Lembrando Nelson Patriota

Publicação: 2021-01-17 00:00:00
Woden Madruga 
woden@tribunadonorte.com.br

Na gaveta dos papéis desarrumados e de outros guardados encontro um exemplar do jornal “O Galo”, edição de dezembro de 1996. Se a memória não me falha foi a primeira publicada sob o comando de Nelson Patriota, que se encantou há 11 dias deixando um enorme vácuo na literatura e no jornalismo potiguares.  O artigo da página 2, com o título “Um Galo, Outros Galos”, é do editor, como está “ferrado” em baixo: “O Editor”. Portanto, dele, Nelson. O jornal foi criado na Fundação José Augusto, em 1988, durante o governo de Geraldo Melo, e editado por Marize Castro. No governo seguinte (José Agripino Maia), O Galo deixou de ser publicado. Só voltou a cantar no governo de Garibaldi Filho, entre os anos 1996 a 2002, agora sob a regência do nosso querido Nelson Patriota

Transcrevo alguns trechos do artigo (editorial), começando pelo começo:
-“Para os natalenses, o galo que encima o topo da Igreja de Santo Antônio, no centro da Cidade, remete mais a ideia de cultura literária do que à da criação dos galináceos. A exemplo daquele outro galo que sozinho não tece uma manhã, celebrado por famoso poeta pernambucano, esse galo emblemático remete, em seu despojamento, ao valor das coisas culturais, também ao desalento se abraçada pela indiferença; precisa que outros somem-se ao canto que ensaia agora, tal qual sucedeu antes, para que esse canto se torne outra vez hino e alegoria daquele valor próprio ao mundo das letras. ”

-“Assim é que O Galo, jornal cultural que ensaiou seus primeiros cantos em maço de 1988 para ser interrompido somente após encerrar um ciclo vitorioso de cantos poéticos e prosaicos, reenceta um novo canto, na certeza de que não cantará ao desabrigo: velhas e novas vozes, daqui e de alhures, somar-se-ão a sua. Isto acontece desde já. ”

-“Folheando a esmo as páginas desta edição de um não por acaso festivo dezembro, o leitor constará que a diversidade de vozes nela coincide com a variedade de abordagens, de visões de mundo. Enfim, remente a um princípio elementar de harmonia, só possível quando se lida com o múltiplo, o diverso, o díspare. É de olho nesse princípio que O Galo ensaia mais este canto.”

O canto de Andreia
No meio da semana caiu na minha bacia das almas uma crônica de Andreia Braz, hospedada no saite “Substantivo Plural”, na qual homenageia Nelson Patriota na passagem de seus 71 anos. A crônica é datada de 29 de novembro. O saite foi fundado por Tácito Costa em 2008 e teve Nelson, seu amigo e velho companheiro, como um dos primeiros redatores, assinando uma coluna. O título da crônica de Andreia é “Meu amigo Nelson Patriota”. Li e gostei muito. Quero dividir esse deleite com você, prezado leitor/a, transcrevendo alguns trechos, começando pelo começo:
-“Minha admiração por ele (Nelson) nasceu antes mesmo de nos conhecermos pessoalmente. Acho que a primeira vez que o vi foi numa Bienal do Livro de Natal. Não me lembro o ano, 2007? Talvez. Ele estava participando de um bate-papo com Fernando Morais. Ainda me lembro da pergunta que fez ao biógrafo de Olga Benário e de Assis Chateaubriand: “O que motivou o senhor a escrever a biografia de Paulo Coelho? ” 

-“Alguns anos depois nos encontramos na Editora da UFRN, onde comecei a atuar como bolsista na área de revisão de textos (...) Ali nasceria a melhor das parcerias de trabalho e uma sólida amizade. Costumo dizer que nossa amizade e aproximação intelectual começou em 2010, quando começamos a fazer alguns trabalhos juntos e a conversar mais sobre o ofício de revisor. Aliás, essas foram as ‘aulas’ mais importantes da minha trajetória profissional. ”

-“Não conheço ninguém mais atinado que ele quando o assunto é literatura, sabe tudo quanto é novidade dos EUA, Europa... E foi por influência dele que li a trilogia “1Q84” e o romance de formação “Norwegian Wood” (Haruki Murakami), “Tirza” (Arnom Grumberg) e “O homem de Beijing” (Henning Mankel). 

Livros arrebatedores. Ele também me apresentou Otacílio Alecrim, Renard Perez... Admiro sua generosidade em partilhar suas experiências literárias e tantas vezes nos presentear com seus próprios livros.”

-“Escrevo esta crônica no dia do seu aniversário de 71 anos e meu maior desejo é este: um breve reencontro para um almoço, um café e uma tarde de bate-papo sem hora para terminar. Assim como Rubem Alves, também acredito que ‘tudo o que fazemos na vida pode se resumir nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...’  Ele também diz que ‘a amizade é a coisa mais alegre a vida nos dá’. Que a alegria de nossa amizade seja eterna. ”

Sonetos da Morte 
A editora Nova Fronteira acaba de publicar o novo livro de poemas de Carlos Newton Júnior, “Memento Mori: os sonetos da morte”. O prefácio é de Alexei Bueno (“Prêmio Jabuti de Poesia”) que, às folhas tantas, escreveu:
- Com ‘Memento Mori: os sonetos da morte’, Carlos Newton Júnior acrescenta mais um título a uma obra poética que consegue manter uma rara unidade na diversidade, após livros como “Canudos: poema dos quinhentos”, “Poeta em Londres”, “De mãos dadas aos caboclos”, “Ofício de sapateiro” e “Ressurreição”, que fazem dele um dos poetas brasileiros mais importantes da nossa época, agora especificamente inscrito – como afirmamos no início – na gloriosa confraria dos poetas da morte”.

Clementino 
Câmara Neste domingo, 17 de janeiro, há 133 anos, nascia em Goianinha (Pipa), Clementino Câmara: professor, jornalista, escritor, líder maçônico e também com atuação política no Estado. Foi um dos fundadores da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, cadeira 19.  Faleceu em 18 de setembro de 1954.

Chuva 
Janeiro andando com notícias de chuvas pelos sertões do Piauí, Pernambuco, Ceará, Paraíba, algumas chegando ao oeste potiguar. No Cariri cearense há municípios com acumulada na casa dos 60 milímetros. Um deles, é Juazeiro do Norte, bênçãos do Padim Ciço.

A Funceme (Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos) confirma que “o início do segundo mês (janeiro) da Pré-Estação Chuvosa segue com tendência de chuvas em todas as regiões. ” A AESA (Agência Executiva de Gestão das Águas da Paraíba) tem a seguinte previsão para o primeiro trimestre de 2021: chuvas dentro da média histórica nas regiões Cariri/Curimataú, Alto Sertão e Sertão. No município de Cajazeiras teve chuva de 65 milímetros
A Emparn anunciou que as previsões de chuvas para o Rio Grande do Norte, em janeiro, fevereiro e março, estão dentro do quadro da normalidade, média podendo chegar a 400 milímetros. Amém.  











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