Literatura, cafezinho e autores locais na Manimbu

Publicação: 2020-01-18 00:00:00
Ramon Ribeiro
Repórter

A Livraria Manimbu, parceria da Fundação José Augusto (FJA) com a Unilivreira, vem ao poucos implementando seu calendário cultural na cidade. Inaugurado em novembro de 2019, auto-proclamado a única livraria de rua de Natal (e de fato é), o espaço já recebeu lançamentos de livros, bate papos com autores potiguares e sessões musicais. E para o ano de 2020 o movimento deve ser intensificado.

Créditos: Adriano AbreuNa nova Manimbu, autores locais dividem espaços iguais com literatura universal. Há cantinhos para os quadrinhos e caféNa nova Manimbu, autores locais dividem espaços iguais com literatura universal. Há cantinhos para os quadrinhos e café
Na nova Manimbu, autores locais dividem espaços iguais com literatura universal. Há cantinhos para os quadrinhos e café

Quem confirma é o livreiro Aluísio Azevedo, diretor da Unilivreria e responsável pela Livraria Manimbu. “É importante que a livraria funcione como um espaço cultural. Porque servir apenas como ponto de distribuição de livros sabemos que não é suficiente. É preciso ser um lugar atrativo para as pessoas”, conta Azevedo. Para ser atrativo ao público, o empreendimento dispõe também de uma cafeteria, a Café Navarro, com venda de cafés, lanches e cervejas artesanais. “Uma livraria é como uma confraria: um lugar de convergência de autores e leitores. Um lugar onde se conversa sobre literatura, onde surgem novos escritores, novas editoras, novos projetos literários, onde nascem livros. Um lugar onde flui essa energia”.

Alguns eventos já estão confirmados para ocorrer nesse começo de ano. Neste sábado (18),  acontece o “Mulheres Lendo Mulheres”, promovido pelo clube de leitura do Mulherio das Letras Zila Mamede. O evento começa às 16h, é aberto a todos os públicos (inclusive homens) e tem acesso gratuito. A obra que dará o mote da conversa é “O Arado”, de Zila Mamede. Esse é o encontro de estreia do clube de leitura. A ideia é que ocorram sempre no terceiro sábado de cada mês, sempre com um livro de autora mulher, escolhido em grupo no encontro anterior.

Agenda cheia
No dia 24, a partir das 17h, a programação será de lançamento, com a 2ª edição do livro “Com a força das folhas que estiverem vivas”, do poeta curraisnovense Wescley Gama. “Ele é um autor de mão cheia, é músico, recita muito bem. E no lançamento vai aproveitar para dar uma palhinha”, adianta Azevedo.

Já no dia 25, às 16h, é a vez de mais uma edição do Sábado Literário, agora com um bate papo entre os escritores e jornalistas Osair Vasconcelos e Antônio Melo.

Créditos: Adriano AbreuAluízio Azevedo trouxe o acervo de sua antiga Nobel e gerencia o espaço em parceria com a FJAAluízio Azevedo trouxe o acervo de sua antiga Nobel e gerencia o espaço em parceria com a FJA
Aluízio Azevedo trouxe o acervo de sua antiga Nobel e gerencia o espaço em parceria com a FJA

E no 1º de fevereiro, mais um Sábado Literário, agora com o autor de livros infantis José de Castro conversando com o público. Quem também já está com lançamento praticamente confirmado para o início de fevereiro é o jornalista Emanuel Neri, com livro sobre Leonardo Godoy, precursor do turismo em São Miguel do Gostoso.

Para o dia 14 de março, Dia da Poesia, a equipe da livraria já está empenhada na promoção de uma grande programação.

“A proposta geral da agenda de eventos da livraria é essa, promover lançamentos de livros durante a semana, sendo que na sexta abrir para uma programação mais artística, um sarau, uma apresentação musical. E no sábado realizar esses encontros literários, bate papos entre autores e o público”, comenta o diretor da Livraria Manimbu. “Nesses quase 60 dias de funcionamento tivemos muitas visitas de escritores. Isso é importante. Queremos que eles reconheçam a livraria como um lugar deles, um lugar para literatura potiguar. Quanto à leitores, a visita deles ainda é incipiente. Sabemos que esse é um período que muita gente viaja. Mas que com o calendário de eventos, os natalenses terão mais motivos para nos fazer uma visita”.

A Livraria Manimbu conta com um acervo de mais de cinco mil títulos, grande parte deles herdados da antiga livraria Nobel, empreendimento anterior de Aluísio Azevedo. O foco é em literatura (romance, contos, crônicas, poesia). Há desde autores nacionais quanto internacionais, consagrados e emergentes. Há também best sellers, espaço para literatura infantil e histórias em quadrinhos.

As obras de autores locais disputam de igual para igual os pontos de destaque da livraria. Há inclusive um setor só com livros publicados pela editora Manimbu, do tempo que a gráfica da FJA estava em pleno funcionamento. São livros vencedores de prêmios literários, alguns raros, todos vendidos à preços acessíveis. Dentre os quais: “O dia que a Coluna passou”, de Eulício Farias, “O Alvissareiro”, de Adriano de Sousa, “Tempos Humanos”, de R. G. Nunes, “O Compadrio: da política ao sexo”, de Itamar de Souza, “O Fruto Maduro”, de Luís Carlos Guimarães, e “Palavras Manchadas de Sangue”, de Franscico Sobreira.

Casa da literatura potiguar
A ideia da Livraria Manimbu surgiu da Fundação José Augusto, que tratou de separar um espaço da Gráfica Manimbu para que fosse montada a livraria. É quando entra na jogada o livreiro Aluísio Azevedo. Ele foi convidado pela FJA pela experiência com sua antiga Nobel e por estar em plena atividade com a Unilivreira.

Créditos: Adriano AbreuImpressoras da antiga gráfica estão sem uso. Proposta é reformar o espaço e ampliar a livrariaImpressoras da antiga gráfica estão sem uso. Proposta é reformar o espaço e ampliar a livraria
Impressoras da antiga gráfica estão sem uso. Proposta é reformar o espaço e ampliar a livraria

“Crispiniano conhece a realidade do mercado editorial do RN, sabe que a literatura potiguar não tem espaço nas grandes redes de livraria. Então pensou na Manimbu como um ponto forte de distribuição da literatura produzida no estado”, conta Azevedo. “É impressionante a pujança da produção literária local. Praticamente se publica um livro por dia na cidade. Mas a distribuição não é boa. É preciso melhorar muito nesse ponto. E com a livraria queremos poder melhorar esse cenário. Os escritores já estão descobrindo o espaço. E aos poucos os leitores vão chegando”.

Azevedo também informa que a FJA já demonstrou interesse em melhorar as instalações da livraria, aproveitar a área em que está guardado o maquinário da gráfica para transformar em sala de atividades. “A FJA vai fazer reformas no andar de cima, onde funciona o Instituto Waldemar Almeida, de música, e estamos vendo se já aproveita para melhorar a área da livraria. Vamos ver se dá certo. Estamos conversando e o ano está só começando”.

Serviço
Livraria Manimbu

Rua Açu, 666A, Tirol

Aberto de segunda à sábado, das 9h às 19h.