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Política
Lira e Pacheco atuam por recondução ao comando
Publicado: 00:00:00 - 26/06/2022 Atualizado: 15:50:50 - 25/06/2022
"Lá nas nossas igrejas só vai falar de Jesus, na época de eleição, e do senhor." Foi assim que o bispo Samuel Ferreira, líder da Assembleia de Deus Madureira, mostrou quem era o "senhor" naquele púlpito: o presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (Progressistas-AL). A ordem sobre como deveria ser o pedido de voto para Lira foi dada ao pastor Jaques Balbino durante convenção nacional da Madureira, em Goiânia, no último dia 26.

"Esse é o seu candidato. Cumprimenta o homem, rapaz!", intimou Ferreira ao pastor que comanda as igrejas da denominação em Alagoas. Balbino abraçou Lira. O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (Progressistas), também estava no culto. Todos riram.

Enquanto o País se volta para a sucessão do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), o aumento do poder do Congresso na confecção de leis e na montagem do Orçamento da União antecipou a disputa pelos comandos da Câmara e do Senado, marcada para fevereiro de 2023. Tanto Lira como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), estão em campanha para permanecer mais dois anos à frente das respectivas Casas legislativas.

Nos últimos dias, a crise provocada pelo aumento dos preços dos combustíveis expôs os movimentos da dupla pela recondução às cadeiras. É Lira, porém, quem atua no vácuo de poder do Palácio do Planalto, exercendo funções que extrapolam a de presidente da Câmara.

Expoente do Centrão, o deputado chegou a pedir a cabeça do então presidente da Petrobras, José Mauro Coelho, que na segunda-feira renunciou ao cargo, e causou polêmica no embate com a estatal ao ameaçar até mesmo investigar seus dirigentes por meio de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Ao lado de Pacheco, ele também discutiu com líderes de partidos, na noite de segunda, uma proposta para taxar os lucros da Petrobrás.

A influência de Lira em várias repartições explica o apoio da igreja evangélica. Em Alagoas, a Assembleia de Deus Madureira deixou de lançar um candidato a deputado e aderiu à campanha por mais um mandato para o presidente da Câmara.

"Sua história lhe (sic) credenciou para estar onde está. Sua     reeleição vai ser tranquila como deputado e é (sic) mais dois anos lá na presidência", afirmou o bispo Ferreira.

Naquele culto do dia 26, o chefe da Assembleia de Deus Madureira revelou um dos motivos que o levaram a abençoar Lira: a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que isenta o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em imóveis alugados por igrejas.

"O comprometimento da igreja com o político é para manter nossas pautas acesas, defender a família, a liberdade religiosa. A igreja apoia quem apoia a igreja", disse o deputado Cezinha de Madureira (PSD-SP), vice-líder do governo, ao comentar o apoio ao presidente da Câmara.

Verba

A cúpula do Congresso também controla neste ano R$ 16,5 bilhões do orçamento secreto, esquema de distribuição de recursos, por meio de emendas de relator, como revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

Lira comanda diretamente o destino de R$ 11,5 bilhões - o restante fica com o Senado -, escolhendo as bancadas beneficiadas.

Nos bastidores, a distribuição de cargos e verbas em troca de votos já faz parte das negociações. Segundo aliados do governo, parlamentares mais próximos ao Centrão terão até R$ 10 milhões para enviar a seus redutos, antes da eleição de outubro, e outros R$ 10 milhões ficarão pendurados. A estratégia seria para garantir a liberação da outra parte do dinheiro em dezembro aos deputados reeleitos, pagando a fatura somente pouco antes da votação no Congresso, no início de 2023.

Por esse acordo, só leva o pacote completo o grupo que conquistar novo mandato, em outubro, e garantir voto em Lira, em fevereiro do ano que vem. "Eu não estou preocupado com fofocas e especulações, mas, sim, em colaborar para que o povo brasileiro sofra o menos possível com os efeitos do pós-pandemia e da crise global inflacionária causada pela guerra", disse Lira ao ser questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre o acerto. Para dar mais poder a Lira, Bolsonaro prometeu recriar o Ministério da Indústria e Comércio, hoje sob o guarda-chuva da Economia, pasta comandada por Paulo Guedes.

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