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Logro e malogro
Publicado: 00:00:00 - 23/11/2021 Atualizado: 23:37:58 - 23/11/2021
Valério Mesquita
Escritor

No início de outubro de 2009, após exaustivas e penitentes pressões, o governo do estado alocou quatrocentos e cinquenta mil reais do seu orçamento para a restauração do empório dos Guarapes, em Macaíba. A decisão, logo em seguida, passou pelo crivo do Conselho de Desenvolvimento do Estado. No dia 27 de outubro de 2009, data aniversária da emancipação política de Macaíba, a então chefe do executivo Vilma Maria de Faria, anunciou para uma mutidão a sua providência e solenemente, recebeu a medalha do mérito Fabrício Pedroza. Seguiu-se a expectativa dos procedimentos à cargo da Fundação José Augusto para licitar e pôr em prática o projeto, já pronto na sede do órgão. Em novembro de 2009, a Assembleia Legislativa, através de emenda coletiva de vários deputados, destinou mais quatrocentos e cinquenta mil reais para o orçamento estadual de 2010, objetivando atingir o valor global do custo da obra, calculado pela FJA. Até aí, tudo bem e nada a deplorar. Mas, no início de 2011, a emenda prefalada da Assembleia, foi vetada inexplicavelmente. Não se sabe, até hoje, as razões fundamentais. Ato contínuo, o próprio Poder Legislativo, por 22 x 0, derrubou o veto em março do mesmo ano, justamente por não entender e não existirem motivos para tal ambiguidade. Até a bancada do governo contribuiu para a queda desse veto.

Em abril de 2011, quando o presidente da FJA Crispiniano Neto foi se entender com o secretário da Fazenda e Planejamento para liberar os quatrocentos e cinquenta mil reais do orçamento de 2009 (o primeiro recurso aludido liberado pela gestão anterior), recebeu a contundente resposta de que o dinheiro não foi empenhado, ano passado. Quem enganou ou sabotou: o próprio Planejamento? O CDE? A Casa Civil? Ou a governadoria?

Não sai da memória a noite de 27 de outubro, data da emancipação política - em praça pública -, a homenagem do município conferindo a governadora o “Mérito Fabrício Pedroza”, fundador dos Guarapes e de Macaíba, que antes de 1877, se chamava Coité.

E o que resta, agora, de tudo isso? A pergunta é do leitor que acompanha essa odisséia há anos. A dotação, colocada pelos parlamentares, em 2009, por não ter sido empenhada (Descuido? Esbulho? Má vontade? Não sei. Resta-me dizer, parafraseando Paulo, o apóstolo, que combati o bom combate, continuo resistindo a canseira e ainda guardo a fé que veremos: o empório dos Guarapes restaurado. Não deixarei me abater por esse episódio e nem Macaíba sairá dele humilhada, porque até as pedras da colina dos Guarapes não calarão. A luta continua.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.

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