Leonardo Picciani reassume liderança do PMDB

Publicação: 2015-12-18 00:00:00 | Comentários: 0
A+ A-
Brasília (AE) - Em uma operação comandada diretamente pelo Palácio do Planalto, o deputado Leonardo Picciani (RJ) foi reconduzido ontem ao posto de líder do PMDB na Câmara. O parlamentar fluminense voltou ao cargo após apresentar lista com assinaturas de 36 dos 69 integrantes da bancada, derrotando a ala pró-impeachment da legenda, que, na semana passada, tinha conseguido destituí-lo e indicar Leonardo Quintão (MG) ao posto.
antonio cruz/abrLeonardo Picciani apresenta nova lista com assinaturas suficientes para voltar à funçãoLeonardo Picciani apresenta nova lista com assinaturas suficientes para voltar à função

Para reconquistar a liderança, Picciani contou com a ajuda direta da presidente Dilma Rousseff e de ministros próximos a ela. Eles articularam o apoio ao parlamentar de 7 dos 35 parlamentares que tinham assinado a lista que indicou Quintão ao cargo na semana passada. Picciani teve também ajuda da bancada do PMDB do Rio de Janeiro, que garantiu a volta de deputados aliados que estavam licenciados, para apoiá-lo.

Os sete deputados que mudaram de ideia e passaram a apoiar Picciani foram: Simone Morgado (PA), Elcione Barbalho (PA), Celso Maldaner (SC), Silas Brasileiro (MG), Vitor Valim (CE), Lindomar Garçon (RO) e Jéssica Sales (AC). Já Marco Antonio Cabral e Pedro Paulo deixaram os cargos de secretários de Estado do Rio de Janeiro e assumiram mandatos parlamentares apenas para apoiar o aliado.

Conforme apurou a reportagem, a presidente Dilma Rousseff se envolveu diretamente na operação para reconduzir Picciani ao cargo, além de ter escalados ministros como Kátia Abreu (Agricultura) e Helder Barbalho (Portos) para ajudar a convencer parlamentares peemedebistas a apoiarem Leonardo Picciani. Kátia, por exemplo, agiu sobre Celso Maldaner, deputado da bancada ruralista.

Já Helder Barbalho garantiu que sua mãe, Elcione Barbalho, e sua madrasta, Simone Morgado, mudassem de opinião e apoiassem Picciani. As duas são, respectivamente, mulher e ex-esposa do senador Jader Barbalho (PMDB-PA). O parlamentar é aliado do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), um dos principais fiadores de Dilma no Congresso Nacional.

Dilma também acionou outros políticos aliados, como o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). O peemedebista cearense articulou a mudança de apoio de Vitor Valim. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), também foi acionado para garantir o voto Silas Brasileiro, que é suplente. O gestor petista ameaçou articular o retorno de deputados titulares ao mandato, o que obrigaria a saída de Silas da Câmara.

A recondução de Picciani à liderança surpreendeu a ala pró-impeachment, que, até a noite desta quarta-feira, 16, não acreditava que ele conseguiria apoio da maioria da bancada. "Picciani voltou a ser líder com uma maioria artificial. É um líder paraguaio", criticou Lúcio Vieira Lima (BA). Ele e outros peemedebistas acusaram o Planalto de ter pressionado deputados a apoiar Picciani, por meio de ameaças de cortes de cargos e de liberação de recursos extraorçamentários de livre uso dos ministérios.

Como reação, deputados contrários a Picciani passaram o dia articulando com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma nova lista para indicar novamente Leonardo Quintão ao cargo de líder. "Vamos usar uma tática de guerrilha", disse Osmar Terra (PMDB-RS), reconhecendo que, hoje, a ala não tem como conseguir apoio da maioria.

continuar lendo


Deixe seu comentário!

Comentários