Litoral pode ganhar projeto de R$ 2 bi

Publicação: 2013-03-14 00:00:00
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Andrielle Mendes - Repórter

O grupo polonês Gremi, que atua nas áreas de investimentos, negócios imobiliários, e reestruturação de empresas, entre outras, apresentou ontem à Secretaria Nacional de Políticas do Turismo, do Ministério do Turismo, um projeto hoteleiro com foco no ecoturismo voltado para o Rio Grande do Norte. A apresentação, extraoficial, foi feita ao secretário nacional, Vinícius Lummertz, durante intervalo do Fórum do Turismo do Rio Grande do Norte, que se encerra hoje no Centro de Convenções, na Via Costeira.
O Fórum de Turismo, que começou ontem e termina hoje no Centro de Convenções de Natal, debate soluções para desenvolver o destino
O complexo, que prevê a construção de um parque tecnológico com foco em vida marinha e energias renováveis, resorts, hotéis, pousadas e condomínios, está orçado em R$ 2 bilhões e se encontra em fase de estudos. Segundo Piotr Maj, presidente da Sibra Empreendimentos - uma das empresas do Gremi - o grupo dará entrada nas licenças ambientais quando concluir o masterplan (espécie de projeto básico do empreendimento) e o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), considerado pré-requisito para o licenciamento do projeto.

O complexo, segundo o executivo, será construído em 4% dos 2,5 mil hectares comprados pelo Gremi, em Baía Formosa, no litoral sul potiguar. “Por enquanto, não tem nada lá”, disse o empresário. A expectativa é dar entrada nas licenças ainda este ano, se os estudos forem concluídos em nove meses. O projeto, que terá como foco o turismo sustentável, contará com um centro de observação aberto a pesquisadores e turistas.
Piotr Maj: projeto para Baía Formosa foca sustentabilidade
Para Piotr, que foi vice-presidente da Câmara Nacional de Indústria e Comércio Brasil-Polônia, primeiro conselheiro da Embaixada da República da Polônia no Brasil e vice-presidente da Comissão Europeia de Turismo da América Latina, faltam produtos turísticos no RN.

A diversificação do turismo foi um dos assuntos mais debatidos no primeiro dia de fórum, em Natal. Na avaliação de Vinícius Lummertz, secretário nacional de Políticas do Turismo, do Ministério do Turismo, que proferiu palestra sobre a roteirização e regionalização do turismo, os Estados precisam mapear suas potencialidades e apostar em novos roteiros.

O mesmo foi defendido por gestores como os prefeitos de Santa Cruz, Fernanda Costa, e de Currais Novos, Vilton Cunha, debatedores do fórum. Vilton reivindicou recursos para os municípios consolidarem seus roteiros. Fernanda revelou que alguns já estão se movimentando neste sentido e citou o papel do planejamento neste processo. “O turismo do RN precisa ser interiorizado. E para isso é preciso recursos. O turismo do estado é só sol e mar. É preciso mudar isso. Sair do discurso”, afirmou Vilton. Para Gustavo Porpino, um dos organizadores do Fórum, a interiorização dos roteiros poderia diminuir a dependência que o potiguar que vive no interior tem das condições climáticas. “O que se vende mais é o turismo de sol e mar. É preciso criar outras alternativas. Desenvolver outros segmentos, como o turismo religioso, o de aventura e o ecoturismo, para gerar emprego e renda, sobretudo no interior”, disse ele.

Copa é chance  para “teste” de novos roteiros

O Rio Grande do Norte e o Brasil terão a chance de testar os novos roteiros turísticos durante a Copa de 2014. Durante o mundial, o número de estrangeiros subirá para 84.979 no RN, de acordo com estudo encomendado pelo Ministério do Turismo à Fundação Getúlio Vargas (FGV). O fluxo previsto é o terceiro menor entre as 12 cidades-sede, mas representará um incremento de 82,4% no fluxo de estrangeiros na capital.

O Rio Grande do Norte, que já foi o segundo destino turístico mais procurado em 2006 no Nordeste, vê na Copa de 2014 a chance de dobrar o fluxo de turistas internacionais - em queda desde 2007. Apesar do impulso que deve dar ao turismo local, o Mundial não é vista como “essencialmente positivo” por Luiz Gama Mór, vice-presidente da TAP. O executivo afirma que as companhias aéreas não aumentarão os voos durante a Copa e que muitos turistas que não se interessam por futebol simplesmente adiarão a viagem.   

Além do vice-presidente da TAP, proferiram palestra durante o primeiro dia de fórum o fundador da CVC Viagens, Guilherme Paulus, e o secretário nacional de Políticas do Turismo, Vinícius Lummertz. O evento termina hoje com debates e palestras do diretor da IT Mice Travel Solutions, Ibrahim Georges, do ex-ministro de Turismo, Caio Luis de Carvalho, e de Charles Maia, diretor-presidente do consórcio Arena das Dunas, que falará sobre o pós-copa.

Bate-papo - Vinícius Lummertz » secretário nacional de Políticas, do Ministério do Turismo

A diversificação do turismo é um assunto muito comentado no RN. O que falta para se tirar uma ideia como essa do papel?
Olha, o planejamento é muito importante neste processo. Ele permite analisar os cenários e inserir esses destinos (na rota do turismo). Porque no final o turismo é um assunto de mercado. Precisamos desenvolver atividades que tenham capacidade de dar um retorno para o investimento público e privado.  É preciso mapear essas atividades e estabelecer prioridades. Não podemos investir em atividades que não gerem retorno. É um caminho que vai da potencialidade até a concretização. Para isso é preciso planejar, mostrar que a estratégia pode dar resultados, e executar. Porque do contrário ela deveria ser deixada de lado, para que se pudesse priorizar outras atividades no seu lugar. Não é difícil que um investimento no turismo dê retorno, desde que ele seja bem planejado e bem aplicado, e consiga seduzir o investidor privado. Aí as coisas acontecem naturalmente. Isso vale para todos os lugares.

Como o senhor enxerga a diversificação dos roteiros?
Temos que aproveitar as nossas vantagens. O investimento que não é feito no turismo é um imposto que não se arrecada, um emprego que não se gera, e uma geração inteira que perde. O Brasil já perdeu muito ao longo da história.

Há recursos no Ministério do Turismo para diversificação do  turismo?
Sim. Os recursos surgem quando se há projetos.


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