Linha será implantada pela metade

Publicação: 2015-06-14 00:00:00 | Comentários: 0
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Anunciado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos  ao Governo do Estado como um “diferencial” para o estado na disputa pelo hub da TAM Linhas Aéreas, o projeto para conectar o novo aeroporto do RN à BR 101 (nos trechos Sul e Norte) por linha férrea,  deve ser implantado inicialmente pela metade. O trecho que deve sair do papel e está sendo anunciado pela CBTU ligará os municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante, chegando ao aeroporto margeando a BR 406. Esse trecho tem como foco principal transportar trabalhadores que sofrem com a falta de opção para chegar e sair do trabalho. O segundo trecho férreo – que deveria chegar por  Macaíba, não tem estudos.
Junior SantosO trecho que deve sair do papel e está sendo anunciado pela CBTU ligará os municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante, chegando ao novo aeroporto do RN, margeando a BR 406O trecho que deve sair do papel e está sendo anunciado pela CBTU ligará os municípios de Extremoz e São Gonçalo do Amarante, chegando ao novo aeroporto do RN, margeando a BR 406

Segundo ramal não tem estudo
O projeto para construção de um ramal ferroviário para o aeroporto de São Gonçalo do Amarante ainda não tem data para ser iniciado. Anunciado pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) ao Governo do Estado como um “diferencial” para o estado na disputa pelo hub da TAM Linhas Aéreas, o projeto precisa ser incluído na terceira etapa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para sair do papel. Entretanto, Enilson Santos, doutor em transportes um dos elaboradores do projeto, afirma que  conexão anunciada solucionará apenas um problema já enfrentado pelo aeroporto – o transporte de trabalhadores. O ramal que facilitará o escoamento de passageiros, porém, ainda não passou sequer por estudo.

Em 2013, a CBTU apresentou publicamente os estudos de intenção de ampliação da malha ferroviária na Região Metropolitana de Natal. Naquele ano, o Governo Federal liberou R$ 524 milhões para “modernização” das linhas azul, verde e amarela, que ligam Ceará-Mirim, Natal e Parnamirim. A ativação da linha roxa, que previa interligação com o aeroporto a partir de Extremoz e Macaíba, só começou a ser discutida neste ano. A ampliação custará mais R$ 249,8 milhões, com instalação de dez estações de trem e a compra de cinco novas composições do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).

Entretanto, apenas uma parte da linha será ativada: a conexão a partir da BR-101 Norte até o município de São Gonçalo do Amarante, passando pelo aeroporto Aluízio Alves. O trecho ocupará a faixa de domínio de rodovias, cedido pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (veja infográfico). A proposta é que a estação seja construída ao lado do terminal de passageiros. A expectativa é que a conexão atenda a 15 mil passageiros.

Para o segundo ramal, que conecta o aeroporto até a BR-101 sul, “não possuía demanda”, de acordo com o superintende regional da CBTU, João Maria Cavalcanti,.

Segundo Enilson Santos, dois fatores pesaram para a construção apenas do trecho norte: a inexistência do acesso rodoviário sul ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante, via BR-304, e a demanda reprimida que existia para o acesso norte, voltada para o transporte dos trabalhadores do terminal. Conforme a TRIBUNA DO NORTE mostrou em reportagem na última terça-feira (9), o transporte público para o aeroporto é deficitário: apenas uma linha faz o percurso.

“O VLT sozinho não pode adentrar o meio rural, ele precisa do apoio rodoviário. É a construção da rodovia que gera a urbanidade”, ressalta Santos. “O norte foi um ramal pensado para atender uma demanda de transporte de trabalhadores da Inframérica, o acesso pela BR101 sul que seria para o transporte de passageiros. Se Natal ganhar o hub, não vai ser pela promessa de acesso ferroviário. A TAM busca é infraestrutura de suporte, como hotelaria”, assegurou. A conexão pelo acesso sul, acrescenta o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), é pensado para o acesso de passageiros à rede hoteleira de Natal.

Atualmente, apenas três das 12 composições de VLT foram recebidas pela CBTU. A recuperação da malha (novos trilhos, estações e obras de arte) depende da apresentação do projeto executivo pela empresa contratada – o que deve ser feito até o início de agosto. “Também estamos cobrando da empresa a entrega da quarta composição, que está atrasada”, afirmou Cavalcanti, superintendente da companhia no estado. As três composições que hoje operam acresceram em 40% o volume de passageiros transportados, chegando a mais de 8 mil/dia.

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