Livro reproduz diário de um soldado da Companhia das Índias Ocidentais em passagem pelo Nordeste

Publicação: 2019-09-21 00:00:00 | Comentários: 0
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A invasão holandesa ao Nordeste do Brasil colonial é um tema que sempre desperta curiosidade. E olhares distintos para aquele período são sempre bem vindos. Não é à toa, portanto, que o editor Abimael Silva se enche de orgulho em anunciar o lançamento do livro “Diário de um soldado da companhia das índias ocidentais”, obra rara que estava há anos fora de catálogo e que agora ganha nova publicação fac-similar pelo Sebo Vermelho.

Lançado pelo Sebo Vermelho, livro foi traduzido por Alfredo de Carvalho para a edição original de 1978
Lançado pelo Sebo Vermelho, livro foi traduzido por Alfredo de Carvalho para a edição original de 1978

O lançamento será neste sábado (21), das 9h às 21h, no próprio Sebo Vermelho, no clima de sempre, descontraído e com boa conversa. Na ocasião também estará sendo relançado o livro “Alma e Poesia do Litoral do Nordeste”, de Eloy de Sousa – publicação de uma conferência dada em Natal em 1930.

“Diário de um soldado da companhia das índias ocidentais” reúne relatos do jovem sentinela Ambrósio Richshoffer, holandês de menos de 18 anos que serviu em Olinda entre 1629 e 1632. A tradução é de Alfredo de Carvalho, para a edição original de 1978. O texto de introdução é do ensaísta pernambucano Mauro Mota.

Segundo o texto de Mota, “a falta de planejamento na elaboração, excluído o de ser testemunha dos fatos e de anota-los sem pretensão de escritor... é o que, parecendo contraditório, valoriza e perpetua as memórias de Richshoffer”, diz o ensaista. “Seu compromisso era só com o que via e ouvia”.

Mota também atenta para os detalhes com que o soldado holandês descreve, por exemplo, a fabricação de açúcar nos engenhos, a conquista de Olinda, o ataque ao Forte de São Jorge, o alojamento no Convento dos Jesuítas. Por isso e por muito mais, Abimael é taxativo: “É um dos lançamentos mais importantes do Sebo Vermelho. Depois daqui vou lançar em João Pessoa e estou querendo levar pra Recife também. A invasão holandesa é um tema que muita gente gosta, e este livro pouca gente conhece”, diz o sebista editor.

Trecho:
“A 27 faleceu nosso tambor, chamado Gerhard Joris, o qual pouco antes de morrer estava coberto de piolhos, que quase o devoram. Apesar de o meterem, inteiramente nu, dentro de uma tina d'água do mar, esfregarem-lhe fora a bicharia com uma vassoura e vestirem-lhe uma camisa limpa, logo encheu-se outra vez deles, e não só inchou extraordinariamente como ficou cego. Nisto percebemos claramente o castigo Divino, porque o mesmo tambor, desde a sua mocidade, levou sempre vida desregrada, maltratou seus pais e, segundo afirmaram alguns, até os espancou. Foi este o oitavo que morreu no nosso navio”.




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