos/RN.

Haroldo foi criado em fazenda, com educação rígida e conservadora. No seu álbum de fotografias de infância, sua mãe indagava se seria padre ou fazendeiro. Estudou no Colégio Marista, mas se diz ateu, apesar de eu achar que tem uma fezinha em Deus. Virou fazendeiro.

Formou-se em Agronomia e Economia. Uniu as duas formações para colocar em prática a tradição da família na lida com a terra e os ensinamentos de seu pai com o zelo e a parcimônia no trato com o dinheiro. Criou fama de amarrado.

Eu nasci e cresci observando os seus ensinamentos: poupar é muito importante, nunca gaste tudo que ganha; apague a luz, energia é muito cara. Na fazenda tivemos os maiores ensinamentos sobre poupar água: dentes escovados com um copo de água, mãos lavadas em bacia de ágata, chuveiro fechado para ensaboar o corpo. Lições hoje replicadas mundo afora para salvar o planeta, que foram essenciais para quem convive com a escassez do bem tão precioso no Sertão.

As lições da vida privada ele levou para o setor público, onde fez carreira. Trabalhou na ANCAR, SACRAFET e Ministério da Agricultura, foi diretor do BDRN e do BANDERN, presidente da CIDA, Secretário Estadual da Fazenda, Secretário Estadual da Agricultura e Conselheiro do Tribunal de Contas até a sua aposentadoria compulsória.

Sua atuação foi marcada pela rigidez no trato com o dinheiro público e pelas exigências com os servidores. Nem sempre compreendido, mas procurava repetir os ensinamentos da vida privada. Marcou sua gestão no Tribunal com o início da informatização da Corte de Contas.

Depois da aposentadoria, ocupou o tempo cuidando dos seus negócios. Hoje só quer a tranquilidade, os filhos assumiram as atividades. Papai pode ficar tranquilo, seus exemplos e ensinamentos foram bem assimilados.

Seu coração suavizou, soltou as amarras, deixou que o tempo cumprisse sua missão. Como dizia Mário Quintana, segue em frente, fumando seu cigarrinho, jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas, cercado pela família que construiu: Selma, sua mulher; Tonico, o filho mais velho; eu, a única filha, casada com Henrique Cirne, mãe de Luiz Henrique, casado com Eduardo Soares, e Cecília; Haroldinho, o caçula, casado com Rachel Vasconcelos, pai de Mariana, Marina e Luiz Felipe. ”

Livro
Das boas leituras deste começo de ano destaco o livro de Roberto Furtado, “Djalma Maranhão – Memórias de um secretário”, organizado por Francisco Francele de Souza com prefácio do historiador Claudio Galvão.

Roberto foi secretário nas duas gestões de Djalma como prefeito de Natal (de 1956 a 1959 e de 1960 a 1964) e chegou a substituí-lo numa interinidade.

Nas páginas do livro, ricamente ilustradas, o leitor faz um passeio saudoso por Natal dos anos de 1950/1960. O exílio de Djalma no Uruguai também é destaque no livro. Algumas de suas cartas estão lá.

Na parede 
Numa das fotos do livro aparece Djalma, em seu gabinete, cercado por auxiliares e jornalistas. Lá estão Roberto Furtado (Secretário de Negócios Internos e Jurídicos), Ticiano Duarte (Chefe de Gabinete que hoje é Casa Civil), Paulo Macedo (assessor), o vereador Érico Hackradt, o poeta Celso Silveira, o fotógrafo Nildo Seabra, os jornalistas Leonardo Bezerra e Expedito Silva, o radialista Ivanildo Nunes e Geraldo Lisboa, funcionário da Casa.

Desse time, tirando Roberto Furtado, todos assessoram atualmente São Pedro. 

De boi 
Está acontecendo no Parque de Exposição Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, a “6ª Prova de Ganho em Peso em Confinamento das Raças Zebuínas”, que faz parte do Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ) promovido pela ABCZ (Associação Brasileira de Criadores de Zebu. Aqui no Estado o evento tem o apoio da Anorc.

Estão inscritos na Prova 36 animais das raças Guzerá, Sindi e Nelore, pertencentes a 14 criadores do Rio Grande do Norte.  A Prova se estenderá até maio. A primeira pesagem oficial será em fevereiro.

Inverno  
Segundo o prognóstico da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), anunciado quarta-feira, 20, o Ceará “tem 50% de chance de chuvas abaixo da média histórica nos meses de fevereiro, março e abril”, principalmente no Centro Sul do Estado. Mas nas regiões da Ibiapaba e Litoral Norte, que fazem divisa com o Piauí, as chances são de chuvas acima da média histórica.

 Este mês de janeiro tem sido de boas chuvas em todas as regiões cearenses, notadamente no Cariri, que fica no sul do Estado. Algumas dessas chuvas começadas em dezembro.

Chuvas
Poucas chuvas esta semana (até sexta-feira, 22) nos cantos do Rio Grande do Norte. As melhores foram no Oeste: Janduís, 38 milímetros, Upanema, 34, Rafael Fernandes, 31, Apodi, 25, Água Nova, 23. Números da Emparn.











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