Lojas esperam crescimento de até 40% no 2º semestre

Publicação: 2010-06-23 00:00:00
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Com o início do segundo semestre do ano, época em que há um aquecimento na venda de material de construção, empresários do setor estão reforçando seus investimentos, visando aproveitar o atual fortalecimento da economia nacional, que tem aquecido o mercado imobiliário desde meados de 2009. Em Natal, o comércio varejista do Alecrim reforçou os estoques e lojistas vêm esperando um crescimento de até 40% nas vendas até o final deste ano. Analistas atribuem o presente fortalecimento dos setores de material de construção e de construção civil no Brasil ao programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, bem como ao elevado número de lançamentos realizados desde junho do ano passado, uma vez que muitos desses empreendimentos estão sendo erguidos atualmente.

Setor de material de construção usufrui dos benefícios do IPI reduzido até o final do anoDemonstrando o aquecimento do setor no país, uma pesquisa da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) apontou que em maio deste ano, 71% das indústrias do setor pretendiam investir no aumento da capacidade de produção das fábricas nos próximos 12 meses. De acordo com o órgão, esse percentual está bem próximo do mais alto volume registrado, que ocorreu em abril 2008, quando 72% dos empresários informaram que iriam expandir os investimentos. Em maio do ano passado, esse índice era de 33% e em abril deste ano, o volume de empresas do setor que pretendiam investir no aumento da capacidade para os 12 meses seguintes era de 66%.

Em lojas de material de construção localizadas no bairro do Alecrim, gerentes afirmam que os estabelecimentos estão bem abastecidos, esperando pelo maior fluxo de clientes que costuma ser registrado na segunda metade do ano. De acordo com alguns lojistas, houve uma redução no movimento desde o início da Copa do Mundo de Futebol, mas a expectativa é de que o fluxo de clientes cresça logo após o fim do torneio, que ocorrerá no próximo dia 11 de julho. Eles explicam que o segundo semestre costuma ser melhor para o setor porque após o período chuvoso, as pessoas reformam calçadas e pintam suas casas, já que a chuva costuma provocar alguns danos.

Os lojistas também dizem acreditar que a volta da cobrança do imposto sobre produtos industrializados (IPI), marcada para ocorrer no primeiro dia de 2011, não deverá significar uma redução nas vendas. Para eles, o preço deverá subir um pouco, mas só o correspondente à alíquota cobrada sobre cada produto. “Mas as vendas não vão cair por isso, já que o período é naturalmente fraco e só costuma procurar os produtos quem vai fazer pequenos serviços em casa”, prevê o gerente de uma loja, Paulo Roberto Medeiros.

Cimento

Entre as lojas do mais tradicional bairro de comércio da capital, as percepções acerca do volume de cimento no mercado varia. Enquanto em algumas, gerentes afirmam estar conseguindo manter o abastecimento normal do produto, em outros há dificuldade em conseguir repor os estoques.

A proprietária de uma loja de material de construção, Nitalma Lima, lembra que houve dificuldade em comprar cimento no final do ano passado e diz que o mesmo está ocorrendo atualmente. Ela afirma que já está contabilizando os prejuízos e  espera que esse quadro seja modificado rapidamente. “Estou com o estoque zerado e cerca de 30 pessoas vieram em busca do produto, além de uma construtora que queria 150 sacos de uma só vez. Cimento é um dos carros chefe da construção e não podemos ficar sem ele”, avalia.

Fim de incentivos reduz intenção de consumo

Rio (AE) - O fim dos incentivos fiscais iniciados pelo governo no ano passado, como a redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em bens duráveis como produtos de linha branca e automóveis, diminuiu a intenção de consumo no segundo trimestre deste ano. Mas em compensação, a antecipação de compras provocada pelos benefícios fiscais no ano passado levou o consumidor a torna-se mais cauteloso com novas dívidas em 2010 - o que levou a diminuição na quantidade de famílias endividadas em junho. A análise é do chefe da Divisão Econômica da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Carlos Thadeu de Freitas “Mesmo sem o IPI, o ritmo de consumo continua forte este ano”, acrescentou o economista.

Ontem, a CNC divulgou dois levantamentos: as pesquisas nacionais de Intenção de Consumo das Famílias (ICF-Nacional) e de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC- Nacional). O universo dos levantamentos abrange 17.800 consumidores em todo o País. Na primeira pesquisa, o indicador de intenção de consumo das famílias, em uma escala de 0 a 200 pontos, recuou de 134,9 pontos para 132,2 pontos, do primeiro para o segundo trimestre deste ano, o que representou uma queda de 2,0% no período.

Na prática, segundo o economista da CNC Fábio Bentes, o resultado de retração foi fortemente influenciado por comparação com base elevada, referente ao primeiro trimestre de 2010, quando a redução do IPI ainda estava em vigor, em alguns setores como o automotivo. “É certo dizer que houve um recuo na intenção de compra de bens duráveis este ano, o que influenciou esta queda na margem, na intenção de consumo (geral)”, comentou Bentes.

Equivalência

No entanto, o especialista fez uma ressalva. Ao se comparar os resultados de intenção de consumo nos primeiros seis meses do ano com o desempenho de igual período em 2008, é possível dizer que as perspectivas de consumo estão equivalentes às registradas no cenário pré-crise. Ele comentou que o mercado doméstico brasileiro está sendo beneficiado pelo bom momento no poder aquisitivo do brasileiro, que conta com melhores condições no mercado de trabalho e na renda.

“Estamos esperando um aumento de 10,8% no volume de vendas no varejo este ano; no ano passado, devido à crise, as vendas cresceram em torno de 5,9%”, disse Bentes, acrescentando que, caso a estimativa da CNC se confirme, seria o melhor ano do comércio varejista brasileiro, na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciada em janeiro de 2000, batendo o resultado recorde de 2007, quando as vendas do comércio subiram 9,7%.

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