Lenine Pinto e a paixão pela história de Natal

Publicação: 2019-06-25 00:00:00 | Comentários: 0
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Ramon Ribeiro
Repórter

Cerca de dois anos atrás o escritor e historiador Lenine Pinto chegou de cadeira de rodas no Sebo Vermelho e entregou um HD de computador para o sebista Abimael Silva. “Aqui tem tudo que eu escrevi nos últimos 50 anos”, disse para Abimael na ocasião. O sebista até hoje não avaliou com precisão o tamanho do arquivo nem o que há de inédito ali, afinal são 50 anos de escritos.

O escritor Lenine Pinto e sua última publicação, O Mando do Mar, na qual realizou a pesquisa definitiva sobre tese do Descobrimento
O escritor Lenine Pinto e sua última publicação, “O Mando do Mar”, na qual realizou a pesquisa definitiva sobre tese do Descobrimento

“Ele disse para eu dar o melhor destino àquele material”, lembra Abimael sobre o colega que faleceu no último domingo (23). Lenine Pinto morreu aos 89 anos em decorrência de complicações causadas por uma pneumonia. Ele estava internado no Hospital São Lucas. A cerimônia de cremação foi restrita à família e aconteceu na segunda-feira (24).

Lenine foi o principal defensor da tese de que o Brasil teria sido “descoberto” a partir do Rio Grande do Norte, mais precisamente em Touros. Sobre o tema lançou três livros: "A Reinvenção do Descobrimento" (1998), "Ainda a questão do Descobrimento" (2000) e "O Mando do Mar" (2015), todos publicados pelo Sebo Vermelho.

“Na época do primeiro livro, em 1998, muita gente o considerou um maluco por defender aquela teoria. Principalmente o pessoal da universidade”, recorda Abimael. “Depois ele continuou os estudos. Em 'O Mando do Mar' realizou sua pesquisa definitiva sobre o tema, apresentando material novo como mapas. É uma pena que tenha se despedido quando sua teoria está ganhando mais atenção, inclusive repercutindo em Brasília”.

Mas para além da questão do descobrimento, Lenine se mostrou ao longo dos anos um importante autor sobre a Natal da 2ª Guerra Mundial, muito por ser ele testemunha daquela época. Sobre esse assunto o presidente da Academia Norte-riograndense do Letras (ANRL), Diógenes da Cunha Lima, destaca a originalidade dos livros de Lenine sobre a cidade. “Lenine era filho do escritor Lauro Pinto. Seguramente foi um dos mais originais autores do RN. Abordava temas com uma forma de pesquisa baseadas em aspectos singulares. Colhia depoimento de gente que viveu os anos 40. E por se comunicar bem em inglês conversou com americanos que estiveram por aqui”, comenta Diógenes sobre o amigo da ANRL – instituição a qual Lenine se tornou membro em 2003, ocupando a cadeira 34. “Lenine revelou em seus livros um passado muito rico sobre o Rio Grande do Norte”.

Lenine também tem um outro trabalho bem pouco lembrado. Ele foi um dos grandes divulgadores do Xadrez em Natal. Esses aspecto de sua biografia foi lembrado há poucos dias pelo jornalista Valério de Andrade nas redes sociais. “Lenine Pinto foi, em 1954, o responsável pelo ressurgimento do xadrez em histórico torneio que contou com 60 participantes divididos em duas categorias. Responsável por outros significativos torneios, Lenine fez do Diário de Natal uma cobertura enxadrística inédita na imprensa potiguar", escreveu Andrade. “O Xadrez natalense tem uma dívida com Lenine, pois, mesmo não figurando entre os jogadores mais fortes, foi um mestre na divulgação e promoção do nosso xadrez na década de 50".

Para conhecer a obra de Lenine Pinto

“Natal, RN” (1975)

Reedição em 2018/Sebo Vermelho

“Os americanos em Natal” (1976). Reedição: 2005/Sebo Vermelho

“Natal, USA” (1995) - II Guerra Mundial - A Participação do Brasil no Teatro de Operações do Atlântico Sul.

“A Reinvenção do Descobrimento" (1998)

“Ainda a questão do Descobrimento" (2000)

“O Mando do Mar" (2015)





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