Lembrando os velhos líderes

Publicação: 2020-02-11 00:00:00 | Comentários: 0
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Valério Mesquita
Escritor

01) Considerado um dos maiores homens público do Rio Grande do Norte, Djalma Marinho sentiu o gosto amargo da derrota nos anos sessenta, quando disputou o governo e perdeu para Aluízio Alves. Teve o gesto nobre de felicitar o seu competidor. Para curar a ressaca eleitoral, refugiou-se e não queria nem ouvir falar em política. Um certo jornalista, andando de carro, à cavalo e até a pé, conseguiu descobrir o exílio de Dejinha. Depois de muitos arrodeios, o repórter colocou a pergunta inevitável: “E aí doutor Djalma, agora é resignar-se não?”. Djalma, calmo, soltando a fumaça do cigarro, respondeu: “Não sei se você já ouviu falar, mas a resignação alivia tudo aquilo que não pode ser corrigido”. Nada mais lhe foi indagado.

02) Numa solenidade no Cine-Teatro Cid em Mossoró, o então prefeito Raimundo Soares, explanava sobre certo assunto e lá para as tantas, citou um pensador: “Donald Adams, estudioso americano mencionou um dia que nada é mais vivo do que a  palavra!’. Diante da eloquência de doutor Raimundo, a platéia explodiu em fervoroso aplauso, por sabê-lo bom orador. José Andrade – o Zé Gago, rindo, debochando, falou ao vizinho do lado: “Eh, eh, eh, esse tal de Ad, Ad, Adams, nã, não conhece Aluízio Alves. Vi, vivo, é ali”.

03) Se existe uma figura que faz jus a um busto na praça pública de Campo Grande é Mané Mocó. Em termo de política partidária, Mocó foi a fidelidade personificada. Sempre repetia: “Meu voto é de Aluízio. Voto até contra meu pai se Aluízio mandar”. O governador sempre que chegava a cidade, sua primeira visita era ao seu “vereador sem mandato”: o fiel Mané Mocó. O tempo passou, Aluízio queria eleger os seus gêmeos Henrique e Ana Catarina. O povo fazia a guerra: “E agora Mocó? Aluízio não é candidato!”. Ele respondia de pronto: “Não voto em ninguém!’. Nas famosas carreatas, Aluízio chegou a Campo Grande. Grande expectativa. O governador em reunião, falou: “Mocó, estou dividindo meus votos com Ana e Henrique. Quero que meus amigos aqui, votem em Ana Catarina. Se você é meu amigo?...”. Mané Mocó, interrompeu. Sentia-se injuriado pelo que dissera. Em plena reunião, tirou a camisa com o nome “Aluízio”, vestiu a camiseta de Ana e foi para casa, cabisbaixo e debaixo de chacotas. Apenas, uma disfarçada mudança de hábito.

04) O major Theodorico Bezerra dispensava o maior zelo ao seu eleitorado da região do Trairi. Certo dia, o vereador Joca de Simão procurou o velho líder para reivindicar: ““Majó”, eu venho lhe “torná” ciente que vou ser o candidato a prefeito”. Theodorico surpreso, ponderou: “Compadre Joca, aqui quem decide sou eu. E já tenho em mente quem será o nosso prefeito. Vai ser Josias. Ele está mais preparado para o cargo”. “Eu também”, disse Joca. “Cinco “vêis” “veriador”. Ta bom demais. E tem mais: se o “sinhô” quiser eu vou, se não quiser eu sou!”. E fechando a indignação, desfechou: “O risco que corre o pau, corre o machado!”. Theodorico franziu o cenho com aquela calma peculiar, fechou o firo: “Olhe, aqui não tem risco nem pau. E o machado se encontra na minha mão. Você tem oito dias para pensar e afastar essa rebeldia. Volte aqui, depois, para me dizer que tirou essa doidice da cabeça. Até mais vê compadre Joca”. O major não admitia “trairagem” no Trairi.

05) Acontecia no Natal Mar Hotel um jantar oferecido pela Assembleia Legislativa aos vereadores de todos municípios. A Câmara de Mossoró veio em peso. Numa das arenas da Via Costeira estava programado na mesma noite, um show com o cantor Fábio Junior. Depois do jantar, vários edis de Mossoró, foram para o show. O irreverente Expedido Mariano, o “Bolão”, que bebeu mais do que comeu, estava quase passado a limpo e falava alto a cada música executada. O carro-chefe do repertório, aguardado, era a música “Pai Herói”. Fábio guardou-a para o final. Expedito Bolão não resistiu a emoção e com a força etílica circulando nas veias, chorava e gritava: “Valeu Fábio Júnior! Você é o grande pai dessa noite! Você é tudo! Você é um FDP!”. Fábio Junior parou e sorrindo devolveu: “Obrigado meu irmão!”.






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