Limpeza de resíduos de petróleo nas praias do RN ainda é limitada

Publicação: 2019-10-08 00:00:00 | Comentários: 0
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Dos 43 locais atingidos pelos resíduos de petróleo no Rio Grande do Norte, apenas as praias de Barreta, Camurupim, Barra de Tabatinga, Pirangi do Sul e Búzios, todas pertencentes ao município de Nísia Floresta, estão realizando a limpeza. Outro município que iniciou a coleta dos resíduos foi Parnamirim, onde as manchas já atingiram o estuário do Rio Pirangi.

Litoral potiguar ainda é alvo dos resíduos de petróleo que tomaram conta de pelo menos 43 praias no Rio Grande do Norte desde o início do mês passado
Litoral potiguar ainda é alvo dos resíduos de petróleo que tomaram conta de pelo menos 43 praias no Rio Grande do Norte desde o início do mês passado

Outras 12 áreas registraram “vestígios” do petróleo ou “manchas esparsas”, mas não há informações sobre a limpeza, segundo dados do relatórioelaborado pelo Ibama. O restante das áreas do litoral potiguar está com a limpeza “natural”, e sem registro da quantidade de óleo detectado. A presença das manchas nesses locais é observada já há um mês.

O Governo do Rio Grande do Norte vai se reunir na próxima quinta-feira (10) com prefeitos de 11 municípios atingidos por manchas de petróleo, para decidir  se vai decretar situação de emergência, como ocorreu no estado de Sergipe. O litoral do RN é o mais atingido pelo vazamento, com registro em cerca de 43 áreas, entre praias e rios. A presença do petróleo, detectada desde o fim de agosto e ainda com a origem desconhecida pelas autoridades, atingiu os nove estados da região nordeste.

A reunião da próxima quinta-feira vai ser realizada entre o diretor do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) e os respectivos secretários municipais das áreas atingidas para traçar estratégias de limpeza do petróleo. A presença do resíduo é considerada crime ambiental e pelo menos três tartarugas marinhas no litoral potiguar foram atingidas – uma delas foi encontrada morta. O Ibama também registrou outros oito casos de tartarugas e uma ave nos outros estados nordestinos.

Em Sergipe, onde as primeiras manchas de petróleo foram detectadas no dia 24 de setembro, o governo do estado decretou situação de emergência neste domingo (6). Nesta segunda-feira, um gabinete de crise foi criado no estado para acompanhar o caso e o ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, sobrevoou os locais atingidos.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, disse ontem que equipes dos órgãos ambientais Ibama e ICMBio recolheram mais de 100 toneladas de borra de petróleo no litoral do Nordeste desde o início de setembro. O comentário, no Twitter, foi publicado após o ministro ter ido a Sergipe para vistoriar regiões impactadas pelo óleo. "Desde 2 de setembro as equipes do Ibama e ICMBio, (têm atuado) junto aos 42 municípios (impactados pelas manchas), Marinha e demais órgãos no recolhimento de mais de mais de 100 toneladas de borra de petróleo”, escreveu o ministro.

O presidente Jair Bolsonaro, através de decreto publicado dia 5 último, deu prazo de 48 horas para apresentação de dados coletados e medidas a serem adotadas.

Até o fim de semana, a Bahia era o único estado não atingido pelas manchas. Entretanto, o Ibama registrou a presença do material em três praias do município de Conde.

Investigação
A origem do petróleo ainda é desconhecida. Amostras colhidas e analisadas pela Petrobrás e Marinha chegaram à conclusão de que se trata de petróleo cru, que não é produzido no Brasil. Um dia depois de representantes dos nove estados se reunirem para pedir maior agilidade nas investigações, a Polícia Federal afirmou no último dia 2 que há um inquérito aberto para apurar as causas desde o início do mês de setembro. As investigações da PF estão concentradas na Superintendência Regional do Rio Grande do Norte, mas, em nota, o órgão informou que não comenta investigações em andamento.

Ao todo, 114 locais foram poluídos pelo material. Na semana passada, o secretário de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, José Bertotti, onde há uma investigação por parte de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), afirmou que há duas hipóteses para o espalhamento do petróleo: a primeira é que possa ter sido causada pela lavagem do lastro de um navio, crime ambiental comum em outras épocas; a segunda, de acidente, que não teria sido comunicado às autoridades.

Recomendações
Na última quarta-feira, 2, o Ibama se reuniu com prefeituras para orientar como a limpeza do material deve ser feita nos locais atingidos. De acordo com o órgão, foram percorridos os municípios de Maxaranguape, Rio do Fogo, Touros, Ceará-Mirim, Extremoz, Parnamirim, Nísia Floresta, Tibau do Sul, Canguaretama e Baía Formosa.

Localidades afetadas pelo petróleo no Rio Grande do Norte
Areia Preta

Baia Formosa

Barra do Cunhaú

Barra do Rio

Barreira do Inferno

Barreta

Búzios (Rio Doce)

Cabo de São Roque

Calcanhar

Camurupim

Caraúbas

Cotovelo

Foz do Rio Catu

Foz do rio Pirangi/Pium

Jacumã

Jenipabu

Maracajaú

Muriú

Perobas

Pipa

Pirambu

Pirangi do Sul

Pirangi do Norte

Pirambúzios

Praia de Alagamar

Praia do Amor

Praia do Giz

Praia do Forte

Ponta Negra

Redinha

Rio do Fogo

Rio Punaú

Sagi

Santa Rita

Simbaúma/das Minas

Tabatinga/Tartarugas

Touros

Via Costeira

Zumbi

Número de áreas atingidas na região nordeste
Alagoas:     13

Ceará:     10

Maranhão:     11

Paraíba:     16

Pernambuco:     19

Piauí:     2

Rio Grande do Norte:     43

Sergipe:     10

Bahia:     2

Fonte: Ibama

Recomendações
Evite contato com o resíduo;

Se ocorrer contato com a pele, higienize a área afetada com gelo e óleo de cozinha;

Em caso de ingestão ou reação alérgica, procure a Unidade Básica de Saúde mais próxima;

Entre em contato com a prefeitura para informar a localização da mancha;

Ao encontrar um animal contaminado:
Evite contato com o mesmo;

Proteja-o do sol;

Não devolva o animal contaminado para o mar;

Informe o paradeiro do animal ao Projeto Cetáceos Costa Branca (99943-0058, WhatsApp e 24h)









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